Visitante
Jiu Jitsu: Arte Marcial Nipo-Brasileira no Campus JK em Diamantina-MG.
Sobre a Ação
202203001549
032022 - Ações
Projeto
RECOMENDADA
:
EM ANDAMENTO - Normal
02/03/2026
07/12/2026
Dados do Coordenador
gilbert de oliveira santos
Caracterização da Ação
Ciências da Saúde
Educação
Cultura
Esporte e lazer
Local
Não
Não
Não
Dentro do campus
Noite
Não
Membros
O Jiu-Jitsu brasileiro é uma arte marcial que baseia-se em técnicas de movimento que objetivam controlar outra pessoa. Trata-se de uma prática de intenso contato físico que possibilita inúmeras trocas de experiências e o extravasamento de tensões e sensações que trazem benefícios físicos e mentais aos seus praticantes. Esse projeto visa manter e potencializar um espaço de saúde física e mental através da prática segura e competente do Jiu-Jitsu Brasileiro no contexto da extensão universitária.
Jiu-Jitsu Brasileiro; Saúde; Práticas de Movimento;
Uma das premissas contemporâneas é a necessidade de realizar atividade física para benefício da saúde física e mental, uma vez que o corpo já não é suficientemente ‘usado’ em muitas funções cotidianas, haja vista a quantidade de recursos tecnológicos que substituem o trabalho corporal e solapam o esforço físico e intelectual do ser humano. Além disso, o estilo de vida moderno potencializou o stress causado por ansiedade ou depressão, aumentando a possibilidade de vir ocorrer doenças ou desequilíbrios psicofísicos. Assim, é imprescindível a prática de movimentos para fins de conquista e melhoria da saúde, sendo esta relação uma das preocupações dos pesquisadores e estudiosos do corpo, suas técnicas e também dos profissionais que atuam junto a saúde da população humana. O Jiu-Jitsu Brasileiro é uma arte marcial de origem nipo-brasileira que possui como base o domínio e a movimentação do corpo no nível baixo de altura, além de manipular e dominar outra pessoa. Trata-se de uma técnica corporal muito eficaz do ponto de vista marcial e que também pode ser utilizada para outros fins, tais como saúde, lazer, socialização etc. Muitos estudos relatam à eficiência do Jiu-Jitsu no âmbito da saúde e, por isso, a técnica tem sido cada vez mais utilizada para fins de saúde e qualidade de vida (SILVA; SILVA; ESPÍNDOLA, 2015). Este projeto visa contribuir para concretização e ampliação de ações de extensão e pesquisa a respeito de técnicas corporais no contexto do Campus JK em Diamantina-MG, com fins de possibilitar uma prática corporal de prevenção e manutenção da saúde da comunidade acadêmica e membros externos da universidade. Para isto, prevê a ampliação de um espaço/tempo de realização de técnicas corporais no departamento de Educação Física da UFVJM, desenvolvendo ações de saúde e de educação em saúde e possibilitando aos estudantes envolvidos um espaço de integração entre a pesquisa acadêmica e a práxis profissional através do ensino das técnicas corporais do Jiu-Jitsu Brasileiro. Esse projeto é uma ação do Grupo de Pesquisa em Técnicas Corporais Artísticas, Marciais e Terapêuticas (CNPq/UFVJM) que desde 2016 vem fomentando apresentações de trabalhos acadêmicos, ações e projetos no âmbito das técnicas corporais no campus JK de Diamantina-MG. Além disso, conta com o apoio do Departamento de Educação Física da UFVJM, o que favorece não apenas a divulgação da proposta como também o acompanhamento das ações de ensino, pesquisa e extensão.
Evidências científicas comprovam que a prática de movimentos regular e bem orientada tem grande importância na melhora da qualidade de vida da população (COQUEIRO; NERY; CRUZ, 2006), podendo verificar essas relações com o sedentarismo, que é um fator de risco para doenças metabólicas, coronarianas e psicofísicas, e o estilo de vida ativo como prevenção, sendo estes uma grande preocupação mundial para a saúde pública (ACMS, 2003). O presente projeto contribui no âmbito da prevenção de males psicofísicos, pois fomenta a concretização de um espaço/tempo de estudo e prática de movimentos no campus JK em Diamantina-MG. Esse projeto visa desenvolver atividades no contexto do estudo, pesquisa e extensão e conta com um grupo de pessoas interessadas na prática do Jiu-Jitsu Brasileiro entre membros da comunidade de Diamantina e também da UFVJM. Se contemplado no edital Pibex 001/2026, o projeto poderá ampliar suas ações e também aprofundar mais na pesquisa e produção científica em técnicas corporais com vistas à saúde e qualidade de vida, além de possibilitar o aprofundamento na arte corporal do Jiu-Jitsu Brasileiro por aqueles que já estão integrando o projeto. A preservação da saúde está diretamente relacionada com o cuidado do corpo e com a prática regular de movimentos. O Jiu-Jitsu ancora-se em um pensamento que pressupõe a interdependência entre diferentes aspectos do humano, atuando de maneira conjunta tanto no nível físico como emocional, por isso, sua repercussão na conquista do equilíbrio psicofísico é tão eficiente (SILVA; SILVA; ESPÍNDOLA, 2015). O Jiu-Jitsu Brasileiro é uma arte marcial de raiz japonesa que se utiliza essencialmente de golpes de alavancas, torções e pressões para levar um oponente ao chão e dominá-lo. Literalmente, Jiu significa “suavidade”, “brandura”, e Jutsu “arte”, “técnica”. Daí a sua tradução por “arte suave”. Sua origem secular, como sucede com quase todas as artes marciais ancestrais, não pode ser apontada com precisão. Estilos de luta parecidos foram verificados em diversos povos, da Índia à China, em períodos remotos. O que se sabe é que seu ambiente de desenvolvimento e refinamento foram as escolas de samurais, a casta guerreira do Japão feudal. O Jiu-Jitsu pode ser praticado por qualquer pessoa em diferentes níveis de intensidade e também com diferentes objetivos, entretanto, dado a tonicidade e a cadência rítmica das técnicas de movimento, sua prática bem conduzida não promove o esgotamento físico, pelo contrário, uma prática consciente de seus gestos favorecerá a sensação de renovação e de vigor físico e frescor mental. Além disso, é próprio que no decorrer de sua execução, os movimentos sejam realizados com a mente tranquila, pois assim é possível conectar corpo, respiração e emoção, promovendo um efeito relaxante no pós prática. Esse esforço de concentrar-se nas técnicas e nos movimentos obriga o praticante a focar a atenção em si e no outro, o que contribui para que a prática torne-se uma ferramenta de cuidado de si e do outro. Este modo de entendimento nos ajuda a pensar que as práticas de movimento que visam promover um bom estado de saúde devem contribuir para que haja equilíbrio entre o preservar e o gastar, administrando o princípio de consumo e manutenção do vigor físico e mental (SANTOS, 2022). Muitas práticas de movimento de origem japonesa são terapêuticas e sua prática é desenvolvida por grande parte da população (não para efeitos estéticos, como ocorre no Brasil, mas para manter um bom estado de saúde). Durante séculos estas práticas marciais foram desenvolvidas e difundidas, apresentando na atualidade diversos tipos, cada qual com finalidades específicas. Nessas práticas, é preciso aprender a cair ou a se movimentar no chão combinando suavidade e firmeza (suavidade não significa ‘moleza’ e firmeza não significa ‘rigidez’) o que ocorre em artes corporais tais como o Jiu-Jitsu, o Judô ou o Aikido. Essas qualidades de movimento permitem que o praticante não se machuque ao realizar a prática e consiga mobilizar sua força interna e mental em conquista do equilíbrio e da saúde. Além disso, muitas técnicas corporais baseiam-se na mimetização dos animais. Nesse caso, o ato de imitar um animal amplia e estabelece um espaço do mover-se e do brincar, valendo-se da interpretação e das faculdades de imitação e imaginativas inerentes ao ser humano. Experimentando estas potencialidades do corpo, tomamos maior consciência de si, de nossa personalidade, pensamentos, sentimentos, possibilidades e limitações. Ao conquistar um conhecimento de si próprio, tornamo-nos mais seguros para trocar experiências com as pessoas e a realidade a nossa volta. Esse projeto procurará se adaptar às possibilidades através da interação dialógica e do reconhecimento dos limites e possibilidades que o grupo de participantes vir a apresentar, por isso, algumas estratégias do projeto estão estreitamente relacionadas com as demandas dos participantes. Neste sentido, o estabelecimento do horário entre o fim da tarde e o início da noite, para facilitar a participação de um maior contingente de pessoas, pois se trata do horário entre o período vespertino e noturno, no qual há maior circulação de indivíduos entre o campus JK e a cidade de Diamantina-MG. Portanto, um dos desafios a serem enfrentados pelo projeto, é estabelecer com o grupo de participantes um conjunto de ações que possa minimizar as dificuldades para uma efetiva participação e frequência nos encontros. Ensinar práticas de movimento é promover o desenvolvimento cultural de uma sociedade, é cultivar nos indivíduos o desejo de uma melhor qualidade de vida. Trata-se também de alinhar-se com o plano nacional de extensão (PNE) que propõe a extensão universitária como processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa, e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade. Este projeto, além de ser um espaço de integração entre a pesquisa e a extensão, entre a produção intelectual e a práxis profissional, também se alinha com as metas das políticas públicas em saúde e também com a política de extensão da UFVJM, uma vez que amplia e aprofunda a relação da UFVJM com a sociedade diamantinense, potencializando a transformação da realidade, no sentido da melhoria das condições de vida e fortalecimento da cidadania em Diamantina-MG. O projeto proporcionará aos acadêmicos envolvidos um espaço interdisciplinar de vinculação entre o ensino de técnicas corporais (fundamentais para um profissional de saúde) e também de experimentação do exercício profissionalizante, já que estarão aprendendo a desenvolver competências e habilidades típicas do trabalho docente e profissional em saúde, além de desenvolver habilidades científicas no lidar com a pesquisa em técnicas de movimento na promoção da saúde. Este projeto está vinculado ao Grupo de Pesquisa em Técnicas Corporais Artísticas, Marciais e Terapêuticas do Departamento de Educação Física (CNPq/UFVJM) e é uma continuidade de projetos anteriormente desenvolvidos através do apoio conquistado através de editais Pibex, tais como Chi Kung no programa saúde da família em Diamantina-MG; Metodologia de ensino de técnicas corporais marciais no programa saúde da família em Diamantina-MG e Técnicas Corporais Marciais na VEM (Vila Educacional das Meninas em Diamantina-MG).
Objetivo Geral: Ampliar, sistematizar e pesquisar ações e métodos de ensino do Jiu-Jitsu Brasileiro para concretizar um espaço/tempo de realização de prática de movimentos dentro do departamento de Educação Física da UFVJM, possibilitando um espaço de integração entre a pesquisa e a extensão universitária; Objetivos Específicos 1. Proporcionar a equipe de estudantes, o desenvolvimento de habilidades e competências para atuar no contexto do ensino do Jiu-Jitsu; 2. Veicular informações que visam à prevenção, a minimização dos riscos e à proteção da saúde, buscando a produção do autocuidado, sobretudo ao que tange a relação prática de movimentos/saúde; 3. Identificar participantes com potencial para o desenvolvimento do trabalho em práticas corporais e incentivá-los no estudo e na pesquisa do corpo e suas técnicas; 4. Possibilitar aos participantes, um espaço de estudo e reflexão a respeito do desenvolvimento de práticas de movimentos e suas imbricações com a saúde; 5. Proporcionar aos alunos a reflexão sobre a saúde, analisando os pressupostos teóricos estudados e sua prática, assumindo uma postura crítica aliada à competência técnica e compromisso político do seu papel na sociedade; 6. Ampliar a produção científica a respeito dos limites e possibilidades das técnicas corporais no âmbito da saúde; 7. Proporcionar aos participantes o estudo e o entendimento dos fundamentos que alicerçam os movimentos do Jiu-Jitsu Brasileiro, colaborando para que os mesmos possam assumir o gerenciamento de seus estudos e práticas corporais dentro dos princípios do Jiu-Jitsu e de uma melhora na saúde psicofísica;
Elaboração de (01) um artigo científico sobre a experiência extensionista e envio para publicação em periódico indexado; • Veiculações e divulgações do projeto via portal da UFVJM e na cidade de Diamantina-MG (Sempre no início do semestre letivo ou quando houver abertura de novas vagas); • Criação de material didático e vídeos sobre o projeto; • Criação de (01) um pôster sobre a experiência do projeto (objetivos, metodologia e resultados) a ser apresentado em eventos científicos realizados na UFVJM e, possivelmente, em outros congressos; • Vincular o projeto desenvolvido aos trabalhos de conclusão de curso (TCC) dos acadêmicos envolvidos no processo e também possibilitar um espaço de ensino, pesquisa e extensão para os acadêmicos que vierem a se interessar pelo estudo de técnicas corporais marciais e terapêuticas; • Proporcionar aos participantes o aprendizado das principais técnicas do Jiu-Jitsu Brasileiro e também a compreensão dos princípios básicos dessa arte marcial nipo-brasileira; • Concretizar a formação de um grupo de estudo e prática do Jiu-Jitsu Brasileiro na UFVJM. Almeja-se um grupo de 30 pessoas que poderão atingir indiretamente outras 60 através dos seus conhecimentos e técnicas; • Possibilitar um espaço que possa oferecer a comunidade de Diamantina-MG e região, a prática de movimentos corporais com fins de benefícios físicos, psicológicos e intelectuais;
Esse projeto conta com o apoio do Departamento de Educação Física da UFVJM e do Grupo de Pesquisa em Técnicas Corporais Artísticas, Marciais e Terapêuticas da UFVJM/CNPq. Trata-se de um projeto de extensão que não pressupõe acúmulo de informações generalizáveis advindos de métodos científicos aceitos. Portanto, mesmo sendo uma atividade que envolve seres humanos, não é o caso de submeter este projeto ao Comitê de Ética da Universidade. Entretanto, caso ocorra à necessidade de desenvolver atividades que necessitem da aprovação do Comitê de Ética, o mesmo será submetido para avaliação. Todos os participantes serão orientados a responder o PAR-Q (Physical Activity Readiness Questionnarie) que é um questionário de autoavaliação física com validade de (01) um ano, além de uma ficha de cadastro do projeto. As aulas serão ministradas por um exímio praticante de Jiu-Jitsu até que os estudantes envolvidos sintam-se aptos a realizar a regência das aulas. A turma será composta em média por 30 integrantes e as aulas durarão cerca de duas horas, duas vezes por semana. O programa de ensino desenvolvido na proposta será organizado a partir dos seguintes eixos norteadores organicamente interligados: • Preparação e harmonização psicofísica: Inicialmente, realiza-se um breve trabalho de preparação e harmonização psicofísica com a realização de movimentos que visam ampliar a mobilidade das articulações e desenvolver capacidades físicas tais como equilíbrio, resistência, flexibilidade e força, além do intuito de atuar sobre o estado de atenção e foco dos participantes. Por isso, além da observação dos detalhes anatômicos e biomecânicos do movimento, é imprescindível chamar a atenção dos participantes para a condição de foco e atenção em si e na técnica. • Chi kung: O Chi kung é uma técnica corporal de cultivo da saúde reconhecido e adotado dentro do sistema medicinal chinês e algumas técnicas remetem-se a mais de mil anos de existência (LAZZARI, 2009). Normalmente, o Chi kung é realizado em posturas de sustentação e sem muitos deslocamentos, o que facilita a sua execução, potencializa o foco e ajuda a preparar e fortalecer o corpo para exercícios físicos mais vigorosos. Trata-se, portanto, de uma ginástica de conscientização e de preparação física, ainda que em algumas técnicas, o componente marcial esteja visivelmente presente. No Chi kung, quando são realizados movimentos, eles ocorrem de forma contínua e lenta, combinando suavidade e firmeza, permitindo que o praticante não se machuque e consiga mobilizar sua disposição corporal. • Asanas: Os asanas do yoga são posturas psicofísicas que visam possibilitar maior consciência corporal, fortalecendo o corpo físico e sutil. O yoga é um dos seis sistemas ortodoxos da filosofia hindu. O termo deriva da raiz em sânscrito yuj que significa atar, reunir, ligar, focar e concentrar a atenção em algo. Os asanas potencializam qualidades físicas e possibilitam um funcionamento mais dinâmico do corpo, pois mobilizam grandes grupos musculares, além de promover o trabalho corporal em posições de equilíbrio, torção, flexão e extensão, utilizando todos os segmentos do corpo ou partes isoladas (IYENGAR, 2016). Muitos asanas ocorrem no solo, o que possibilita aprimorar o uso do corpo em situações próximas das técnicas marciais que são executadas no nível baixo de altura. Um asana que possui íntima relação com a arte marcial é a postura do guerreiro ou virabhadrasana. Trata-se de uma prática em que o olhar e os braços dirigem-se para cima, como se estivesse abraçando uma grande bola, os pés se afastam produzindo flexão no joelho e quadril da perna da frente, e realiza-se a extensão da perna de trás. A base ampla dos pés e a busca do equilíbrio na posição auxiliam no entendimento de como organizar uma postura marcial, que deve ser firme e possuir boa base de sustentação para realização de golpes e também para a defesa. • Transição de Níveis: Trata-se do domínio do corpo na transição segura e confortável dos níveis de altura. Da postura em pé para o solo e viceversa, desenvolvendo o uso correto das articulações para amortecer o corpo no chão ou elevar-se para a posição vertical com o menor esforço possível. O objetivo é transitar entre o nível alto e o nível baixo da maneira mais orgânica e confortável possível. Para isso, é importante que o praticante coordene o seu corpo de modo que cada movimento seja acompanhado pelo seguinte, numa sequência espiralar contínua. A tentativa é se aproximar das qualidades físicas e dinâmicas da esfera, que não possui pontas e nem ângulos, além de poder tangenciar ou rolar em outras superfícies de forma ininterrupta. Busca-se encontrar a organização corporal que possibilite o conforto na transição de níveis de altura, movendo-se do alto para o baixo e vice-versa. Após desenvolver esta organização em si, os praticantes podem executar a projeção ou ajudar o outro a vir para a posição vertical. Isso pode ser feito utilizando-se de ações corporais, tais como: empurrar, puxar ou deslocar a base de apoio do outro. É importante destacar que o objetivo não é impedir a projeção ou elevar-se o mais rapidamente possível, mas possibilitar que tanto a projeção como a elevação ocorram suavemente, e de modo organizado e controlado (FREITAS NETO; SANTOS, 2023). • Domínio do Corpo no Solo: Neste tópico, é preciso aprender a movimentar o corpo no chão harmonicamente. Exploram-se diferentes posições em decúbito dorsal ou ventral e a investigação das possibilidades articulares de movimento, desde o isolamento das articulações e suas possibilidades de ação até o uso de todo o corpo em movimento contínuo. Este processo é ampliado na medida em que os praticantes se familiarizam a posição e também ao princípio do deslocamento espiralar contínuo, que facilita o deslocamento e o conforto de movimento. A ideia é deslocar-se continuamente até a conquista do ritmo e da mobilidade que possibilite ao praticante movimentar-se da maneira mais espontânea possível no chão, podendo incorporar diferentes formas de giros e rolamentos durante a execução desta prática. Assim, ocorre uma espécie de pesquisa gestual com base nas capacidades individuais, afim de encontrar a maneira mais orgânica de se movimentar no nível baixo de altura. O domínio e o deslocamento do corpo no solo preparam o praticante para desenvolver as técnicas marciais no nível baixo, além de ampliar o repertório gestual e possibilitar maior conforto de movimento no chão (FREITAS NETO; SANTOS, 2023). • Técnicas Marciais no Solo: Explora-se a ideia de dominar o outro no solo através da contenção ou imobilização. Os praticantes podem investigar diferentes formas de inversão da posição superior e inferior na posição horizontal e o estudo do domínio das articulações. Nessa etapa, ocorre o estudo das técnicas marciais do Jiu-Jitsu e a conscientização da movimentação do corpo no chão sobre ou sob o outro, o que amplia o repertório gestual e ensina a trabalhar o corpo como uma unidade, pois o correto posicionamento irá facilitar a aplicação das técnicas e inibir o excessivo uso de força (FREITAS NETO; SANTOS, 2023). São exemplos de técnicas específicas no solo: Rolamentos; Queda; Guarda; Montada Frontal; Montada Lateral; Norte Sul; Raspagem; Chaves e Finalizações. • Jogo Marcial: Os princípios e aplicações marciais em associação num contexto de jogo. No entanto, o jogo não pode ser entendido apenas como uma etapa distinta das demais aqui apresentadas, pois ele pode ser uma ferramenta que perpassa todo o processo de ensino. A ludicidade no contexto marcial pode contribuir na experiência combativa do gesto, pois através do jogo, ritualiza-se o aspecto bélico inerente ao gesto marcial (HUIZINGA, 2010). O jogo potencializa a dimensão lúdica em detrimento da dimensão prática de preparação para o combate, pois “situa-se fora da sensatez da vida prática, nada tem a ver com a necessidade ou a utilidade, com o dever ou com a verdade” (HUIZINGA, 2010, p. 177). No Jiu-Jitsu Brasileiro, os jogos do tipo competitivo se fazem mais presentes, pois há a expectativa de um praticante triunfar sobre o outro pelo uso eficiente de técnicas marciais. Mas é possível transformar e direcionar esse desejo de sobrepujar o outro para uma brincadeira em que prevaleça muito mais o desenvolvimento das qualidades de movimento em interação com o companheiro do que a necessidade de vencer fisicamente o outro. O ensino por jogos marciais é mais significativo quando os mesmos são desenvolvidos intimamente relacionados aos aspectos estruturais da arte marcial, realizando alterações que visam potencializar o vetor lúdico, mas sem perder de vista por completo o vetor marcial (SANTOS, 2022). No caso do Jiu-Jitsu Brasileiro, tomaremos como referência quatro aspectos estruturais que serão utilizados para categorizar os jogos que serão utilizados: a pegada, a transição de nível, a movimentação no solo e a imobilização. Dessa forma, exalta-se o aspecto do prazer e da diversidade de movimentos, mas sem perder por completo as especificidades das técnicas marciais que compõem o Jiu-Jitsu Brasileiro. • Automassagem: Será utilizado a automassagem como técnica de estímulo e relaxamento corporal no início e no final das aulas. Serão empregadas técnicas de deslizamento suave das mãos sobre os membros ou as costas, compressão das mãos ou dedos na região do pescoço e orelhas, deslizamento com a palma das mãos no rosto, dedilhamento na cabeça e tapotagem no tronco e membros. A massagem quando é feita de forma rápida e leve é estimulante e quando é feita de forma lenta e firme é calmante. A massagem é uma técnica terapêutica que visa o relaxamento, alongamento e estímulo das estruturas corporais, de forma a estabelecer maior mobilidade e equilíbrio psicofísico, além de potencializar a consciência do corpo (CONTATORE; TESSER, 2010). As atividades serão desenvolvidas no Laboratório de Artes Marciais do Departamento de Educação Física da UFVJM que possui toda a infraestrutura necessária para o desenvolvimento das atividades, como piso de madeira flutuante, tatame, equipamento de som etc. O laboratório também possui alguns kimonos que poderão ser emprestados para os participantes mais assíduos e que possuem dificuldades financeiras para adquirir uma vestimenta própria para esta prática marcial. O estágio supervisionado do curso de Bacharelado em Educação Física ocorre nas dependências físicas do Departamento de Educação Física e também poderá se beneficiar das atividades do projeto através da participação do público que frequenta as atividades do estágio curricular. Além das sessões de prática de movimentos, também serão realizadas a apresentação teórica dos conceitos-chave da prática e será enviado por e-mail ou WhatsApp, material de estudo para que os participantes possam estudar a técnica e seus princípios em horários extras do projeto. Por fim, também é preciso apontar que será feita discussão preliminar com os participantes e apresentação dos objetivos e metas do projeto além de, em períodos determinados, análise e discussão do andamento do projeto junto com toda a equipe executora e também com os participantes. No Grupo de Pesquisa em Técnicas Corporais Artísticas, Marciais e Terapêuticas (CNPq/UFVJM) faremos avaliações a respeito do acompanhamento dos integrantes e do processo de desenvolvimento do projeto com o intuito de atender as dificuldades dos participantes e conduzir com mais qualidade o processo de ensino e aprendizagem do Jiu-Jitsu Brasileiro.
CONTATORE, Octávio Augusto; TESSER, Charles Dalcanale. Medicina tradicional chinesa/acupuntura. In: TESSER, Charles Dalcanale. (Org.). Medicinas complementares: o que é necessário saber (homeopatia e medicina tradicional chinesa/acupuntura). São Paulo: Editora UNESP, 2010. FREITAS NETO, Geraldo Ferreira; SANTOS, Gilbert de Oliveira. Aspectos físicotécnicos, espirituais e lúdicos no contexto do Jiu-Jitsu brasileiro. Arquivos em Movimento, v. 19, n. 01, p. 348-370, 2023. HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 2010. IYENGAR, Bellur Krishnamachar Sundararaja. Luz sobre o yoga: yoga dipika. São Paulo: Pensamento, 2016. LAZZARI, Fernando. Tai Chi Chuan: saúde e equilíbrio. Ribeirão Preto, SP: Editora e Gráfica São Gabriel Ltda, 2009. SANTOS, Gilbert de Oliveira. Artes Marciais: Temas para estudo, prática e reflexão. Curitiba: CRV, 2022.
O projeto oferece gratuitamente para o público interno e externo da UFVJM encontros de prática e estudo das técnicas marciais do Jiu-Jitsu brasileiro. Trata-se de trocar experiências e fortalecer a relação da Universidade com a sociedade, já que os estudantes terão a oportunidade de desenvolver técnicas e conhecimentos adquiridos no curso em ambiente prático de ensino e aprendizagem. Para o público externo, trata-se de estabelecer contato mais íntimo com a UFVJM e conhecer parte da dinâmica de ensino, pesquisa e extensão que a Universidade promove. Para isso, está previsto encontros de avaliação sistemática e contínua com os participantes.
A transversalidade disciplinar e interprofissional do Jiu-Jitsu pode ser explorada através da reflexão de temas que serão objetos de debate ao longo do período de execução. Por exemplo: como a saúde e os diferentes profissionais de saúde podem utilizar do Jiu-Jitsu como ferramenta de prevenção e promoção da saúde, ou como a educação e os diferentes profissionais de educação podem utilizar do Jiu-Jitsu como ferramenta de ensino e aprendizagem de valores éticos e sociais positivos. O projeto articula práticas e saberes oriundos de diferentes campos do conhecimento. O enfoque dado ao Jiu-Jitsu não se restringe a um único campo, mas transita entre o artístico, o pedagógico e o terapêutico. Essa abertura faz com que as práticas corporais sejam vivenciadas como experiências múltiplas, capazes de integrar criação, autoconhecimento e cuidado com o corpo. A interprofissionalidade é vivida na prática cotidiana do projeto, ao reunir sujeitos com diferentes formações e experiências em um mesmo espaço de prática. A convivência entre pessoas com formações e visões díspares possibilita trocas que enriquecem o olhar sobre o corpo e a saúde humana. Dessa forma, o projeto não apenas soma conhecimentos de áreas distintas, mas os integra, resultando em uma experiência coletiva que fortalece tanto a formação acadêmica quanto o desenvolvimento humano e social. A ideia é promover a interação entre áreas diferentes de forma que o processo e os resultados alcançados sejam amplos, complementares e integrados. O debate acerca do processo de incorporação das técnicas de JiuJitsu potencializa, valoriza e enriquece a formação individual e coletiva do grupo e do projeto. É importante destacar que os diferentes cursos da Universidade serão informados da existência do projeto através dos canais institucionalizados de vinculação e divulgação de informações.
A indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão se dá na relação do projeto com as diferentes disciplinas de diferentes cursos da Universidade e o incentivo e elaboração de projetos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso que abordem o Jiu-Jitsu Brasileiro e suas repercussões na saúde humana, educação, cultura, lazer etc. Na extensão, o projeto se materializa por meio de encontros semanais, gratuitos e abertos à comunidade de DiamantinaMG e região. Esses encontros reúnem um público diverso, como artistas, advogados, jovens estudantes, trabalhadores da Universidade e moradores locais. Dessa forma, a extensão se efetiva como espaço de acolhimento, acessibilidade e diálogo, aproximando a universidade da sociedade e promovendo trocas significativas. O eixo do ensino se manifesta ao possibilitar que os estudantes ampliem sua formação acadêmica a partir das práticas extensionistas. As atividades favorecem não apenas o aprendizado técnico e teórico sobre o Jiu-Jitsu Brasileiro, mas também o desenvolvimento de uma postura crítica e reflexiva diante do corpo, do movimento e da relação com a coletividade. Esse processo formativo tem reverberado em trabalhos de conclusão de curso (TCC) de acadêmicos do curso de Bacharelado em Educação Física, ou seja, o projeto se consolida como território de investigação acadêmica. A indissociabilidade se fortalece ainda mais pela socialização dos resultados em eventos acadêmicos da UFVJM. Esses momento possibilitara o compartilhamento das experiências e resultados junto à comunidade acadêmica, ampliando a visibilidade do projeto e reafirmando sua integração aos eixos que estruturam a missão universitária. Assim, o projeto evidencia que ensino, pesquisa e extensão não são dimensões isoladas, mas sim práticas complementares e interdependentes. O ensino se enriquece com as vivências extensionistas, a pesquisa se alimenta das práticas realizadas junto à comunidade e a extensão se fortalece ao incorporar a sistematização e a reflexão acadêmica.
Os estudantes integrantes do projeto estão se preparando para tornarem-se profissionais no âmbito da saúde ou da educação, portanto, o estudo e a prática do Jiu-Jitsu Brasileiro poderá colaborar direta e indiretamente nessa formação, seja na compreensão e incorporação de ferramentas de trabalho em saúde e educação, seja no âmbito do cuidado de si, promovendo a saúde e o bem estar físico e mental. O projeto contribui de maneira significativa para a formação acadêmica e profissional dos estudantes da UFVJM, especialmente aqueles dos cursos de Fisioterapia e Educação Física, já que são setores em que o corpo e o movimento são diretamente enfocados na sua prática profissional. A participação em atividades semanais, gratuitas e abertas à comunidade proporciona aos alunos uma experiência prática fundamentada nas técnicas marciais do Jiu-Jitsu Brasileiro. As práticas corporais desenvolvidas incentivam o autoconhecimento, a percepção dos próprios limites e a exploração de possibilidades de movimento em diálogo com o outro. Essa abordagem estimula a autonomia, a criatividade e a capacidade crítica dos estudantes, ao mesmo tempo em que aprofunda a compreensão do corpo, da saúde e dos processos de aprendizagem. Além do aprendizado prático, o projeto influencia diretamente as escolhas acadêmicas e profissionais dos estudantes, pois alguns deles optam por aprofundar na pesquisa do Jiu-Jitsu Brasileiro através dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Isso demonstra como a vivência no projeto articula a prática extensionista e a pesquisa acadêmica, consolidando a integração entre ensino e investigação científica. A formação dos estudantes também é enriquecida pela participação em eventos acadêmicos, como o SINTEGRA ou a Semana da Educação Física, nos quais pôsteres podem ser apresentados. Esses momentos ampliam competências em comunicação científica, capacidade de síntese e interação com a comunidade acadêmica, contribuindo para a formação integral e interdisciplinar. Em síntese, o projeto oferece uma experiência formativa que articula prática, reflexão e investigação científica, fortalecendo o desenvolvimento de habilidades técnicas, cognitivas e éticas, e preparando os estudantes para atuar de forma crítica e criativa.
Toda educação pode impactar a transformação social, uma vez que a educação pode fomentar uma formação humana e profissional mais qualificada e possibilitar melhores condições de vida. Seja pela ampliação do repertório intelectual fomentado no acesso ao conhecimento, seja por fornecer ferramentas de trabalho que podem vir a ser impactantes na atuação profissional. As atividades desenvolvidas têm a importância de conduzir um trabalho de troca de saberes entre a informação e a prática científica acadêmica. Ao mesmo tempo, como se trata de uma via dupla, o processo de construção das ações fica aberto ao diálogo, adotando estratégias e adaptações necessárias ao grupo e ao contexto. Dessa forma, ocorre uma construção mais horizontal, responsável e ativa entre as propostas e os caminhos adotados durante as atividades desenvolvidas. Nesse sentido, ocorre uma transformação contínua dos participantes. A prática do Jiu-Jitsu Brasileiro leva o estudo de dentro da sala de aula para a vida cotidiana, transformandose numa espécie de Filosofia Prática de vida. A busca pelo estudo da consciência corporal, autoconhecimento e a auto-pesquisa são premissas durante os encontros entre os participantes e isso tem um impacto direto sobre a vida do indivíduo envolvido, suas escolhas, aquisição de habilidades e potencial transformador.
https://www.instagram.com/jiujitsuufvjm/ para divulgação de ações e atividades do projeto. O Grupo de WhatsApp já existe e mantém a comunicação interna dos participantes em dia. Pretende-se também atingir novos participantes através dos meios de comunicação internos e externos da Universidade tais como a página de UFVJM ou programas de rádio locais que debatem o lazer e o esporte em Diamantina-MG.
Espera-se que a rede de participantes integrantes do projeto possam fomentar em diversos canais (institucionalizados ou não) as ações de comunicação do projeto.
Público-alvo
Estudantes de graduação e pós-graduação da UFVJM.
Funcionários da UFVJM
Docentes da UFVJM
Público externo da UFVJM atingidos direta e indiretamente pela ação.
Municípios Atendidos
Diamantina - MG
Parcerias
Nenhuma parceria inserida.
Cronograma de Atividades
Carga Horária Total: 175 h
- Noite;
Registro em imagens e vídeos das ações do projeto ao longo do ano de 2026.
- Manhã;
Planejamento e confecção de trabalhos acadêmico e científicos ao longo do ano de 2026
- Noite;
Planejamento e avaliação das ações do projeto ao longo do ano de 2026.
- Noite;
Formação continuada dos estudantes no ensino e na pesquisa com as técnicas de movimento.
- Noite;
Encontros de prática e estudo das técnicas do Jiu-Jitsu duas vezes por semana
- Noite;
Elaboração do Relatório Final de Atividades do Projeto.