Detalhes da ação

INOVAÇÃO NO CUIDADO: O USO DE TECNOLOGIA DIGITAL NA EDUCAÇÃO PERMANENTE DA ENFERMAGEM

Sobre a Ação

Nº de Inscrição

202203001548

Tipo da Ação

Projeto

Situação

RECOMENDADA :
EM ANDAMENTO - Normal

Data Inicio

01/02/2026

Data Fim

31/12/2026


Dados do Coordenador

Nome do Coordenador

paulo henrique da cruz ferreira

Caracterização da Ação

Área de Conhecimento

Ciências da Saúde

Área Temática Principal

Educação

Área Temática Secundária

Tecnologia e Produção

Linha de Extensão

Educação Profissional

Abrangência

Municipal

Gera Propriedade Intelectual

Sim

Vínculada a Programa de Extensão

Não

Envolve Recursos Financeiros

Não

Ação ocorrerá

Fora do campus

Período das Atividades

Integral

Atividades nos Fins de Semana

Não

Membros

Tipo de Membro Interno
Carga Horária 20 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 20 h
Resumo

A qualificação contínua em enfermagem é essencial para um cuidado seguro e baseado em evidências. Diante de avanços tecnológicos e alta complexidade assistencial, instituições enfrentam o desafio de manter equipes atualizadas. O projeto propõe uma plataforma digital para capacitação permanente na Santa Casa de Diamantina, integrando ensino, pesquisa e extensão, com diagnóstico situacional, módulos no Moodle e avaliação sistemática para qualificar práticas assistenciais.


Palavras-chave

Educação Permanente em Saúde; Enfermagem; Tecnologia Educacional; Capacitação Profissional; Telessaúde


Introdução

A Educação Permanente em Saúde (EPS) constitui um pilar estratégico e inadiável para a qualificação do cuidado, a promoção da segurança do paciente e o fortalecimento da autonomia e da tomada de decisão clínica da equipe de enfermagem em ambientes hospitalares. A constante atualização é fator essencial para garantir a qualidade da assistência, visto que o avanço científico e tecnológico exige práticas fundamentadas em evidências atuais, contribuindo diretamente para a redução de erros e a melhoria dos resultados em saúde (CARVALHO; SILVA, 2019; MAGALHÃES et al., 2020; COFEN, 2021). Contudo, a efetividade dos programas de EPS é sistematicamente desafiada pela complexidade dos serviços de saúde – marcada pela alta demanda assistencial, rotatividade profissional e escassez de recursos pedagógicos tradicionais (OLIVEIRA et al., 2020). O advento e a consolidação das tecnologias digitais têm provocado uma profunda transformação nos processos educacionais. Na área da enfermagem, essas ferramentas oferecem recursos dinâmicos, flexíveis e interativos que expandem as possibilidades de desenvolvimento de competências, atualização profissional e embasamento das decisões assistenciais. Plataformas on-line, objetos educacionais interativos e metodologias digitais têm demonstrado eficácia em fomentar a autonomia, o engajamento e a aprendizagem ativa dos trabalhadores da saúde, proporcionando cada vez mais a incorporação das tecnologias digitais de ensino à educação permanente da equipe de enfermagem (SILVA; MACHADO; SOUZA, 2022). A incorporação da tecnologia à educação permanente em ambientes hospitalares revela-se um fator de otimização, pois ferramentas como microlearning, simulação virtual e aplicativos móveis permitem a criação de trilhas formativas compatíveis com a diversidade de turnos e perfis profissionais. Em regiões que enfrentam barreiras geográficas e logísticas, como o Vale do Jequitinhonha, a tecnologia é uma aliada estratégica que permite o acesso flexível a conteúdos e recursos multimídia (SANTOS; MARIN; BARBOSA, 2019). Estudos recentes indicam que essas modalidades são percebidas como acessíveis e integradas ao cotidiano de trabalho, promovendo maior retenção do conhecimento (FREITAS et al., 2023). Adicionalmente aos benefícios individuais, iniciativas digitais de educação permanente favorecem melhorias organizacionais. Elas impactam positivamente os indicadores assistenciais, a segurança e a redução de eventos adversos, ao contribuírem para a padronização de condutas e o fortalecimento da cultura de segurança (KLEIN et al., 2021). Dessa forma, o investimento em processos educativos permanentes fortalece a autonomia da equipe, assegura um cuidado mais seguro e atende às demandas crescentes de um sistema de saúde em constante transformação. Diante deste panorama de demandas e oportunidades, o desenvolvimento de projetos de extensão e intervenção que empregam tecnologias digitais para a capacitação contínua e setorial da equipe de enfermagem se mostra altamente pertinente. Iniciativas sistematizadas, baseadas em metodologias ativas e alinhadas às necessidades do trabalho, são capazes de qualificar os processos de cuidado e consolidar uma cultura institucional de aprendizado contínuo (MARTINS et al., 2024). A Santa Casa de Caridade de Diamantina vivencia essa realidade, marcada pela inexistência formal de um programa de aperfeiçoamento formativo e pela variabilidade de condutas que exigem atualização contínua frente aos avanços científicos. Desta maneira, emerge o problema central deste projeto de extensão: Como é possível implementar uma educação permanente estruturada, acessível e alinhada às necessidades reais da equipe de enfermagem da Santa Casa, incorporando efetivamente tecnologias digitais? A pergunta norteadora que guiará as ações é: “O uso de tecnologias digitais pode qualificar o ensino da educação permanente da equipe de enfermagem, fortalecendo a segurança do paciente e a padronização das práticas assistenciais?”. Como hipótese de intervenção, considera-se que a implementação de uma plataforma digital interativa, aliada a metodologias ativas, ampliará o engajamento profissional, favorecerá a aprendizagem autônoma e gerará um impacto positivo e mensurável na prática assistencial. A relevância desta proposta de Extensão reside na necessidade latente de estratégias educacionais inovadoras que aproximem a Universidade do serviço de saúde, permitam a atualização contínua do corpo funcional que criem condições concretas para a melhoria sustentável da assistência no cenário do SUS. Esta iniciativa se alinha integralmente às diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e reforça o compromisso social da UFVJM ao atuar diretamente na comunidade externa. Ao fortalecer a qualificação profissional, padronizar condutas assistenciais e promover a segurança do paciente, este projeto de extensão consolida um modelo inovador de capacitação digital replicável para o SUS, contribuindo diretamente para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, em especial o ODS 3 – Saúde e Bem-estar e o ODS 4 – Educação de Qualidade."


Justificativa

A ausência de processos formais e estruturados de Educação Permanente em Saúde (EPS) na Santa Casa de Caridade de Diamantina constitui uma lacuna institucional crítica que compromete a qualidade assistencial e dificulta a atualização contínua da equipe de enfermagem (OLIVEIRA et al., 2020). A rápida evolução das tecnologias de cuidado e o imperativo da segurança do paciente exigem profissionais capacitados e aptos a padronizar condutas e responder às demandas clínicas contemporâneas, o que torna a intervenção imediata uma urgência ética e assistencial (COFEN, 2021; KLEIN et al., 2021). Este projeto justifica-se por oferecer uma solução concreta, inovadora e sustentável, que supera as barreiras logísticas e de rotina impostas pelo ambiente hospitalar (como turnos de trabalho e sobrecarga) através da integração de ferramentas digitais, metodologias ativas e diagnóstico situacional. A proposta baseia-se na expertise da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) em tecnologia e formação, reforçando o pilar da Extensão ao articular a produção de conhecimento com a transformação social. Espera-se gerar benefícios práticos de grande impacto — como a padronização de condutas, o aumento mensurável da segurança do paciente e a potencial redução de eventos adversos —, além de benefícios teóricos, como a produção de conhecimento aplicável e o fortalecimento da cultura de EPS na região. A intervenção está em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e reflete o compromisso com o SUS ao atuar na qualificação da força de trabalho. Ao estabelecer um modelo sistematizado de capacitação mediado por tecnologia, este projeto de extensão consolida a UFVJM como agente de desenvolvimento regional e reforça o papel da Santa Casa em um polo de inovação assistencial, criando um padrão replicável de EPS em Telessaúde para instituições de saúde de médio porte.


Objetivos

Objetivo Geral Implementar um modelo de Educação Permanente em Saúde (EPS) mediado pela tecnologia digital e metodologias ativas para qualificar a assistência e fortalecer a cultura de segurança da equipe de enfermagem da Santa Casa de Caridade de Diamantina, a partir da identificação de necessidades formativas setoriais. Objetivos Específicos • Mapear e analisar as demandas setoriais de capacitação da equipe de enfermagem da Santa Casa, identificando lacunas de conhecimento e dificuldades práticas. • Desenvolver a estrutura digital da plataforma (Moodle) e elaborar módulos formativos e objetos educacionais baseados em metodologias ativas e protocolos científicos. • Aplicar e implementar o programa de EPS digital (plataforma, conteúdos) junto à equipe de enfermagem da instituição parceira. • Monitorar indicadores de processo, como adesão, engajamento e satisfação dos participantes, verificando a aplicabilidade e acessibilidade da solução digital. • Avaliar o impacto da intervenção na prática assistencial setorial, mensurando a padronização de condutas e o fortalecimento da segurança do paciente. • Capacitar estudantes extensionistas e pós-graduandos em tecnologias educacionais, pesquisa aplicada e metodologias de ensino para multiplicação do conhecimento.


Metas

O estabelecimento das metas representa a mensuração concreta dos Objetivos propostos, traduzindo as ações de Extensão e a intervenção tecnológica em resultados quantificáveis e verificáveis. Para garantir a mensurabilidade do projeto, as metas foram estruturadas de acordo com o framework SMART (Específicas, Mensuráveis, Alcançáveis, Relevantes e Temporais) fundamental para o planejamento e controle de resultados em gestão de projetos (PMI, 2021). Estas detalham a escala da intervenção da UFVJM na Santa Casa, desde o diagnóstico situacional (envolvimento de 100% da equipe-alvo) e a entrega de produtos (módulos digitais) até o impacto assistencial (redução de eventos adversos e padronização de condutas). São as metas elencadas para este projeto: • Aplicar diagnóstico situacional com 100% dos profissionais de enfermagem dos setores-alvo em até 60 dias. • Entregar no mínimo 8 Módulos de Aprendizagem Digital (em plataforma Moodle) baseados nas necessidades identificadas, até o final do 4º mês de projeto. • Garantir a conclusão de, no mínimo, 80% dos módulos formativos pela equipe de enfermagem participante em até 6 meses após o lançamento da plataforma." • Atingir um índice de satisfação (avaliado por feedback digital) de, no mínimo, 85% dos profissionais participantes. • Demonstrar a redução de, no mínimo, 15% nos indicadores de eventos adversos relacionados à falha de adesão ao protocolo (conforme dados do Núcleo de Segurança do Paciente) nos setores-alvo, em até 12 meses após a implementação da plataforma. • Elaborar e submeter à publicação (em periódico científico) 1 Artigo Científico e 1 Relatório Técnico de Extensão até o final do projeto (12º mês)." • "Capacitar diretamente 5 estudantes extensionistas e 3 pós-graduandos na metodologia de desenvolvimento de tecnologias educacionais e intervenção social."


Metodologia

O presente projeto será desenvolvido com base em uma abordagem aplicada, centrada no desenvolvimento de uma solução digital de educação continuada mediada por tecnologias, voltada ao aprimoramento dos conhecimentos setoriais da equipe de enfermagem da Santa Casa de Caridade de Diamantina. A proposta segue os princípios da extensão universitária, promovendo interação dialógica, interdisciplinaridade e ação transformadora, ancorando-se nos princípios das Ciências da Implementação para assegurar que a prática baseada em evidências (PBE) seja não apenas desenvolvida, mas também viável, aceitável e sustentável no contexto institucional (Damschroder et al. 2009; Glasgow et al. 2014). Nesse sentido, o processo metodológico será organizado em quatro etapas sequenciais e interdependentes, constituindo um ciclo de intervenção que orienta a construção de um instrumento formativo alinhado às necessidades do serviço e capaz de gerar impactos significativos na prática assistencial. A metodologia será organizada em quatro fases sequenciais e interdependentes, conforme o ciclo de implementação: Fase 1 – Exploração e Pré-Implementação (Diagnóstico Contextual) Esta fase é dedicada à compreensão aprofundada do contexto de implementação, mapeando as barreiras e facilitadores contextuais que podem influenciar a adoção da plataforma digital. A ação central consiste em um levantamento exploratório-descritivo (GIL, 2008), que inclui a aplicação de questionários e/ou entrevistas . O objetivo é mapear lacunas de conhecimento setoriais e identificar competências essenciais necessárias nos setores de maior complexidade assistencial. A decisão de iniciar a intervenção nos setores de maior complexidade assistencial justifica-se pela maior vulnerabilidade desses ambientes à ocorrência de eventos adversos, decorrente tanto da gravidade clínica dos pacientes quanto da intensidade e variabilidade dos procedimentos realizados. Unidades como emergência, terapia intensiva e enfermarias de alta dependência concentram pacientes com múltiplas comorbidades, uso frequente de dispositivos invasivos, terapias de alto risco e necessidade de monitorização contínua, configurando um cenário crítico para a segurança do paciente e exigindo elevado nível de competência técnica da equipe de enfermagem. Nesse contexto, lacunas de conhecimento, falhas de comunicação e déficits de treinamento têm impacto ampliado, aumentando a probabilidade de eventos adversos preveníveis e desfechos negativos. Assim, priorizar esses setores representa uma estratégia metodológica e ética, ao direcionar esforços formativos para áreas de maior risco e potencial benefício, contribuindo para mitigar danos, aprimorar a qualidade assistencial e fortalecer a cultura de segurança institucional. A fundamentação deste projeto, será realizada por meio de uma revisão da literatura científica atual (protocolos assistenciais e diretrizes clínicas) para embasar tecnicamente a intervenção. A identificação desses elementos é crucial para o design das estratégias de implementação subsequentes. A equipe de enfermagem participará do diagnóstico por meio de questionário, requerendo a dedicação de 30 minutos por profissional. Estudantes extensionistas e pós-graduandos dedicarão 8 horas semanais à coleta, sistematização e análise preliminar dos dados durante os primeiros 60 dias. Fase 2 – Preparação e Adaptação (Tailoring da Intervenção) Com base nos achados da Fase 1, esta etapa foca na co-criação e no ajuste (tailoring) da intervenção digital para maximizar sua aceitabilidade e viabilidade pelo público-alvo. A Ação Central consiste em definir os temas prioritários dos módulos educacionais e elaborar roteiros pedagógicos com metodologias ativas. Os conteúdos e recursos multimídia (vídeos, infográficos) serão desenvolvidos com trilhas de aprendizagem multimodais, alinhados aos protocolos científicos. A Estratégia de Implementação será baseada na criação do Comitê de Validação Conjunta (CVC), composto por extensionistas e profissionais do serviço, que atuará formalmente na co-criação e nos testes piloto. Os discentes e graduandos de outros cursos envolvidos na produção e gravação dos recursos multimídia dedicarão 5 horas semanais por membro, em um período de 8 semanas. Os extensionistas e pós-graduandos dedicarão uma média de 10 horas semanais à curadoria, produção e organização dos conteúdos na plataforma durante o período de desenvolvimento (4 meses). Os testes piloto envolverão 5 profissionais de enfermagem, selecionados de modo aleatório, requerendo a dedicação de 3 horas por profissional para avaliação e feedback. Fase 3 – Execução (Roll-out) Esta fase consiste na execução da intervenção e na avaliação contínua dos processos de implementação. A ação central consiste na criação dos módulos formativos, que serão disponibilizados gradualmente na plataforma Moodle, digital e autoinstrutiva. Serão utilizados recursos de gamificação, fóruns de discussão e mecanismos de feedback automatizado. Para as Métricas de Processo, serão avaliadas a Aceitabilidade (satisfação dos usuários com a plataforma) e a Fidelidade à Intervenção (o grau em que os módulos foram utilizados conforme planejado) por meio do registro sistemático de engajamento e conclusão. A carga horária total da intervenção para cada profissional de enfermagem participante será de 40 horas, distribuídas ao longo de 6 meses. Docentes e extensionistas mediadores atuarão na mediação dos fóruns e condução dos encontros síncronos, com a dedicação de 4 horas semanais para estas atividades de mediação e suporte. Fase 4 – Avaliação e Sustentabilidade (Mensuração de Múltiplos Resultados) Esta fase utiliza um rigoroso Desenho Híbrido de Implementação (Tipo 3). Isso significa que a avaliação tem objetivos duplos: 1) mensurar o impacto clínico (efetividade) da intervenção nos pacientes; 2) mensurar o sucesso das estratégias de implementação (Aceitabilidade, viabilidade, fidelidade). Nas ações de Avaliação, serão aplicadas avaliações de aprendizagem (pré/pós-testes de 20 minutos de duração), reação (satisfação) e, criticamente, impacto na prática assistencial (análise de indicadores de qualidade, como padronização de condutas e eventos adversos). Visando a garantia de Sustentabilidade, o projeto finaliza com a institucionalização da plataforma e a transferência tecnológica para a gestão hospitalar, assegurando que o ciclo de Educação Permanente seja mantido (garantia de Sustentabilidade). O monitoramento dos indicadores e a elaboração dos relatórios serão realizados pelos extensionistas e pós-graduandos, com uma dedicação de 6 horas semanais após a implementação. Reuniões quinzenais de supervisão terão duração de 60 minutos cada. O resultado da avaliação subsidiará a elaboração e submissão de no mínimo 1 Artigo Científico (foco na implementação) e 1 Relatório Técnico de Extensão, sendo que os produtos poderão ser estratificados de modo setorial.


Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS). 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. CARVALHO, D. P. S. R. P.; SILVA, M. R. F. Educação permanente em saúde e sua interface com a segurança do paciente: revisão integrativa. Revista de Enfermagem UFPE, Recife, v. 13, n. 2, p. 381–390, 2019. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Educação permanente em enfermagem: diretrizes para a prática profissional. Brasília: COFEN, 2021. Disponível em: http://www.cofen.gov.br. Acesso em: 3 set. 2025. FREITAS, C. R. et al. Digital learning strategies in hospital nursing practice: impacts and perceptions. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 76, p. 1-10, 2023. KLEIN, M. R. et al. Digital education and patient safety indicators in hospital care: a systematic review. Journal of Nursing Management, v. 29, n. 8, p. 2401-2411, 2021. MAGALHÃES, A. M. M. et al. Educação permanente como estratégia para a qualidade da assistência e segurança do paciente. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 29, e20180302, 2020. MARTINS, A. P. et al. Continuous professional development in nursing through digital technologies: challenges and opportunities. Nurse Education Today, v. 133, p. 106022, 2024. OLIVEIRA, A. F. et al. Permanent education and work processes in hospital nursing: limits and possibilities. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 29, e20190555, 2020. ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nova Iorque: ONU, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 2 set. 2025. PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE (PMI). Um guia para o gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). 7. ed. Newton Square: Project Management Institute, 2021. SANTOS, J. P.; MARIN, H. F.; BARBOSA, L. R. Telessaúde: ferramenta de apoio à educação permanente em regiões remotas. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 53, p. e03503, 2019. SILVA, L. A.; MACHADO, F. B.; SOUZA, P. L. Digital tools in active learning for nursing education: evidence from practice. Nursing Education Perspectives, v. 43, n. 4, p. 215-221, 2022. DAMSCHRODER, L. J. et al. Fostering implementation of health services research findings into practice: a consolidated framework for advancing implementation science. Implementation Science, London, v. 4, n. 50, 2009. GLASGOW, R. E. et al. RE-AIM planning and evaluation framework: adapting to new science and practice. Frontiers in Public Health, Lausanne, v. 2, 2014.


Interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade

A interação dialógica entre a comunidade acadêmica e a sociedade, neste projeto, se materializa por meio de um processo colaborativo e contínuo de co-construção do conhecimento com os profissionais da Santa Casa de Caridade de Diamantina, reconhecendo-os como sujeitos ativos e detentores de saberes situados. Em vez de uma transferência verticalizada de conteúdos, a proposta estabelece um fluxo bidirecional de aprendizagem, no qual as demandas, barreiras e prioridades identificadas no cotidiano assistencial orientam o desenvolvimento da solução formativa, ao mesmo tempo em que a universidade contribui com evidências científicas, ferramentas metodológicas e suporte técnico para aprimorar práticas e processos. Assim, a interação dialógica assume um caráter transformador, pautado na integração entre saber científico e saber prático, na valorização das experiências do serviço de saúde e na corresponsabilização pelo desenvolvimento de estratégias sustentáveis de qualificação da assistência, fortalecendo vínculos institucionais e ampliando o impacto social da formação em saúde.


Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade

O sucesso deste projeto é sustentado por uma robusta abordagem interprofissional e interdisciplinar, essencial tanto para a qualidade técnica da solução quanto para a formação integral dos estudantes. A interdisciplinaridade é garantida pela articulação das grandes áreas de conhecimento da universidade no desenvolvimento dos módulos. O curso de Enfermagem lidera a validação do conteúdo clínico, definindo os protocolos assistenciais e as lacunas de conhecimento (Etapa 1), garantindo a relevância e a segurança do cuidado. Em paralelo, a complexidade técnica da plataforma Moodle exige a contribuição do curso de Sistema de informação, que se responsabiliza pelo design da arquitetura digital e pela integração de recursos avançados, como gamificação e feedback automatizado. O aspecto pedagógico e de comunicação é fortalecido pelo curso de pedagogia, otimizando a experiência de aprendizagem e a retenção do conhecimento. Os diversos cursos da faculdade de ciências da saúde vão colaborador com os diversos conhecimentos que podem ser somados durante a construção destes treinamentos Esta colaboração multi-curso assegura que o produto final seja tecnicamente robusto, pedagogicamente eficaz e plenamente alinhado com as necessidades assistenciais e gerenciais do serviço. A interprofissionalidade neste projeto vai além da simples colaboração, estabelecendo uma relação de Extensão em via de mão dupla (troca bidirecional) entre a Universidade e a Santa Casa. O projeto garante que essa articulação resulte em uma Prática Colaborativa Interprofissional efetiva. O mecanismo de interação se formaliza pela criação de um Comitê de Validação Conjunta (CVC), composto por docentes, estudantes extensionistas e profissionais estratégicos do serviço (enfermeiros-coordenadores setoriais, médicos, núcleo de segurança do paciente, técnicos de informática hospitalares e outros profissionais com expertise que possa somar à criação ou viabilidade do projeto). O CVC reunir-se-á mensalmente para a co-criação dos conteúdos e a validação de sua aplicabilidade. Essa metodologia valoriza o conhecimento prático tácito da equipe da Santa Casa e garante a aderência dos módulos à realidade assistencial local. A integração entre as diversas categorias profissionais do serviço contribui diretamente para a qualificação do cuidado ao paciente de forma sistêmica e atua na reorganização do processo de trabalho, utilizando a plataforma digital como ferramenta para a padronização de condutas e a melhoria dos indicadores de qualidade e segurança do paciente.


Indissociabilidade Ensino – Pesquisa – Extensão

A pesquisa fundamenta o diagnóstico e orienta a construção dos módulos; o ensino se fortalece através do aprendizado dos estudantes envolvidos; e a extensão leva conhecimento para a comunidade externa, retornando ao ambiente acadêmico experiências reais que retroalimentam o ciclo formativo. O projeto promove produção científica, formação crítica e impacto direto na prática profissional, atendendo ao princípio constitucional da indissociabilidade.


Impacto na Formação do Estudante: Caracterização da participação dos graduandos na ação para sua formação acadêmica

Os estudantes desenvolverão competências em pesquisa aplicada, metodologias ativas, tecnologias digitais, produção de conteúdos educacionais, gestão de projetos e comunicação científica. A vivência prática em um serviço hospitalar real amplia a formação crítico-reflexiva, fortalece a responsabilidade social e aprimora habilidades essenciais para o perfil do enfermeiro contemporâneo. A experiência de Educação Interprofissional (EIP) proporcionada por este projeto será fundamental para a formação crítica e integral dos estudantes de todos os cursos, alinhando-se diretamente às exigências das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) no que tange ao desenvolvimento do Cuidado Centrado no Paciente e no trabalho em equipe. A exposição a desafios reais e complexos, por meio do CVC e da atuação direta no serviço, permite aos alunos desenvolverem três competências interprofissionais essenciais para a sua futura atuação profissional: 1. Comunicação Interprofissional Efetiva: Capacidade de transmitir informações técnicas e adaptar a linguagem a diferentes stakeholders (clínicos, gestores, técnicos), fundamental para evitar falhas e eventos adversos. 2. Liderança Situacional e Negociação: Habilidade de atuar como facilitador e mediador em ambientes de trabalho complexos e multiprofissionais, gerenciando conflitos e promovendo a adesão a novas práticas. 3. Resolução Colaborativa de Problemas (Tailoring): Competência para integrar conhecimentos de diversas áreas (clínica, pedagógica e tecnológica) a fim de customizar soluções (os módulos digitais) que sejam viáveis, eficazes e sustentáveis na realidade restrita do SUS e do mercado de trabalho. Dessa forma, o projeto prepara os futuros profissionais para uma Prática Colaborativa Interprofissional madura, tornando-os aptos a responder à complexidade do cenário da saúde com competência e inovação.


Impacto e Transformação Social

O presente projeto de extensão transcende a dimensão acadêmica, gerando um impacto social e transformador significativo, com potencial de sustentabilidade a longo prazo no serviço de saúde. O impacto imediato e mensurável se concentra na melhoria contínua da qualidade assistencial e na segurança do paciente na Santa Casa. Ao padronizar condutas e reduzir lacunas de conhecimento por meio da educação digital, o projeto visa diretamente a redução da taxa de eventos adversos (como erros de medicação e infecções relacionadas à assistência), correlacionando-se com as Metas de Segurança do Paciente. O benefício se estende diretamente ao paciente-usuário do SUS na região de Diamantina, que passará a receber um cuidado mais seguro, resolutivo e humanizado. A qualificação da equipe diminui a variabilidade do cuidado, otimiza o uso de recursos hospitalares e contribui para a redução de reinternações evitáveis, promovendo a equidade no acesso a um serviço de saúde de alta qualidade. O projeto está formalmente alinhado à Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), pois propõe a articulação entre o ensino, o serviço e a comunidade, transformando as práticas diárias da Santa Casa em oportunidades de aprendizado. A sustentabilidade da intervenção é assegurada pela institucionalização da plataforma Moodle no ambiente de tecnologia da instituição de saúde. Isso garante que os conteúdos permaneçam disponíveis e relevantes, perpetuando o ciclo de Educação Permanente e a responsabilidade social transparente da gestão sobre a formação continuada, mesmo após o término da realização do projeto da Extensão. Dessa forma, o projeto demonstra a função transformadora da Extensão, rompendo o muro acadêmico e estabelecendo um legado tecnológico e pedagógico que tem potencial de replicação em outras instituições de saúde filantrópicas.


Divulgação

A comunicação envolverá: • divulgação interna na Santa Casa via reuniões, e-mails, cartazes e QR Codes; • divulgação institucional pela UFVJM via site, redes sociais e Telessaúde; • relatórios técnicos periódicos para a PROEXC. A viabilidade operacional está assegurada pela infraestrutura do Moodle Institucional, parceria com o Núcleo de Telessaúde, apoio do Projeto Digital Móvel, disponibilidade de equipe docente e facilidade de acesso dos profissionais.


Propriedade(s) Intelectual

A plataforma de treinamentos; Os materiais de apoio pedagógico dos módulos ( textos, cartilhas, folders) Artigos Relato de experiência

Público-alvo

Descrição

Profissionais da Equipe de enfermagem da Santa Casa de Caridade de Diamantina – Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de enfermagem

Municípios Atendidos

Município

Diamantina - MG

Parcerias

Participação da Instituição Parceira

O curso de Graduação em Enfermagem/UFVJM apoiará a execução do projeto por meio da participação docente, da disponibilização de espaços físicos e do empréstimo de materiais necessários ao desenvolvimento das atividades.

Participação da Instituição Parceira

Essa parceria tem como propósito disponibilizar recursos de comunicação e telemonitoramento, além de oferecer suporte técnico e orientação na estruturação dos módulos digitais, assegurando que os conteúdos estejam em consonância com as boas práticas assistenciais e com as normas preconizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Participação da Instituição Parceira

Tal parceria fundamenta-se no suporte administrativo, empréstimo de recursos materiais e assessoria pedagógica (Pró-Saúde II).

Participação da Instituição Parceira

O referido projeto contribuirá para a implementação prática da plataforma, por meio do desenvolvimento de aplicativos, realização de testes de usabilidade, suporte técnico e integração de conteúdos multimídia.

Participação da Instituição Parceira

Tal parceria fundamenta-se na mobilização da equipe de enfermagem para a participação nas etapas do referido projeto.

Cronograma de Atividades

Carga Horária Total: 132 h

Carga Horária 8 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
Descrição da Atividade

Levantamento bibliográfico que subsidia o desenvolvimento do projeto

Carga Horária 20 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Realização do levantamento setorial das demandas de treinamentos

Carga Horária 40 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
Descrição da Atividade

é a operacionalização da plataforma digital no contexto institucional, incluindo a mobilização dos participantes, o treinamento inicial da equipe, o suporte técnico contínuo e o monitoramento da adesão e do uso da solução. Essa fase será conduzida com estratégias de facilitação, comunicação e feedback, de modo a favorecer a aceitabilidade, o engajamento e a integração da tecnologia aos fluxos de trabalho existentes. Paralelamente, serão coletados dados processuais e percepções dos usuários para identificação de barreiras e ajustes oportunos, configurando um processo dinâmico e responsivo que sustenta a efetividade e sustentabilidade da intervenção.

Carga Horária 4 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

A etapa de avaliação e acompanhamento compreende o monitoramento sistemático da implementação, contemplando a coleta, análise e interpretação de indicadores de processo e de resultados, bem como o acompanhamento longitudinal do desempenho da intervenção no ambiente institucional. Serão utilizadas métricas relacionadas à adesão, aceitabilidade, viabilidade, experiência do usuário e impacto na prática assistencial, a fim de identificar progressos, barreiras e oportunidades de aprimoramento. Além disso, serão realizados encontros de devolutiva e feedback com os profissionais e gestores, permitindo ajustes contínuos, reforço das estratégias de implementação e fortalecimento da sustentabilidade da solução ao longo do tempo.

Carga Horária 10 h
Periodicidade Quinzenalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

A etapa de análise do banco de dados envolve a organização, limpeza, codificação e tratamento dos dados coletados durante a implementação da intervenção, visando garantir consistência, completude e qualidade da informação. Serão aplicadas técnicas de estatística descritiva e/ou análise qualitativa, conforme a natureza dos indicadores, para identificar padrões, tendências e relações entre variáveis de processo e de resultado. Essa análise permitirá avaliar o desempenho da intervenção, a ocorrência de barreiras e facilitadores, bem como estimar seu impacto sobre a prática assistencial. Os resultados serão sistematizados em relatórios que subsidiarão tomadas de decisão, ajustes metodológicos e produção científica decorrente do projeto.

Carga Horária 10 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

A etapa de elaboração do relatório parcial consiste na sistematização e síntese dos resultados obtidos até o momento, incluindo a descrição das atividades realizadas, a análise preliminar dos dados coletados, o registro de barreiras e facilitadores identificados e as ações de ajuste implementadas. O documento terá caráter técnico-analítico, apresentando evidências que permitam avaliar o andamento da intervenção, o cumprimento das metas estabelecidas e o grau de aderência ao planejamento inicial. Além disso, o relatório parcial servirá como instrumento de transparência, prestação de contas e tomada de decisão, orientando o redirecionamento de estratégias e o planejamento das etapas subsequentes do projeto.

Carga Horária 40 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
Descrição da Atividade

Elaboração do relatório final