Detalhes da ação

Dez Passos para a Vida: Estratégias de Redução da Mortalidade Materna na Atenção Primária

Sobre a Ação

Nº de Inscrição

202104000279

Tipo da Ação

Programa

Situação

RECOMENDADA :
EM ANDAMENTO - Normal

Data Inicio

01/01/2026

Data Fim

31/12/2026


Dados do Coordenador

Nome do Coordenador

juliana augusta dias

Caracterização da Ação

Área de Conhecimento

Ciências da Saúde

Área Temática Principal

Saúde

Área Temática Secundária

Educação

Linha de Extensão

Saúde Humana

Abrangência

Regional

Gera Propriedade Intelectual

Não

Envolve Recursos Financeiros

Não

Ação ocorrerá

Dentro e Fora do campus

Período das Atividades

Integral

Atividades nos Fins de Semana

Sim


Redes Sociais

@vidanovale2024

Membros

Nenhum membro cadastrado.

Resumo

A mortalidade materna permanece elevada no Brasil, sobretudo em regiões vulneráveis como o Vale do Jequitinhonha. Este projeto de extensão propõe a implementação dos “10 Passos para a Redução da Mortalidade Materna” nas Unidades Básicas de Saúde de Diamantina-MG, por meio de ações educativas mensais, capacitação das equipes e uso de protocolos baseados em evidências, fortalecendo a Atenção Primária e a articulação da rede de cuidado.


Palavras-chave

Mortalidade materna; Atenção Primária à Saúde; Saúde da mulher; Educação em saúde; Qualificação profissional; Rede de atenção à saúde.


Introdução

A mortalidade materna continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil, evidenciando falhas nos sistemas de cuidado obstétrico e nas políticas públicas voltadas à saúde da mulher. (Sá, 2021) Segundo dados do Ministério da Saúde de 2024, a mortalidade materna foi de 50,57 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos - número que se mantém acima da meta estabelecida pelo país para 2030, que é de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos. (MS, 2025) (Raina et al., 2023) No cenário nacional, as principais causas de mortalidade materna são hemorragia pós-parto, síndromes hipertensivas e sepse, condições potencialmente evitáveis com o adequado acompanhamento pré-natal, identificação precoce de fatores de risco e resposta oportuna da rede de atenção. (Tenorio et al., 2022) Apesar da grande visibilidade conferida aos serviços de alta complexidade, é na organização da linha de cuidado e na articulação entre os níveis de atenção que está a chave para a redução efetiva da mortalidade materna. (Pacagnella et al., 2018) A maior parte das mulheres realiza seu acompanhamento nas unidades básicas de saúde. Dessa forma, a APS constitui-se como ponto estratégico na linha de cuidado obstétrica, sendo responsável por ações de acolhimento, triagem, prevenção, detecção precoce de agravos, educação em saúde e encaminhamento oportuno, quando necessário. (Leal et al., 2020) (Silva et al., 2019) No entanto, para que esse nível de atenção desempenhe seu papel com efetividade, é imprescindível investir na qualificação contínua das equipes, no fortalecimento das práticas baseadas em evidências e na articulação eficiente entre os diversos níveis de atenção à saúde.(Buljac-Samardzic; Doekhie; Van Wijngaarden, 2020) Estabelecer a padronização de condutas e no fortalecimento dos vínculos com as gestantes é essencial para garantir um cuidado integral, seguro e humanizado.(Afulani; Moyer, 2019) O município de Diamantina, localizado no Vale do Jequitinhonha (MG), destaca-se como centro de referência regional em saúde materna, recebendo gestantes de diversos municípios do entorno. Ao mesmo tempo, apresenta características socioeconômicas desafiadoras, com índice de desenvolvimento humano (IDH) abaixo da média nacional, além de alta vulnerabilidade social e barreiras de acesso à atenção especializada (IBGE, 2025). Essas particularidades tornam Diamantina um território estratégico para a implementação de ações inovadoras na atenção primária, capazes de gerar impacto real na redução da mortalidade materna. Neste contexto, o presente projeto de extensão propõe-se a implementar junto às Unidades Básicas de Saúde de Diamantina os “10 Passos para a Redução da Mortalidade Materna”, conforme orientações do Ministério da Saúde. A proposta articula ações educativas, formativas e organizacionais voltadas à melhoria do cuidado pré-natal, identificação precoce de riscos obstétricos e qualificação das condutas diante de agravos como hipertensão, sepse e hemorragia. Trata-se de uma proposta piloto, com duração de 10 meses, contemplando um passo por mês, e que poderá posteriormente ser replicada em outros municípios do Vale do Jequitinhonha e do estado de Minas Gerais. Além disso, destaca-se que o enfrentamento da mortalidade materna exige o compromisso intersetorial e a construção de redes colaborativas que envolvam desde a atenção primária até a atenção hospitalar, com foco em um cuidado centrado na mulher. Projetos como este têm o potencial de mobilizar saberes, fortalecer vínculos entre universidade e comunidade e contribuir para uma transformação concreta da realidade assistencial local.


Justificativa

A mortalidade materna permanece como um dos mais relevantes indicadores de iniquidade e fragilidade dos sistemas de saúde, sendo um desafio persistente no Brasil, sobretudo em regiões historicamente marcadas por vulnerabilidades sociais, econômicas e de acesso aos serviços, como o Vale do Jequitinhonha. Embora avanços tenham sido alcançados por meio de políticas públicas e estratégias nacionais de qualificação da assistência obstétrica, ainda se observa um número expressivo de mortes maternas evitáveis, majoritariamente associadas a causas preveníveis como hemorragias, síndromes hipertensivas e infecções. Grande parte dessas mortes está relacionada a falhas na atenção básica, seja pela insuficiente identificação precoce de sinais de risco, inadequação das condutas clínicas, ausência de protocolos padronizados, ou pela desarticulação entre os diferentes níveis de atenção. Considerando que a atenção primária é a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e o principal espaço de vínculo longitudinal com as gestantes, torna-se imprescindível seu fortalecimento como eixo estruturante das ações de cuidado materno. Diante desse cenário, este projeto se justifica pela urgência de investir na qualificação contínua das equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS), por meio da capacitação e sensibilização sobre os 10 passos prioritários recomendados pelo Ministério da Saúde para a redução da mortalidade materna. A proposta busca não apenas instrumentalizar tecnicamente os profissionais, mas também fomentar uma cultura de cuidado centrado na mulher, integral, resolutivo e articulado em rede. Ao desenvolver este projeto em Diamantina — município polo do Alto Jequitinhonha, que concentra serviços de referência para toda a região — pretende-se criar um modelo piloto de intervenção local que poderá ser replicado em outros municípios do território. Essa abordagem territorializada e com base em evidências fortalece a capilarização das estratégias de enfrentamento da mortalidade materna, promovendo o compromisso ético, institucional e comunitário com a vida das mulheres.


Objetivos

Geral: Reduzir os riscos maternos por meio da qualificação das equipes de saúde da atenção primária à saúde de Diamantina-MG, promovendo a aplicação sistemática dos 10 passos essenciais para a redução da mortalidade materna. Específicos: • Implementar mensalmente uma ação educativa para discussão e aplicação de um dos 10 passos estratégicos; • Estimular o uso de protocolos clínicos e fluxos assistenciais atualizados; • Reforçar práticas de educação em saúde com gestantes nas UBS; • Fortalecer a integração entre ensino e serviço na saúde materna.


Metas

1- Capacitar profissionais das Unidades Básicas de Saúde de Diamantina-MG sobre os 10 passos prioritários para a redução da mortalidade materna, por meio de 10 ações educativas mensais. 2- Implementar protocolos clínicos, fluxos assistenciais e checklists de risco materno nas UBS participantes, favorecendo a padronização das condutas na atenção pré-natal. 3- Fortalecer a identificação precoce de riscos obstétricos na Atenção Primária, com foco em síndromes hipertensivas, hemorragias e sepse. 4- Estimular práticas de educação em saúde voltadas às gestantes, promovendo o cuidado integral, humanizado e centrado na mulher. Promover a integração ensino-serviço, envolvendo docentes, discentes e profissionais da rede de saúde nas ações do projeto. 5- Avaliar de forma participativa o impacto das ações junto às equipes das UBS ao final de cada etapa, identificando avanços e oportunidades de melhoria.


Metodologia

O projeto será desenvolvido em 10 meses, com ações mensais focadas em cada um dos 10 passos. As atividades ocorrerão por meio de: • Oficinas presenciais e online com as equipes das UBS; • Materiais de apoio ilustrados (folders, fluxogramas, cards digitais); • Rondas clínicas e rodas de conversa nas UBS; • Aplicação de checklists assistenciais e planos de cuidado; • Avaliação participativa com as equipes ao final de cada módulo. Distribuição mensal: METODOLOGIA – MÊS 1 Tema: Garanta encontros de qualidade, centrados nas necessidades de cada mulher, durante todos os contatos com os serviços de saúde. Objetivo Geral do Mês: Qualificar as equipes das UBS para garantir um pré-natal mais humanizado, individualizado, baseado em escuta ativa e promoção da saúde integral da gestante, respeitando suas necessidades, seus direitos e suas singularidades. Estratégias e Ações: ✅ 1. Oficina de Sensibilização e Acolhimento Humanizado (Presencial ou Virtual) • Dinâmica inicial: “Quem é essa mulher que chega à UBS?” – roda de conversa com os profissionais sobre os perfis das gestantes atendidas no território. • Discussão sobre escuta qualificada, acolhimento, vínculo e o papel estratégico da consulta de pré-natal como espaço de cuidado ampliado. • Apresentação de boas práticas de comunicação e estratégias para identificação de demandas individuais (clínicas, sociais, emocionais e culturais). ✅ 2. Capacitação teórica: “Pré-natal de qualidade começa com conhecimento atualizado” • Realização de uma aula expositiva e dialogada com os profissionais da APS abordando os principais fundamentos da assistência pré-natal, com base nos manuais do Ministério da Saúde. A capacitação incluirá: o Avaliação clínica completa e identificação precoce de fatores de risco; encaminhamentos adequados para o pré-natal de alto risco, quando necessário o Atualização sobre o calendário de exames e vacinas obrigatórios; o Suplementação o Promoção do vínculo e início do diálogo sobre o plano de parto e o direito à escolha informada. Será disponibilizado material de apoio. ✅ 3. Apoio clínico presencial com equipe técnica itinerante: “Juntos no Pré-natal” • Realização de visitas técnicas agendadas nas UBS por por médico(a) e/ou enfermeiro(a) capacitados do Projeto Vida no Vale; • A atuação será prática e educativa, com acompanhamento lado a lado dos atendimentos realizados pelos profissionais da unidade, com foco em: • Avaliação clínica da gestante e preenchimento correto do cartão da gestante; • Discussão de condutas frente a exames alterados e critérios de risco; • Reforço sobre calendário vacinal, exames laboratoriais; • Abordagem humanizada e escuta ativa nas consultas; • Manejo inicial das intercorrências mais comuns (infecção urinária, anemia, hipertensão, sífilis, entre outros); • Orientações sobre educação em saúde, plano de parto e vínculo com a maternidade de referência. ✅ 4. Implantação de Ficha de Elaboração Conjunta do Plano de Parto • Apresentação de um modelo simples de Plano de Parto para ser discutido e preenchido gradualmente com a gestante. • Orientação sobre como retomar esse plano em consultas subsequentes e ajustá-lo conforme evolução gestacional. ✅ 5. Monitoramento e Avaliação das Ações do Mês • Aplicação de checklist de boas práticas em consultas de pré-natal com base nas ações propostas. • Reunião ao final do mês para avaliação das dificuldades, boas práticas identificadas e pactuação dos próximos passos. METODOLOGIA – MÊS 2/3 Tema: Institua ações de profilaxia e identificação das síndromes hipertensivas durante o pré-natal. Objetivo Geral do Mês: Capacitar as equipes das UBS para realizar ações preventivas, diagnósticas e assistenciais relacionadas às síndromes hipertensivas da gestação, com ênfase na identificação precoce, início oportuno de profilaxias, e condução adequada de casos suspeitos ou confirmados. Estratégias e Ações: ✅ 1. Roda de Capacitação Técnica: "O que toda UBS precisa saber sobre a pré-eclâmpsia" • Aula interativa sobre: o Fisiopatologia das síndromes hipertensivas na gravidez; o Fatores de risco e identificação precoce; o Diretrizes atualizadas do Ministério da Saúde e da FEBRASGO para manejo na Atenção Primária. • Discussão de casos clínicos simulados para fixar o raciocínio clínico. ✅ 2. Protocolo Simplificado: "Quem deve usar AAS e cálcio?" (entregue impresso às UBS) • Desenvolvimento de folder educativo com os principais critérios clínicos para indicação de AAS 100 mg/dia a partir de 12 semanas; • Recomendação clara para início de cálcio 1g/dia já na primeira consulta, com foco na universalização da medida, dada a segurança, eficácia e baixa adesão nacional. ✅ 3. Cartão para acompanhamento da PA • Desenvolvimento de cartão para acompanhamento da PA: o Registro do início da profilaxia com AAS e cálcio; o Pressões arteriais em cada consulta; o Check de presença/ausência de edema, cefaleia, epigastralgia ou escotomas. o Avaliação da necessidade de encaminhamento. ✅ 4. Oficina Prática: "Aferição Correta da Pressão Arterial na Gestação" • Treinamento com simulação realística para enfermeiros, técnicos e médicos: o Escolha do manguito adequado, posição correta da gestante, tempo de repouso prévio, leitura precisa dos valores. o Discussão sobre fatores que interferem nos resultados (falar durante a aferição, manguito inadequado, braços em posição errada, etc). • Aplicação de checklist padronizado com base em diretrizes do Ministério da Saúde. • Avaliação prática ao final da capacitação ✅ 5. Encaminhamento Seguro de Gestantes com Hipertensão: Reconhecimento, Conduta e Referência na APS • Oficina Presencial "Decisão Rápida e Segura": 1. Identificar sinais de alerta e gravidade em gestantes hipertensas; 2. Estabelecer critérios objetivos para o encaminhamento imediato; 3. Orientar sobre a organização do fluxo de referência conforme grau de risco. ✅ 7. Monitoramento e Avaliação das Ações do Mês • Aplicação de checklist das práticas realizadas com base nas ações propostas. • Reunião ao final do mês para avaliação das dificuldades, boas práticas identificadas e pactuação dos próximos passos. METODOLOGIA – MÊS 4 Tema: Realize triagem oportuna de infecções do trato geniturinário durante o pré-natal Objetivos do Mês: 1. Fortalecer a conduta padronizada para solicitação de urocultura e antibiograma na primeira consulta de pré-natal e no terceiro trimestre; 2. Capacitar as equipes das UBS para o diagnóstico, tratamento e controle de cura da bacteriúria assintomática e das infecções urinárias sintomáticas na gestação; 3. Reforçar a avaliação criteriosa de corrimento vaginal durante o pré-natal, com foco no diagnóstico diferencial de vaginose bacteriana, tricomoníase e candidíase recorrente; 4. Sistematizar o registro e seguimento dos casos tratados, garantindo avaliação pós-terapêutica. Estratégias e Ações Propostas: ✅ 1. Capacitação teórico-prática: "Infecções geniturinárias na gestação: o que não pode passar despercebido?" • Encontro com foco em: o Importância da triagem precoce de ITUs e infecções vaginais no risco de parto prematuro e baixo peso; o Diretrizes atualizadas sobre conduta para bacteriúria assintomática, cistite e pielonefrite na gestação; o Classificação clínica de corrimentos vaginais: quando tratar, como coletar e interpretar o exame; o Uso racional de antibióticos: escolha segura para cada trimestre gestacional; o Abordagem diferenciada para pacientes com recorrência ou persistência de sintomas. ✅ 2. Monitoramento dos indicadores locais: • Acompanhamento mensal dos seguintes dados: o Resultado de uroculturas solicitadas por UBS; o Porcentagem de pacientes com controle de cura após tratamento; o Casos de infecção urinária com complicação (ex: pielonefrite ou internação). ✅ 3. Envolvimento da gestante no processo educativo: • Material educativo em linguagem acessível: o Cartaz para sala de espera sobre infecções na gestação o Folder orientativo sobre higiene íntima, ingestão hídrica e sinais de alerta; o Incentivo à adesão ao tratamento e retorno pós-terapêutico. ✅ 4. Monitoramento e Avaliação das Ações do Mês • Aplicação de checklist das práticas realizadas com base nas ações propostas. • Reunião ao final do mês para avaliação das dificuldades, boas práticas identificadas e pactuação dos próximos passos. METODOLOGIA – MÊS 5 Tema: Identifique precocemente sinais de gravidade clínica materna e garanta tratamento oportuno Objetivos 1. Capacitar as equipes das UBS para reconhecer precocemente sinais de alerta clínico durante a gestação e puerpério; 2. Introduzir e treinar o uso do escore de gravidade obstétrica MEOWS (Modified Early Obstetric Warning System); 3. Estabelecer protocolos claros de conduta e encaminhamento para casos suspeitos de complicações graves; 4. Garantir ações rápidas e seguras para estabilização inicial da gestante antes da transferência, quando necessário. Estratégias e Ações Propostas: ✅ 1. Oficina de capacitação: "Sinais de alerta na gestação: o que sua UBS precisa reconhecer imediatamente" • Encontro com enfoque prático nos principais parâmetros clínicos alterados que exigem atenção imediata: o Frequência respiratória > 22 irpm; o PA sistólica ≥ 160 mmHg e/ou diastólica ≥ 110 mmHg; o Hipotensão (PAS < 90 mmHg e PAD < 60 mmHg); o FC > 120 bpm ou < 50 bpm; o Temperatura > 37,8°C; o SatO₂ < 95%; o Confusão mental e sangramento genital. ✅ 2. Implementação do protocolo MEOWS adaptado às UBS • Treinamento das equipes no preenchimento e interpretação do escore MEOWS para vigilância de pacientes: o Fichas físicas disponíveis nas unidades; o Análise de casos fictícios com preenchimento em grupo; o Discussão sobre pontuação crítica e medidas imediatas. ✅ 3. Criação de protocolo simplificado de condutas frente a sinais de gravidade • Desenvolvimento de cartão-resumo de bolso com as seguintes orientações: o Quadro de sinais clínicos críticos; o Condutas de estabilização (hidratação, oxigenoterapia, medicações básicas); o Fluxo de encaminhamento para maternidade de referência; o Telefones úteis da regulação e transporte. ✅ 4. Materiais de apoio para gestantes e familiares: • Cartaz informativo: “Gestante, atenção aos sinais de alerta!” • Folder: “Quando devo procurar ajuda imediatamente?” • Roda de conversa com gestantes, conduzida por enfermeiras e médicas, para explicar os sinais de urgência e incentivar a procura precoce de atendimento. ✅ 5. Monitoramento e Avaliação das Ações do Mês • Aplicação de checklist das práticas realizadas com base nas ações propostas. • Reunião ao final do mês para avaliação das dificuldades, boas práticas identificadas e pactuação dos próximos passos. METODOLOGIA – MÊS 6/7 Tema: Pronto reconhecimento e condução qualificada das urgências e emergências obstétricas na Atenção Primária à Saúde (APS) Objetivos: 1. Oferecer treinamento regular e contínuo às equipes de saúde da APS para o manejo inicial de situações obstétricas graves; 2. Fortalecer o papel das UBS na estabilização e referenciamento oportuno de gestantes em risco; 3. Desenvolver habilidades específicas para lidar com quadros de baixa frequência, porém alto risco, como hemorragia pós-parto, pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia, sepse e parada cardiorrespiratória; 4. Estabelecer uma cultura de educação permanente voltada à segurança da paciente obstétrica. Estratégias e Ações Propostas: ✅ 1. Ação sistemática: “Todo contato importa – rastreio e tratamento da anemia” • Rotina obrigatória de avaliação de sinais clínicos de anemia em TODAS as consultas de pré-natal: o Solicitação de hemograma conforme protocolo; o Prescrição adequada de suplementação de ferro, ácido fólico e orientações nutricionais; o Investigação ativa de causas secundárias em casos de anemia persistente. o Estratificação de risco para sangramento ainda no pré-natal (gemelaridade, acretismo, anemia grave, cesáreas anteriores etc.); o Identificação de inserção placentária anômala via laudos de USG ✅ 2. Minicurso teórico-prático: “Urgências obstétricas na APS: o que você precisa saber e fazer” • Aulas presenciais ou virtuais curtas, em módulos, com linguagem acessível e foco nas condutas imediatas: Pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia: reconhecimento clínico e uso correto do sulfato de magnésio; Hemorragia pós-parto na UBS: manejo inicial com uterotônicos disponíveis; Sepse materna: sinais de alerta, antibiótico empírico e hidratação inicial; Parada cardiorrespiratória: abordagem inicial até chegada do suporte avançado ✅ 2. Oficinas práticas com simulação simplificada (“APS que salva vidas”) • Encontros práticos com rotação de equipes para simulações com recursos realistas: o Uso correto do sulfato de magnésio, ocitocina e misoprostol na UBS; o Montagem rápida de kit de emergência obstétrica; o Simulação de eclâmpsia/HPP na UBS o Dinâmicas rápidas de reconhecimento e conduta em cenários clínicos graves. ✅ 3. Kit de emergência obstétrica padronizado para UBS • Organização e padronização de um kit mínimo em cada unidade: o Checagem mensal de validade e quantidade dos insumos; o Inclusão de medicações como ocitocina, sulfato de magnésio e soro; o Modelo visual de organização do kit para facilitar o uso em situações de estresse.


Referências Bibliográficas

AFULANI, Patience A.; MOYER, Cheryl A. Accountability for respectful maternity care. The Lancet, v. 394, n. 10210, p. 1692–1693, nov. 2019. BULJAC-SAMARDZIC, Martina; DOEKHIE, Kirti D.; VAN WIJNGAARDEN, Jeroen D. H. Interventions to improve team effectiveness within health care: a systematic review of the past decade. Human Resources for Health, v. 18, n. 1, dez. 2020. LEAL, Maria Do Carmo et al. Prenatal care in the Brazilian public health services. Revista de Saúde Pública, v. 54, p. 8, 21 jan. 2020. PACAGNELLA, Rodolfo Carvalho et al. Maternal Mortality in Brazil: Proposals and Strategies for its Reduction. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia / RBGO Gynecology and Obstetrics, v. 40, n. 09, p. 501–506, set. 2018. RAINA, Neena et al. Progress in achieving SDG targets for mortality reduction among mothers, newborns, and children in the WHO South-East Asia Region. The Lancet Regional Health - Southeast Asia, v. 18, p. 100307, nov. 2023. SÁ, Marcos Felipe Silva De. Maternal Mortality and the Public Health Service in Brazil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia / RBGO Gynecology and Obstetrics, v. 43, n. 09, p. 645–647, set. 2021. SILVA, Esther Pereira Da et al. Prenatal evaluation in primary care in Northeast Brazil. Revista de Saúde Pública, v. 53, p. 43, 16 maio 2019. TENORIO, Damiao Soares et al. High maternal mortality rates in Brazil: Inequalities and the struggle for justice. The Lancet Regional Health - Americas, v. 14, p. 100343, out. 2022. IBGE. Cidades@ - Diamantina (MG). 2022. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br


Interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade

A interação dialógica é um princípio da extensão universitária que pressupõe que universidade e sociedade aprendem juntas, em um processo de mão dupla. Não se trata apenas de transmitir conhecimento científico da academia para os serviços de saúde e a comunidade, mas de reconhecer, valorizar e integrar os saberes locais, culturais e práticos das mulheres, famílias e profissionais do SUS na construção das soluções. No contexto deste projeto, essa interação acontece de várias formas: • Nas oficinas e capacitações, em que professores e estudantes compartilham protocolos atualizados, enquanto os profissionais da APS trazem suas experiências reais, limitações estruturais e estratégias de cuidado já desenvolvidas no território. Esse diálogo enriquece ambos os lados, pois permite adaptar a ciência à realidade local. • Nas rodas de conversa com gestantes e familiares, em que a comunidade expressa suas necessidades, medos e expectativas em relação ao parto e puerpério. Esses relatos não são apenas ouvidos, mas incorporados ao planejamento das ações educativas e organizacionais, promovendo um cuidado mais humanizado. • Na vivência dos estudantes, que se inserem no cotidiano das UBS e aprendem com as práticas concretas dos profissionais e com a realidade social das usuárias, ampliando sua formação técnica, ética e cidadã. Assim, a comunidade acadêmica contribui com ferramentas científicas, metodológicas e pedagógicas, enquanto a sociedade local oferece sua experiência prática e seus saberes. Essa construção conjunta gera resultados mais efetivos, pois o conhecimento produzido não é abstrato, mas enraizado na realidade do Vale do Jequitinhonha. Dessa forma, o projeto não apenas transfere conhecimento, mas promove uma transformação social concreta, fortalecendo a rede de atenção materna e reafirmando o compromisso da universidade em dialogar, aprender e agir junto à sociedade para reduzir a mortalidade materna.


Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade

A mortalidade materna é um problema complexo e multifatorial, que não pode ser enfrentado de forma isolada por uma única categoria profissional. Nesse sentido, o projeto fundamenta-se na interdisciplinaridade e na interprofissionalidade, articulando diferentes áreas do conhecimento acadêmico e saberes práticos do SUS para construir respostas mais completas e resolutivas. • Interdisciplinaridade: envolve a integração de diferentes campos acadêmicos, como Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Serviço Social e Ciências da Educação. Cada disciplina contribui com perspectivas específicas — clínicas, pedagógicas, sociais e comunitárias — que, somadas, permitem compreender a gestação e o parto de maneira ampliada. Essa convergência gera um olhar integral para as mulheres e famílias, respeitando suas necessidades biológicas, psicológicas e sociais. • Interprofissionalidade: refere-se ao trabalho conjunto e colaborativo entre as diversas categorias que compõem a Atenção Primária à Saúde e a rede de cuidados — médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários, assistentes sociais, psicólogos e profissionais do pré-hospitalar e hospitalar. O projeto estimula a construção de planos de cuidado compartilhados, fluxos de referência pactuados e práticas colaborativas no dia a dia, onde cada profissional reconhece tanto seu papel quanto o papel do outro, fortalecendo a rede assistencial. Assim, a interdisciplinaridade garante a integração de saberes acadêmicos e a interprofissionalidade assegura a articulação das práticas de cuidado. Juntas, elas favorecem um modelo de atenção mais integral, humanizado e eficiente, condição essencial para reduzir a mortalidade materna em territórios vulneráveis como o Vale do Jequitinhonha.


Indissociabilidade Ensino – Pesquisa – Extensão

Este projeto está estruturado sobre o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, que garante que a universidade cumpra seu papel social de forma integral. • Ensino: os estudantes participam ativamente das atividades do projeto (oficinas, rodas de conversa, acompanhamento em UBS), vivenciando na prática os desafios da atenção obstétrica em territórios vulneráveis. Isso possibilita a formação crítica, técnica e cidadã, em sintonia com a realidade do SUS e com as necessidades da comunidade. • Pesquisa: as ações do projeto geram dados e reflexões sobre os principais problemas enfrentados pelas equipes e pelas gestantes no Vale do Jequitinhonha. Esses registros possibilitam análises qualitativas e quantitativas, favorecendo a produção de conhecimento científico e subsidiando artigos, trabalhos de conclusão de curso e relatórios técnicos que fortalecem a rede de atenção à saúde materna. • Extensão: é o eixo articulador, no qual o conhecimento acadêmico se encontra com os saberes locais por meio de oficinas, capacitações, materiais educativos e rodas de diálogo. A extensão garante que a universidade esteja presente no território, promovendo transformação social concreta, ao mesmo tempo em que aprende com a realidade das equipes e das gestantes. Assim, ensino, pesquisa e extensão não aparecem de forma fragmentada, mas se retroalimentam continuamente: o ensino qualifica estudantes e profissionais, a pesquisa sistematiza e analisa os resultados, e a extensão devolve à comunidade intervenções efetivas, consolidando a universidade como parceira ativa na redução da mortalidade materna.


Impacto na Formação do Estudante: Caracterização da participação dos graduandos na ação para sua formação acadêmica

A participação dos estudantes neste projeto de extensão representa uma oportunidade ímpar de aprendizagem significativa, pois permite vivenciar a realidade concreta dos serviços de saúde e compreender os desafios do cuidado materno em territórios de alta vulnerabilidade social, como o Vale do Jequitinhonha. Ao acompanhar de perto o trabalho das equipes de atenção primária, os discentes desenvolvem habilidades clínicas e comunicacionais, aprendem a utilizar protocolos atualizados, fortalecem a capacidade de tomada de decisão e ampliam a visão crítica sobre os determinantes sociais da saúde. O projeto também favorece a formação ética e cidadã, ao estimular a empatia, a escuta qualificada e o compromisso com a redução das desigualdades. A experiência extensionista aproxima os estudantes da realidade do SUS, reforçando o senso de corresponsabilidade social e consolidando competências para o trabalho interprofissional e interdisciplinar. Além disso, possibilita a produção de conhecimento científico a partir da vivência prática, integrando ensino, pesquisa e extensão. Dessa forma, o impacto na formação do estudante vai além da aquisição de habilidades técnicas: promove uma formação mais integral, crítica e humanista, alinhada às necessidades da sociedade e aos princípios do sistema de saúde público brasileiro.


Impacto e Transformação Social

Este projeto configura-se como uma iniciativa pioneira no enfrentamento da mortalidade materna a partir da Atenção Primária à Saúde (APS), rompendo com a lógica predominante de priorização do atendimento terciário e hospitalar. Ao reconhecer que grande parte das mortes maternas evitáveis está relacionada a falhas na linha de cuidado em toda a rede de atenção — como a identificação precoce de riscos, a condução adequada do pré-natal, o manejo oportuno de agravos e a articulação eficiente com os serviços de referência — o projeto reposiciona a APS como eixo estratégico da prevenção. Seu impacto social reside na qualificação contínua das equipes locais, no fortalecimento dos vínculos entre gestantes e UBS e na disseminação de protocolos assistenciais padronizados e humanizados, capazes de reduzir agravos comuns como hemorragias, síndromes hipertensivas e infecções. Ao aproximar a universidade da comunidade, promove também o empoderamento das mulheres, garantindo informação, protagonismo e maior segurança no ciclo gravídico-puerperal. A transformação se expressa na redução real de barreiras de acesso, na ampliação da resolutividade da rede básica e na construção de um modelo de cuidado inovador, que pode servir de referência para outros municípios do Vale do Jequitinhonha e do estado de Minas Gerais. Assim, este projeto não apenas combate a mortalidade materna, mas inaugura uma nova perspectiva de cuidado obstétrico centrado na mulher, integral e territorializado, consolidando a universidade como parceira ativa na transformação social.


Divulgação

REDES SOCIAIS VINCULADAS AO PROJETO


Público-alvo

Descrição

TODOS OS PROFISSIONAIS QUE ATENDEM HOJE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA DO MUNICÍPIO DE DIAMANTINA

Municípios Atendidos

Município

Diamantina - MG

Parcerias

Nenhuma parceria inserida.

Cronograma de Atividades

Carga Horária Total: 200 h

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Oficina de sensibilização (acolhimento, escuta qualificada, vínculo). Aula teórico-dialogada (pré-natal MS: riscos, exames/vacinas, suplementação, plano de parto). Visitas técnicas/ronda clínica “Juntos no Pré-natal” (apoio prático). Implantação do modelo de Plano de Parto na UBS. Checklist + reunião de avaliação do mês

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Capacitação “pré-eclâmpsia na APS” + discussão de casos. Entrega de protocolo simplificado AAS/cálcio. Implantação do cartão de acompanhamento da PA e sintomas. Oficina prática de aferição correta da PA. Checklist + avaliação do mês.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Oficina “Decisão rápida e segura” (gravidade, critérios e fluxo de encaminhamento). Simulações de atendimento e encaminhamento (cenários). Pactuação/ajuste de fluxo APS–regulação–maternidade. Monitoramento de adesão (AAS/cálcio/PA registrada). Checklist + avaliação do mês.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Capacitação teórico-prática (urocultura, tratamento, controle de cura; corrimentos). Monitoramento de indicadores (urocultura, controle de cura, complicações). Material educativo para gestantes (cartaz/folder). Checklist + avaliação do mês.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Oficina de sinais de alerta (parâmetros críticos). Implantação e treinamento do MEOWS adaptado à UBS. Cartão-resumo de bolso (condutas/contatos/fluxo). Roda de conversa com gestantes (“sinais de alerta”). Checklist + avaliação do mês.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Minicurso teórico (pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia, HPP, sepse, PCR). Oficina prática/simulações (“APS que salva vidas”). Organização do kit de emergência obstétrica + checklist mensal. Checklist + avaliação do mês. Reforço prático (simulações/rotação de equipes). Roda intersetorial APS–SAMU–maternidade/regulação (fluxo regional). Atividade educativa com gestantes e ACS (roteiro de orientação/encaminhamento). Checklist + avaliação do mês.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Oficina prática de assistência ao parto de baixo risco (simulação). Organização do ambiente/fluxo e checklist de materiais. Simulação de intercorrências imediatas (hemorragia inicial, retenção placentária). Checklist + avaliação do mês

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Oficina “promoção do parto baseado em evidências”. Implantação/fortalecimento do Plano de Parto no 3º trimestre. Roda de conversa com gestantes (mitos/verdades, decisão compartilhada). Ação comunitária (exposição/frases/relatos). Checklist + avaliação do mês.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Organização da vigilância precoce e consulta de puerpério (fluxo/rotina). Roda “O pós-parto que ninguém conta”. Oferta estruturada de contracepção (até 42 dias) e articulação para DIU quando aplicável. Rastreamento de depressão pós-parto (EPDS) + fluxo de encaminhamento.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Consolidação e análise dos dados quantitativos e qualitativos produzidos ao longo das ações, incluindo indicadores assistenciais, registros das capacitações, avaliações participativas e relatos das equipes das Unidades Básicas de Saúde. Promoção de encontros de devolutiva e feedback com os profissionais da Atenção Primária, visando à avaliação coletiva dos resultados, identificação de avanços e pactuação de estratégias de continuidade. Apresentação da síntese técnica do projeto à Secretaria Municipal de Saúde de Diamantina, com proposta de institucionalização e replicação das ações, além da submissão do relatório final à PROEXC/UFVJM.