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FORMAÇÃO CONTINUADA DE EDUCADORES/AS DO CAMPO ESCOLA DA TERRA III: Curso de aperfeiçoamento Currículo e Práticas Pedagógicas em Turmas Multisseriadas no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas Gerais
Sobre a Ação
202203001619
032022 - Ações
Curso/Oficina
RECOMENDADA
:
EM ANDAMENTO - Normal
15/02/2026
30/01/2027
Dados do Coordenador
ofélia ortega fraile
Caracterização da Ação
Ciências Humanas
Educação
Cultura
Formação Docente
Estadual
Sim
Não
Sim
Dentro e Fora do campus
Integral
Sim
Redes Sociais
dd
Membros
A UFVJM propõe, para 2026, o curso Escola da Terra voltado à formação continuada de educadores do campo, com foco em práticas pedagógicas em turmas multisseriadas. Trata-se da terceira edição do programa, alinhada ao Novo PRONACAMPO. A iniciativa busca qualificar docentes e fortalecer a educação pública contextualizada e a função social das escolas do campo, das águas e das florestas.
Educação do Campo; Formação Continuada de Professores; Escola da Terra; Turmas Multisseriadas; Formação por Alternância; Cultura como matriz formativa;
A Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) acumula experiência na implementação de políticas públicas voltadas à formação de educadoras e educadores do Campo, das Águas e das Florestas. A trajetória da Educação do Campo na instituição teve início em 2008, com a implantação da primeira turma da Licenciatura em Educação do Campo (LEC), ofertando duas habilitações: Ciências da Natureza e Matemática, e Linguagens e Códigos. O curso teve continuidade e consolidou-se institucionalmente a partir do edital de 2012 e, desde então, tem ofertado anualmente 60 vagas, reafirmando o compromisso da UFVJM com a formação de professores para os territórios do campo. Inicialmente, a UFVJM implantou uma turma de formação inicial de educadores e educadoras por meio do Edital MEC/SECAD nº 02, de 23 de abril de 2008, configurando a primeira experiência institucional com a Licenciatura em Educação do Campo no âmbito do PROCAMPO. Em 2012, docentes participantes desta experiência elaboraram uma proposta de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) com duas habilitações - Ciências da Natureza e Matemática, e Linguagens e Códigos - submetida ao Edital nº 02 (SESU/SETEC/SECADI/MEC), de 31 de agosto de 2012. A proposta foi aprovada pela Portaria MEC nº 72, de 21 de dezembro de 2012, o que viabilizou a institucionalização do curso. Atualmente, o curso permanece em funcionamento com uma equipe composta por 15 docentes e três técnicos, ofertando 60 vagas anuais, distribuídas entre as habilitações de Ciências da Natureza (30 vagas) e Linguagens e Códigos (30 vagas). A LEC também é responsável pelos projetos PIBID Diversidade, Residência Pedagógica e PET Campesinato, além de ter implementado diversos projetos de ensino, pesquisa e extensão nos quais participam discentes e egressos da LEC. Em relação à formação permanente de professores, a instituição oferece cursos de formação continuada de educadores/as do Campo, das Águas e das Florestas desde 2023/2024 dentro do programa Escola da Terra (PRONACAMPO), organizado em parceria com docentes do curso de Pedagogia e desde 2025 o curso de aperfeiçoamento Escola Quilombo (PNEERQ). Como expressão dessa trajetória, a instituição ofertou, no ano de 2023, em parceria com Secretarias Municipais de Educação, a primeira edição do curso de Aperfeiçoamento “Escola da Terra: formação continuada de educadores”, e em 2025 o curso de Especialização Escola da Terra, no âmbito da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC). A primeira iniciativa contemplou aproximadamente 100 professoras e professores da educação básica, incluindo profissionais da Educação Infantil, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), com prioridade para docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental em escolas do campo. Organizada em regime de Alternância Pedagógica, a formação estruturou-se na integração entre Tempo Universidade e Tempo Escola-Comunidade, totalizando 180 horas de atividades desenvolvidas nos espaços acadêmicos, nas escolas e nas comunidades onde os cursistas atuam. As edições anteriores foram realizadas em parceria com as Secretarias de Educação de municípios do Norte de Minas Gerais, o município de São Francisco, e do Vale do Jequitinhonha, os municípios de Araçuaí, Diamantina e Serro. A definição dos municípios foi realizada a partir de demandas específicas dos municípios e graças à rede territorial dos Núcleos de Alternância da Licenciatura em Educação do Campo da UFVJM, consolidando uma base institucional, acadêmica e territorial que permite à universidade ampliar e aprofundar a implementação do Programa Escola da Terra na região para a continuidade do programa. A relação com os territórios, escolas do campo e Secretarias de Educação construída nas edições anteriores junto à participação da LEC na Rede Mineira de Educação do Campo e no Fórum Nacional de Educação do Campo - FONEC, têm se demonstrado fundamentais para a elaboração da nova proposta do programa Escola da Terra, embasada no diálogo com as realidades dos territórios, uma vez que as pautas do fechamento de Escolas do Campo e da Multisseriação são amplamente discutidas e analisadas. É nesse contexto que temos recebido por parte de Secretarias de Educação e movimentos sociais, solicitações de apoio e orientações para evitar o fechamento de escolas e para contribuir no fortalecimento das escolas do campo com turmas multisseriadas nos territórios de abrangência da LEC-UFVJM. E neste processo dialógico que já identificamos demandas formativas para construir a nova proposta de formação continuada de aperfeiçoamento dentro do eixo Currículo e práticas pedagógicas em turmas multisseriadas a ser realizado no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas Gerais, nos municípios de Araçuaí, São Francisco, Virgem da Lapa, Chapada do Norte, Felisburgo e Monte Formosa. Com o total de 60 turmas multisseriadas nos municípios, as escolas do campo identificadas se encontram em territórios de comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhas e da reforma agrária que enfrentam a pressão da desterritorialização dos projetos do agronegócio e da mineração. Em diálogo com os territórios e com as parcerias: Secretarias de Educação, Rede Mineira de Educação do Campo, Agente de Formação Estadual do Pronocampo e Movimentos Sociais e Culturais, como MST-MG e a associação TINGUI, elencamos também propostas de eixos de articulação dos encontros formativos como a cultura popular, os saberes populares e ancestrais, a memória e os brinquedos e brincadeiras tradicionais. O público-alvo será composto por docentes e coordenadores pedagógicos em efetivo exercício nas Escolas do Campo, das Águas e das Florestas das redes públicas de ensino, com prioridade para professores que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A seleção será realizada em regime de colaboração entre a UFVJM e os sistemas públicos de ensino, prevendo-se a participação de aproximadamente 100 profissionais da educação básica dos municípios parceiros. O curso será ofertado com carga horária total de 180 (cento e oitenta) horas, organizadas em Tempo Universidade (120 horas) e Tempo Escola-Comunidade (60 horas), assegurando a integração entre teoria e prática e fortalecendo a formação em serviço, conforme orientam as diretrizes do Programa Escola da Terra. O percurso formativo ancora-se na Pedagogia da Alternância, como princípio estruturante do processo formativo, integrando Tempo Universidade, destinado aos estudos teórico-metodológicos, e Tempo Escola-Comunidade, voltado ao desenvolvimento da ementa com práticas pedagógicas contextualizadas, diagnósticos da realidade, intervenções didáticas, elaboração de materiais didáticos e com a cultura como matriz formativa. A metodologia do curso se ancora na Pedagogia do Oprimido e na Pedagogia do Movimento, tendo como base os princípios formativos da Educação do campo: Trabalho; Luta; História e memória; Cultura; Práxis; Matriz curricular contextualizada e construída em base à realidade; Interdisciplinaridade; Múltiplos Letramentos; Auto-organização e Trabalho Coletivo (Vilas-Bôas; Pereira, 2019, pp. 76; Silva; Molina, 2020, pp. 28) que junto com as abordagens da Agroecologia e da Reforma Agrária criam as bases teórico-metodológicas para a formação de educadores e educadoras do campo, das águas e das florestas. É nesse contexto de continuidade e aprimoramento das ações formativas que a UFVJM apresenta a proposta do Curso de Aperfeiçoamento “Escola da Terra Formação Continuada de Educadoras e Educadores das Escolas do Campo, das Águas e das Florestas: currículo e práticas pedagógicas em escolas multisseriadas no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas Gerais”, a ser ofertado no ciclo 2026. A presente oferta configura-se como a terceira edição institucional do Programa Escola da Terra, com o segundo curso de Aperfeiçoamento, reafirmando o compromisso da universidade com o fortalecimento da Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas - Novo PRONACAMPO, instituída pela Portaria MEC nº 538, de 24 de julho de 2025. Ao final do curso, espera-se contribuir para a formação de educadoras e educadores comprometidos com práticas pedagógicas contextualizadas e embasadas nos princípios da Educação do Campo, fortalecendo o direito à educação pública de qualidade para os Povos do Campo, das Águas e das Florestas fortalecendo a função social das Escolas do Campo.
A oferta do Curso de Aperfeiçoamento Escola da Terra - UFVJM 2026 justifica-se diante do contexto histórico e social do Norte de Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha, marcado por processos de expropriação territorial e por estratégias de desenvolvimento que privilegiaram grandes empreendimentos como monoculturas de eucalipto, mineração e hidrelétricas, produzindo a desestabilização dos modos de vida das populações locais, o aprofundamento da pobreza e a intensificação do êxodo rural (Souza et al., 2022; Lovo et al., 2020). Apesar dessas adversidades, trata-se de um território de povos e comunidades tradicionais que preservam práticas culturais, agroalimentares e relações com o cerrado, constituindo um vasto patrimônio material e imaterial (Dayrell, 2019). Esse cenário é agravado pelas desigualdades estruturais enfrentadas pelas Escolas do Campo, das Águas e das Florestas, especialmente pelo processo sistemático de fechamento, nucleação e precarização das escolas do campo, amplamente denunciado pelos movimentos sociais e por fóruns regionais estaduais e pelo próprio Fórum Nacional de Educação do Campo. O Dossiê de “Combate ao Fechamento de Escolas do Campo” (FONEC, 2025) evidencia que tal fenômeno não constitui uma ação administrativa isolada, mas integra um projeto político de negação do direito à educação nos territórios rurais, comprometendo a permanência das populações no campo e a garantia de uma educação pública, contextualizada e de qualidade (FONEC, 2025). Como consequência, observam-se impactos diretos na infância, na juventude e nas comunidades, com a ampliação do êxodo rural, longos deslocamentos diários, evasão escolar e baixo rendimento, configurando violação do direito à educação (FONEC, 2025) . Nesse contexto, a escola do campo afirma-se como espaço estratégico de resistência, em diálogo com movimentos populares organizados como MST, MAB, MAM e FETAEMG, ainda, redes como o Fórum do Vale e a Rede Mineira de Educação do Campo, que articulam a denúncia das violações e o anúncio de caminhos orientados pela soberania popular e pelo bem viver. Fortalecer essas escolas implica assegurar processos formativos que integrem comunidade, território e projeto pedagógico, reconhecendo a formação continuada de professores como estratégia central para a consolidação de projetos político-pedagógicos territorializados, a valorização das turmas multisseriadas e a qualificação das práticas educativas desenvolvidas nas comunidades rurais. As experiências do programa Escola da Terra na UFVJM reafirmam a importância do programa para o fortalecimento das Escolas do Campo nos territórios e para a implementação da Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas, Novo Pronacampo (Portaria MEC nº 538, de 24 de julho de 2025). Por outro lado, as experiências visibilizam o potencial da formação em alternância, uma vez que “articula tempos e espaços formativos distintos, integrando universidade, trabalho e comunidade, de modo a aproximar o conhecimento científico dos saberes da vida” (Nosella, 2014, p. 37), articula as escolas com os movimentos sociais e culturais dos territórios e por último, conecta à Universidade com as realidades, demandas e enfrentamentos das Escolas do Campo, cumprindo assim sua função social nos territórios de abrangência da UFVJM. A presente proposta vincula-se à linha de formação de educadores do campo construída pela UFVJM, historicamente ancorada nos princípios da Educação do Campo - protagonismo dos sujeitos, educação como direito e construção de um projeto de campo sustentável e emancipatório - e articulada à pedagogia da alternância como matriz formativa. Tal perspectiva dialoga diretamente com a Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas - Novo PRONACAMPO, instituída pelo Decreto nº 11.817/2023, que reafirma o dever do Estado na garantia do direito à educação para as populações do campo e orienta a implementação de políticas de formação inicial e continuada de professores em regime de alternância, socialmente referenciadas e territorialmente contextualizadas. O Programa Escola da Terra insere-se nesse marco normativo ao reconhecer as escolas do campo como espaços legítimos de produção de conhecimento e ao defender sua permanência nos territórios onde vivem as populações campesinas. A UFVJM acumula dezesseis anos de experiência na formação de educadores por meio da Licenciatura em Educação do Campo, em articulação com movimentos sociais e programas de pós-graduação, desenvolvendo ações de ensino, pesquisa e extensão orientadas pelos princípios da Educação do Campo e pela alternância pedagógica. Essa trajetória constitui base institucional e territorial para a implementação e o fortalecimento do Programa Escola da Terra no semiárido mineiro. Os princípios da Educação do Campo orientam processos formativos comprometidos com o reconhecimento dos sujeitos campesinos como protagonistas de suas realidades, fortalecendo sua capacidade de atuação nos territórios e nas lutas pela garantia do direito à educação. Nessa perspectiva, a educação é compreendida como direito fundamental, contribuindo para superar concepções assistencialistas e afirmar educadoras e educadores como sujeitos ativos na construção e proposição de práticas educativas. Destaca-se, ainda, a defesa de um projeto de escola articulado a um projeto de campo sustentável e emancipatório, comprometido com a valorização das identidades, dos modos de vida e dos saberes comunitários, bem como com a transformação das realidades socioterritoriais. Esses princípios reforçam a importância de propostas formativas que integrem universidade, escola e comunidade na construção de práticas pedagógicas contextualizadas e socialmente referenciadas (Antunes-Rocha; Alves; Hunziker, 2023). A proposta alinha-se às diretrizes do Novo PRONACAMPO ao promover formação continuada presencial em regime de Alternância Pedagógica, reconhecendo a educação como direito público subjetivo e reafirmando as escolas do campo como espaços estratégicos para o desenvolvimento social, cultural e sustentável dos territórios rurais. Conforme destaca Caldart (2012, p. 259), “a Educação do Campo nasce do reconhecimento de que os povos do campo produzem conhecimento e cultura próprios, e que a escola deve dialogar com seus territórios, tempos e modos de vida”. A formação estará vinculada à linha prioritária “Currículo e Práticas Pedagógicas em Turmas Multisseriadas”, atendendo às demandas dos municípios e em consonância com a nova portaria do Programa Escola da Terra e ao Novo PRONACAMPO, que enfatiza a formação continuada no Eixo 1 de Formação e a necessidade de valorização do trabalho pedagógico nas escolas do campo multisseriadas, com o Programa Nacional de Multisseriação, no eixo 2 ProMulti. Considerando a expressiva presença dessa organização escolar no semiárido mineiro, parte-se do entendimento de que “as turmas multisseriadas não são um problema a ser superado, mas uma forma histórica de organização da escola do campo que pode produzir aprendizagens colaborativas e solidárias” (Arroyo, 2011, p. 118). Por isso, aprofundar na multisseriação e elaborar materiais didáticos apropriados é um desafio posto tanto para a valorização do trabalho docente como para o fortalecimento de escolas que sofrem ameaças de fechamento. Como alerta o Fórum Nacional de Educação do Campo, “o fechamento de escolas do campo representa negação do direito à educação e ruptura dos vínculos territoriais das comunidades rurais” (Fonec, 2025, p. 6). Durante esse percurso, a reflexão sobre a prática será elemento central da formação, considerando que “narrar a própria experiência é um modo de produzir formação, pois a história de vida torna-se dispositivo de reflexão sobre a prática” (Josso, 2004, p. 43). Assim, a presente proposta configura-se como uma ação estratégica de defesa da escola do campo e de enfrentamento ao seu fechamento, reafirmando o compromisso institucional da UFVJM com a formação docente em regime de alternância, conforme estabelece o Decreto nº 11.817/2023, e com a promoção da justiça social, territorial e educacional no semiárido mineiro (FONEC, 2025). Alinhada à linha formativa Currículo e Prática Pedagógica nas Escolas/Turmas Multisseriadas, da ação Escola da Terra, promovida pela Coordenação Geral de Educação do Campo (CGEC), vinculada à Diretoria de Políticas de Educação do Campo e Educação Escolar Ambiental (DIPECEA), no âmbito da SECADI, a proposta fortalece as políticas públicas de Educação do Campo ao investir na qualificação das práticas pedagógicas em contextos multisseriados. Desse modo, sua execução pela UFVJM reafirma o compromisso da instituição com uma escola do campo que seja democrática, inclusiva e comprometida com a formação integral dos estudantes e o desenvolvimento de seus territórios.
OBJETIVO GERAL Promover a formação continuada dos professoras/es e coordenadoras/es das Escolas do Campo, das Águas e das Florestas, com organização de turmas multisseriadas, para contextualização de sua práxis pedagógicas, além do fortalecendo de suas práticas educativas territorializadas, em consonância com os fundamentos da Educação do Campo e com a Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (Novo PRONACAMPO), instituída pelo Decreto nº 11.817/2023, tendo em vista o aprimoramento do trabalho educativo e os processos de ensino aprendizagem nas escolas do campo, sobretudo nas Escolas/Turmas Multisseriadas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ● Consolidar a Educação do Campo como direito, reafirmando a permanência das escolas nos territórios e o compromisso com uma educação pública, contextualizada e socialmente referenciada. ● Qualificar o trabalho pedagógico em turmas multisseriadas, em alinhamento à linha formativa “Currículo e Práticas Pedagógicas em Turmas Multisseriadas” do Novo PRONACAMPO, reconhecendo essa organização como expressão da diversidade socioterritorial. ● Fortalecer a articulação entre currículo, território, culturas e saberes comunitários, promovendo práxis educativa comprometida com a emancipação dos sujeitos do campo e com a agroecologia. ● Desenvolver processos formativos em Alternância Pedagógica, integrando Tempo Universidade e Tempo Escola-Comunidade, conforme orienta o Decreto nº 11.817/2023. ● Impulsionar a construção e o fortalecimento de projetos político-pedagógicos contextualizados e em diálogo com os múltiplos letramentos e o numeramento. ● Contribuir para a implementação do Novo Pronacampo e do Programa Escola da Terra como política pública de garantia do direito à educação e em articulação com as secretarias de educação, escolas, a Rede Mineira de Educação do Campo, os agentes territoriais e os movimentos sociais e culturais dos territórios.
A proposta do Curso de Aperfeiçoamento Escola da Terra - UFVJM 2026 destina-se à formação continuada de aproximadamente 115 profissionais da educação básica em efetivo exercício nas Escolas do Campo, das Águas e das Florestas das redes públicas de ensino. O público-alvo será composto por professoras(es) e coordenadoras(es) pedagógicos (as) que atuam no Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos, estabelecendo como prioridade docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A definição desse público encontra-se em consonância com as diretrizes do novo PRONACAMPO, reafirmando os princípios da Educação do Campo. Nesse sentido, reconhece-se educadoras e educadores como agentes estratégicos na construção de práticas pedagógicas territorializadas e socialmente referenciadas. Para fins desta proposta, compreendem-se como Populações do Campo, das Águas e das Florestas os agricultores familiares, assentados e acampados da reforma agrária, trabalhadores rurais assalariados, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, extrativistas e demais grupos que produzem suas condições materiais de existência a partir do trabalho no meio rural. Tal compreensão assegura aderência às diretrizes do Novo PRONACAMPO, que orienta a formulação de políticas educacionais comprometidas com a diversidade socioterritorial brasileira. A territorialidade de abrangência terá como referência a rede formativa consolidada pelos Núcleos de Alternância da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), pelas parcerias estabelecidas em edições anteriores do programa Escola da Terra e pelos diálogos estabelecidos com a Rede Mineira de Educação do Campo e com os movimentos sociais e culturais. Esperamos realizar articulações especificamente com os núcleos de alternância atualmente, essa rede envolve do Norte de Minas: município de São Francisco, e do Médio e Baixo Jequitinhonha: municípios de Araçuaí, Virgem da Lapa, Chapada do Norte, Felisburgo, Monte Formoso e Joaíma. Configura-se assim uma base institucional e territorial que potencializa a implementação do Programa Escola da Terra em articulação com os eixos do Novo PRONACAMPO e fortalece a articulação entre universidade, escolas e comunidades do campo. Essa vinculação contribui diretamente para a efetivação dos objetivos do Novo PRONACAMPO, especialmente no que se refere à garantia do direito à educação, à redução das desigualdades educacionais e à permanência das escolas nos territórios camponeses.
Perspectiva Teórico-Metodológica O aperfeiçoamento assumirá a formação como processo ancorado na relação Educação-Trabalho-Território e será orientado pela investigação e pela produção coletiva do conhecimento. O currículo é compreendido como construção social e política, resultante das lutas históricas dos povos do campo, das águas e das florestas, reconhecendo que as escolas multisseriadas expressam a forma concreta de escolarização desses territórios e demandam organização própria do trabalho pedagógico. Como afirmam Hage e Silva, “o currículo da Educação do Campo não é neutro, mas produto da disputa entre projetos de sociedade e de território” (HAGE; SILVA, 2023, p. 47). A formação será realizada por meio da Alternância Pedagógica, entendida como estratégia teórico-metodológica que articula tempos, espaços e saberes, ampliando o território educativo para além dos muros da escola. O curso estrutura-se em dois tempos formativos indissociáveis: o Tempo Universidade -TU, correspondente a 70% da carga horária, e o Tempo Escola-Comunidade -TEC, equivalente a 30%. O TU será desenvolvido nos espaços da UFVJM, com estudos teóricos, oficinas pedagógicas, seminários e planejamento integrado, enquanto o TEC ocorrerá nos territórios de atuação das(os) cursistas, contemplando investigação da realidade, intervenção pedagógica, registros reflexivos e acompanhamento tutorial. Nessa direção, Hage e Silva destacam que “a alternância só cumpre sua função quando a experiência comunitária retorna ao espaço formativo como fonte legítima de conhecimento” (Hage; Silva, 2023, p. 52). A metodologia assume a pesquisa como princípio educativo e a interdisciplinaridade como forma de superar a fragmentação curricular. Serão desenvolvidos diagnóstico territorial participativo, planejamento por áreas de conhecimento, oficinas de letramentos e agroecologia, acompanhamento tutorial no TEC e elaboração de portfólio formativo. Para Hage e Silva, “o conhecimento escolar precisa nascer do diálogo entre ciência e experiência, entre universidade e movimentos sociais” (HAGE; SILVA, 2023, p. 55). As atividades valorizam o protagonismo dos sujeitos do campo e a produção de conhecimentos a partir das experiências comunitárias, garantindo que o currículo responda às necessidades reais das escolas multisseriadas. A Educação do Campo é direito público subjetivo e político construído em regime de colaboração entre universidade, redes de ensino e comunidades. O projeto reconhece a centralidade dos territórios e dos sujeitos do campo, considerando a diversidade sociocultural, étnico-racial, ambiental e produtiva como referência para o currículo e para a organização do trabalho pedagógico. Assume o protagonismo comunitário como elemento estruturante, incentivando a participação das comunidades na elaboração, execução e avaliação das ações formativas e consolidando o vínculo universidade–escola–território. Defende um currículo contextualizado, que articule saberes escolares e saberes populares, integrando cultura local, agroecologia, memórias e experiências de vida. Reconhece a multisseriação e a multietariedade como possibilidades pedagógicas, valorizando práticas colaborativas e planejamento integrado adequados às realidades das escolas do campo. Integra ensino, pesquisa e extensão, por meio de formação em serviço, investigação da realidade e produção de materiais didáticos. Articula formação docente e desenvolvimento territorial sustentável, dialogando com tecnologias sociais e práticas agroecológicas, e incorpora o acompanhamento tutorial territorial como estratégia de formação continuada, em articulação com as Secretarias de Educação parceiras. Esses princípios orientam uma formação crítica e situada, comprometida com a permanência das escolas nos territórios e com a equidade educacional. Assumindo a formação continuada como processo crítico, reflexivo e territorialmente situado, a proposta adota a Pedagogia da Alternância como eixo estruturante, articulando Tempo Universidade (TU) e Tempo Escola–Comunidade (TEC) de forma indissociável, de modo que a experiência profissional e comunitária constitua fonte legítima de conhecimento e de problematização pedagógica. O percurso formativo fundamenta-se na pesquisa como princípio educativo, na leitura crítica da realidade e na produção coletiva do saber docente, mobilizando estratégias como rodas de diálogo, oficinas pedagógicas, estudos de caso, planejamento integrado por áreas do conhecimento, elaboração de sequências didáticas contextualizadas, registros autobiográficos, cadernos de campo, intervenções pedagógicas em serviço e acompanhamento tutorial territorial. No TU priorizam-se estudos teórico-metodológicos, análise de experiências e planejamento coletivo; no TEC desenvolvem-se diagnósticos participativos, experimentação didática, sistematização da prática e devolutivas formativas, garantindo a integração entre teoria e prática e fortalecendo os Projetos Político-Pedagógicos das escolas. A metodologia valoriza as turmas multisseriadas como matriz pedagógica, os saberes comunitários, a agroecologia, os múltiplos letramentos e a articulação entre ciência e experiência, com vistas à qualificação do trabalho docente nos territórios do campo, das águas e das florestas. Estrutura Curricular do Curso A organização curricular vincula-se à linha formativa “Currículo e Prática Pedagógica nas Escolas Multisseriadas”, definida nacionalmente pelo Programa Escola da Terra. Conforme a ementa oficial, a formação aborda: “Da Educação Rural à Educação do Campo; fundamentos e princípios da Educação do Campo; Educação e Movimentos Sociais do Campo; políticas educacionais e legislações da Educação do Campo; concepções de desenvolvimento e aprendizagem; gestão, planejamento e avaliação nas turmas multisseriadas; organização do trabalho pedagógico; ensino de linguagens, ciências humanas e sociais e matemática na alfabetização; ação climática e agroecologia; práticas pedagógicas nas turmas multisseriadas e seminário de socialização dos trabalhos, tendo como público professoras e coordenadoras pedagógicas de turmas multisseriadas”. Tal ementa orienta a estrutura modular do curso, garantindo aderência às diretrizes nacionais do Programa e às demandas concretas das escolas do campo do território de atuação da UFVJM. A organização curricular, distribuindo-se em cinco módulos integrados que articulam eixos de conteúdo, eixos transversais e metodologias. 1. Módulo I - Educação do Campo, Território e Cultura (35h) aborda a passagem da Educação Rural à Educação do Campo, os movimentos sociais, as identidades territoriais Da Educação Rural à Educação do Campo Fundamentos e princípios da Educação do Campo. Populações do Campo, das Águas e das Florestas. Educação e Movimentos sociais do campo. Território, identidade e modos de vida. Eixos transversais TU - TC: Leitura de mundo e múltiplos letramentos; Ensino de Linguagens; Brincadeiras e brincantes. 2. Módulo II - Currículo e Organização do Trabalho Pedagógico em Turmas Multisseriadas (35h) trata das legislações, do planejamento integrado e da avaliação formativa, com oficinas voltadas à organização do trabalho docente. - Políticas Educacionais e Legislações da Educação do Campo. Concepções de desenvolvimento e aprendizagem que subsidiam a Educação do Campo. Gestão, planejamento e avaliação nas turmas multisseriadas. Organização do trabalho pedagógico nas escolas/turmas multisseriadas. Práticas pedagógicas contextualizadas. Eixos transversais TU - TC: Leitura de mundo e conflitos territoriais; Ensino ciências humanas e sociais; Memória e lutas no campo; Autobiografia, Memória e Prática Docente 3. Módulo III - Agroecologia, ação climática e Educação Ambiental. Práticas Pedagógicas contextualizadas no Campo (35h) integra infância e cultura popular, Brincadeiras e culturas infantis, Narrativas orais e saberes populares, Corpo, ludicidade e território, Relação com a natureza, Escola multisseriada e infâncias, Práticas pedagógicas contextualizadas Eixos transversais TU - TC: Cultura como matriz formativa, ação climática e ensino de ciências da natureza e matemática, por meio da agroecologia e das práticas culturais camponesas e ancestrais. 4. Módulo IV - Saberes Populares, cultura e Prática Docente. (35h) Saberes comunitários, Tecnologias sociais, , Autobiografia, Memória e Prática Docente. Articula conhecimentos comunitários e produção de materiais didáticos, tendo a autobiografia como dispositivo formativo. Eixos transversais TU - TC: Práticas Pedagógicas nas turmas multisseriadas, seminários nos territórios e eventos culturais 5. Módulo V - Seminário final: Educação do Campo, das águas e das florestas em turmas multisseriadas 35h) culmina na socialização dos produtos culturais e educativos. Eixos transversais TU - TC: Autobiografia, Memória e Prática Docente perpassa todos os módulos como estratégia transversal de reflexão e avaliação. Espera-se, com essa organização, qualificar o planejamento em turmas multisseriadas, produzir materiais contextualizados, fortalecer os Projetos Político-Pedagógicos das escolas e ampliar a articulação entre universidade, redes de ensino e comunidades. A carga horária total do curso será de 180 horas, sendo 120 horas de Tempo Universidade e 60 horas de Tempo Escola-Comunidade
ALTIERI, Miguel. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. São Paulo: Expressão Popular, 2012. ANTUNES-ROCHA, M. I.; ALVES , L. de C. F.; HUNZIKER, A. C. de M. Desafios e possibilidades da formação de professores para atuar em escolas do campo. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, p. e023123, 2023. DOI: 10.21723/riaee.v18i00.18776. ARROYO, Miguel G. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 1, de 3 de abril de 2002. Institui Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 9 abr. 2002. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 2, de 28 de abril de 2008. Estabelece diretrizes complementares, normas e princípios para o desenvolvimento de políticas públicas de atendimento da Educação Básica do Campo. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 29 abr. 2008. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CEB nº 4, de 2 de outubro de 2009. Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 5 out. 2009. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP nº 1, de 16 de agosto de 2023. Dispõe sobre as Diretrizes Curriculares da Pedagogia da Alternância na Educação Básica e na Educação Superior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 17 ago. 2023. BRASIL. Fundação Banco do Brasil. Tecnologia social: reaplicação e desenvolvimento. Brasília, DF: FBB, 2011. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Brasília, DF: MEC, 2018. BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF: MEC/SEESP, 2008. BRASIL. Ministério da Educação. Portaria MEC nº 538, de 24 de julho de 2025. Institui a Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas – Novo PRONACAMPO. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 25 jul. 2025. BRASIL. Ministério da Educação. SECADI. Diretrizes operacionais do Programa Escola da Terra no âmbito da Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas. Brasília, DF: MEC/SECADI, 2025. BRASIL. Ministério da Educação. SECADI. Linhas Formativas Escolas da Terra – Aperfeiçoamento e Especialização. Brasília: MEC/SECADI, 2025. BRASIL. Presidência da República. Decreto nº 7.352, de 4 de novembro de 2010. Dispõe sobre a Política de Educação do Campo e o PRONERA. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 5 nov. 2010. BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE (2014–2024). Brasília, DF, 2014. CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra. São Paulo: Expressão Popular, 2004. CALDART, Roseli Salete et al. Dicionário da Educação do Campo. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2012. DOURADO, Luiz Fernandes. Avaliação educacional: concepções e políticas. Campinas: Autores Associados, 2010. FÓRUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO – FONEC. Dossiê de combate ao fechamento de escolas do campo: Texto 7 – Apresentação. Brasília, 2025. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. HAGE, Salomão Mufarrej; SILVA, Hellen do Socorro de Araújo. Currículo, multisseriação e movimentos sociais do campo. In: Interfaces entre políticas públicas de Educação do Campo e movimentos sociais camponeses no Brasil. 2023. JOSSO, Marie-Christine. Experiências de vida e formação. São Paulo: Cortez, 2004. KRAMER, Sonia. Infância e educação infantil: saberes e práticas da inclusão. Campinas: Papirus, 2006. NOSELLA, Paolo. Pedagogia da alternância: fundamentos e perspectivas. São Paulo: Cortez, 2014. NÓVOA, António. Os professores e as histórias da sua vida. Porto: Porto Editora, 1992. SANTOS, Boaventura de Sousa. A ecologia de saberes. In: SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo. São Paulo: Cortez, 2006. SARMENTO, Manuel Jacinto. As culturas da infância nas encruzilhadas da segunda modernidade. Braga: Universidade do Minho, 2004.
A interação dialógica entre universidade e sociedade constitui princípio estruturante desta proposta, compreendendo a formação como processo construído na relação entre saberes acadêmicos e saberes territoriais, em consonância com a concepção de extensão universitária como prática social transformadora. Conforme estabelece a Política Nacional de Extensão Universitária, a extensão promove “a interação transformadora entre universidade e outros setores da sociedade” (FORPROEX, 2012), superando a lógica de transmissão unilateral do conhecimento. No contexto da Educação do Campo, essa interação assume caráter ainda mais estratégico, pois, como destacam Hage e Silva (2023), o processo formativo deve reconhecer que “os sujeitos do campo são produtores de conhecimento e não apenas destinatários de políticas educacionais” (p. 49). Nesse sentido, o Programa Escola da Terra - UFVJM 2026 organiza-se em diálogo permanente com as escolas, as redes públicas de ensino e as comunidades campesinas, por meio do regime de alternância, do acompanhamento territorial e da construção coletiva de propostas pedagógicas, fortalecendo o vínculo entre universidade, território e escola e consolidando a formação como prática social situada.
A interdisciplinaridade e a interprofissionalidade constituem princípios metodológicos centrais da proposta, orientando a formação docente para a compreensão integrada da realidade educacional e territorial das escolas do campo. A Educação do Campo exige a superação da fragmentação curricular, articulando diferentes áreas do conhecimento em torno dos problemas concretos vividos pelos sujeitos do território, reconhecendo, conforme afirmam Hage e Silva (2023), que “a complexidade da realidade do campo exige abordagens interdisciplinares que articulem diferentes saberes e práticas” (p. 58). Nessa perspectiva, o curso promove o diálogo entre educação, cultura, território, agroecologia, linguagens e ciências humanas e da natureza, envolvendo formadores, tutores, professores da educação básica e graduandos em processos formativos integrados. Essa articulação interprofissional fortalece a construção de práticas pedagógicas contextualizadas e amplia a capacidade de intervenção dos educadores nas realidades das escolas multisseriadas, contribuindo para a qualificação do trabalho docente e para a construção de respostas educacionais adequadas às especificidades socioterritoriais.
A proposta fundamenta-se no princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, reconhecendo a formação docente como processo articulado de produção, sistematização e socialização do conhecimento. Esse princípio está previsto na Constituição Federal, que estabelece a universidade como espaço de integração dessas três dimensões (BRASIL, 1988, art. 207), e reafirmado pelas diretrizes da extensão universitária, que compreendem a extensão como processo formativo integrado ao ensino e à pesquisa (FORPROEX, 2012). No âmbito da Educação do Campo, essa articulação é fundamental para garantir que a formação responda às demandas reais dos territórios, pois, conforme Hage e Silva (2023), “a pesquisa na Educação do Campo deve partir da realidade concreta das escolas e comunidades” (p. 53). Assim, o curso integra estudos teóricos, investigação da realidade escolar e intervenções pedagógicas no território, promovendo a formação crítica dos cursistas e contribuindo para a produção de conhecimentos socialmente referenciados e comprometidos com a transformação educacional.
A participação dos estudantes de graduação da UFVJM no Programa Escola da Terra constitui estratégia formativa fundamental, possibilitando sua inserção em processos reais de formação docente e fortalecendo sua formação acadêmica, científica e social. Os graduandos atuarão em atividades de apoio pedagógico, acompanhamento territorial, sistematização de experiências e produção de materiais didáticos, desenvolvendo competências relacionadas à pesquisa, à extensão e à prática educativa. Essa experiência contribui para a formação crítica e contextualizada dos estudantes, pois, conforme destaca Freire (1996), “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”, evidenciando a formação como processo integrado. Além disso, a inserção dos graduandos nas escolas do campo amplia sua compreensão sobre as desigualdades educacionais e fortalece seu compromisso com a educação pública, contribuindo para a formação de profissionais sensíveis às realidades socioterritoriais e preparados para atuar em contextos educacionais diversos.
O Programa Escola da Terra – UFVJM 2026 possui potencial significativo de impacto social, ao contribuir para a qualificação das práticas pedagógicas nas escolas do campo e para o fortalecimento do direito à educação das populações campesinas. A formação docente contextualizada contribui diretamente para a melhoria da qualidade do ensino, para a valorização dos saberes locais e para o fortalecimento das identidades territoriais. Conforme destacam Hage e Silva (2023), “a formação docente na Educação do Campo constitui elemento estratégico para a garantia do direito à educação e para o fortalecimento das comunidades” (p. 62). Ao promover a articulação entre universidade, escolas e comunidades, o projeto contribui para o fortalecimento das políticas públicas educacionais e para a construção de práticas pedagógicas comprometidas com a equidade educacional, consolidando a escola como espaço de produção de conhecimento, valorização cultural e desenvolvimento territorial.
A divulgação do projeto será realizada por meio dos canais institucionais da UFVJM, das Secretarias de Educação parceiras e das redes sociais, garantindo transparência e ampliando o alcance das ações formativas. A socialização das atividades e dos resultados contribui para o fortalecimento da política pública e para a valorização da Educação do Campo, conforme orientam as diretrizes nacionais da extensão universitária (FORPROEX, 2012).
O Programa Escola da Terra - UFVJM 2026 integra as ações da Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas, contribuindo para a formação continuada de professores e para o fortalecimento das escolas do campo, em consonância com as diretrizes do Ministério da Educação e com o compromisso institucional da universidade com a promoção da equidade educacional e do desenvolvimento territorial sustentável.
Materiais didáticos e edu-comunicacionais: publicações textuais, vídeos, pinturas e músicas
Caracterização do Curso ou Oficina
Aperfeiçoamento
180
O conteúdo programático organiza-se em módulos formativos que articulam fundamentos teóricos da Educação do Campo, organização do trabalho pedagógico em turmas multisseriadas, cultura, território, agroecologia e práticas pedagógicas contextualizadas, em consonância com as diretrizes do Programa Escola da Terra e com os princípios da Pedagogia da Alternância. Esses conteúdos visam fortalecer a compreensão crítica da realidade educacional e territorial, promovendo a articulação entre teoria e prática e contribuindo para a construção de propostas pedagógicas contextualizadas e socialmente referenciadas. Conforme afirma Caldart (2012, p. 263), a Educação do Campo exige processos formativos que articulem “educação, trabalho, cultura e território”, reconhecendo o papel da escola na formação integral dos sujeitos e na produção de conhecimentos vinculados aos territórios. A organização curricular estrutura-se em regime de alternância pedagógica, articulando o Tempo Universidade e o Tempo Escola-Comunidade, possibilitando que os cursistas desenvolvam estudos teóricos, investigação da realidade e intervenções pedagógicas em seus contextos de atuação. Essa organização favorece a reflexão crítica sobre a prática docente e a elaboração de propostas pedagógicas contextualizadas, em consonância com os objetivos formativos do Programa Escola da Terra.
As atividades específicas incluem encontros formativos presenciais, oficinas pedagógicas, estudos teóricos, diagnóstico territorial participativo, acompanhamento pedagógico no Tempo Escola-Comunidade, elaboração de sequências didáticas, produção de registros autobiográficos e sistematização das práticas pedagógicas. Essas atividades promovem a formação em serviço e fortalecem a articulação entre universidade e escola, possibilitando que os cursistas desenvolvam práticas pedagógicas contextualizadas e socialmente referenciadas, em consonância com as diretrizes do Programa Escola da Terra (SECADI/MEC, 2025).
A avaliação da aprendizagem será formativa, processual e participativa, considerando a participação nos encontros formativos, o desenvolvimento das atividades no Tempo Escola–Comunidade, a elaboração de propostas pedagógicas e a sistematização das experiências formativas. Essa abordagem compreende a avaliação como instrumento de reflexão e aprimoramento da prática docente, conforme defende Luckesi (2011), ao afirmar que a avaliação deve contribuir para a melhoria do processo educativo e não apenas para a verificação de resultados.
A avaliação da realização do curso será desenvolvida por meio do acompanhamento das atividades formativas, análise dos relatórios pedagógicos, reuniões de avaliação com a equipe formadora e aplicação de instrumentos de avaliação institucional. Esse processo permitirá identificar avanços, desafios e contribuições do projeto, assegurando sua qualidade pedagógica e sua coerência com os objetivos propostos, em consonância com as diretrizes do Programa Escola da Terra (SECADI/MEC, 2025).
Público-alvo
Professores/as de Escolas do Campo com turmas multisseriadas
Agentes Territoriais do Novo Pronacampo que atuam nos territórios de abrangência da UFVJM
Estudantes e pesquisadores da Educação do Campo da área de abrangência da UFVJM
Gestores das redes públicas de ensino da área de abrangência da UFVJM dos núcleos territoriais do Escola da Terra
Municípios Atendidos
Diamantina - MG
Araçuaí - MG
São Francisco - MG
Chapada do Norte - MG
Virgem da Lapa - MG
Montes Claros - MG
Monte Formoso - MG
Felisburgo - MG
Parcerias
O diálogo com as escolas e com as redes de ensino municipais e estaduais é fundamental para o bom desenvolvimento do projeto.
O Programa Escola da Terra faz parte da Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas e conta com o apoio técnico e financeiro da SECADI-MEC. O projeto, plano de trabalho e orçamento já foi aprovado pelo MEC.
O Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST é um dos principais movimentos sociais envolvidos na construção e implementação da política pública da Educação do Campo no Brasil. A parceria do Setor de Educação do MST é fundamental para a construção coletiva da proposta e implementação do curso de aperfeiçoamento Escola da Terra.
A associação TINGUI tem uma longa trajetória de trabalho com cultura e educação no Vale do Jequitinhonha e vem participando desde a construção da proposta do Escola da Terra 2026, assim como em outros projetos da UFVJM, principalmente no Programa do Encontro de Saberes.
A Rede Mineira de Educação do Campo é um espaço de diálogo e construção coletiva da Educação do Campo em Minas Gerais, através do diálogo com a Rede tem sido identificadas Escolas do Campo com perfil e interesse em se envolver na proposta do curso de aperfeiçoamento.
Cronograma de Atividades
Carga Horária Total: 404 h
- Manhã;
- Tarde;
PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO
- Manhã;
- Tarde;
Realização do CURSO DE APERFEIÇOAMENTO ESCOLA DA TERRA em alternância.
- Manhã;
- Tarde;
ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS ESCOLA DA TERRA MULTI a partir do trabalho do curso nos territórios. Os materiais educativos e culturais serão elaborados de forma colaborativa com professoras cursistas, com formadores e colaboradores em diversos formatos, papel, e-book, audiovisual, audio, murais, etc.
- Manhã;
- Tarde;
PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS SOBRE EDUCAÇÃO DO CAMPO