Visitante
O Vale do Jequitinhonha sob o olhar e a narrativa de Lori Figueiró
Sobre a Ação
202203001692
032022 - Ações
Projeto
RECOMENDADA
:
CONCLUÍDA - Com Relatório Final
01/01/2023
31/12/2025
Dados do Coordenador
rodrigo guimarães silva
Caracterização da Ação
Linguística, Letras e Artes
Cultura
Educação
Artes visuais
Nacional
Não
Não
Não
Dentro e Fora do campus
Tarde
Não
Membros
Nenhum membro cadastrado.
Elaborar, ao longo do ano de 2023, três curtas-metragens sobre a vida e a obra do fotógrafo Lori Figueiró, residente em São Gonçalo do Rio das Pedras e responsável pela criação, manutenção e divulgação do maior acervo fotográfico que diz respeito ao Baixo e Médio Vale do Jequitinhonha, sobretudo sobre suas tradições, festas, artesanato e saberes. Propõe-se ainda a veiculação dos referidos curtas-metragens nos espaços comunitários, acadêmicos e on line (youtube, facebook, Instagram, etc).
Lori Figueiró; Fotografia; Narrativa; Curta-metragem
A literatura de tradição oral (desdobrada em sua faceta de videonarrativa), muito frequentemente é relegada ao segundo plano ou mesmo desconsiderada completamente por eminentes críticos brasileiros que estudam a literatura escrita canônica. Ao reduzir os “causos” dos grandes narradores às manifestações folclóricas cuja autoria é anônima e considerada como objeto de “menor valor” em relação à literatura escrita e erudita, novamente percebe-se a reinstalação do preconceito platônico em que o Original (o texto inaugural, individual, autoral, escrito) tem primazia sobre a cópia (o texto da tradição coletiva, anônima e oral). Ora, os contadores de histórias e os narradores orais, ainda que se pautem por núcleos narrativos estruturais comuns, não simplesmente reiteram, de maneira acrítica, as histórias já contadas e consolidadas pela tradição. Pelo contrário, eles rasuram, remodelam e recriam ininterruptamente suas narrativas, fenômeno que já foi observado por Darcy Ribeiro em Diários Índios: Os Urubus-Kaapor. Verifica-se, portanto, nos relatos orais(como é o caso de Lori Figueiró ao narrar acontecimentos da vida das pessoas as quais ele fotografa) o lugar da diferença cultural, do hibridismo, da rasura de perspectivas e da produção de campos de força e de tensão histórica que se dão nos processos de enunciação (e não apenas o reconhecimento de conteúdos e costumes culturais cristalizados). No âmbito universitário, a contação de histórias, que adquiriu status nos portos acadêmicos como curso superior nas Universidades nos Estados Unidos (Story Teller Course), propõe-se a municiar os graduandos com um acervo amplo do contexto histórico e cultural onde as narrativas orais se alicerçam, bem como suas técnicas e estratégias utilizadas nos “falares” narrativos. Diferentemente dessaproposta, pretende-se neste projeto valorizar a literatura oral em sua vertente de videonarrativa, pois Lori Figueiró, embora seja reconhecido por seu trabalho de fotografia com mais de uma dezena de livros publicados sobre a temática do Vale do Jequitinhonha, também atua, de maneira ímpar, a “contação de história” dos sujeitos fotografados. Em um momento histórico de intensa transição cultural em que processos de massificação e de alienação social são alavancados e capitalizados pelos mecanismos de globalização econômica, política e cultural, os movimentos de resistência regional e local que revitalizam a memória cultural não só propiciam a ampliação da diversidade social e de sua valorização, mas possibilitam também minimizar desigualdades ou discursos hegemônicos, assim como fortalecer manifestações de expressões artísticas cada vez mais conscientes de suas facetas inclusivas, críticas e reflexivas em relação às realidades (progressivamente mais pluralizadas e heterogêneas na sociedade contemporânea). Nesse sentido, ao propormos construir, juntamente com o fotógrafo e narrador Lori Figueiró um conjunto de narrativas em que a dicção local se destaca, possibilitaremos profícuos processos de regionalização e de trocas vivenciais, cognitivas e de saberes entre os diferentes setores e sujeitos comunitários, assim como o alargamento e pluralização das referências históricas, culturais e identitárias de sujeitos que insistem em trazer autoria e singularidade para os seus relatos e “aconteceres”.
Atualmente, nos meses de julho e agosto de 2022, a UFVJM disponibiliza, no espaço Ágora, a exposição fotográfica de Lori Figueiró intitulada “Desde o chão do Jequitinhonha”. Nascido em Diamantina e residente em São Gonçalo do Rio das Pedras, Lori Figueiró, mediante mais de uma dezena de livros de fotografia publicados sob a forma impressa, todos relacionados ao Vale do Jequitinhonha, vem alcançando reconhecimento em algumas universidades brasileiras (UFMG, em destaque) e em tantos outros centros de cultura e espaços não governamentais. Reconhecido por ter construído, ao longo de mais de uma década de trabalho tenaz, o maior e mais significativo acervo fotográfico sobre o Baixo e o Médio Vale do Jequitinhonha, Figueiró também desenvolve trabalhos diretamente ligados às comunidades locais do Médio Jequitinhonha. Fundador do Centro de Cultura Memorial do Vale, organização não governamental com sede em São Gonçalo do Rio das Pedras, Figueiró participa, mediante parcerias consolidadas com órgãos governamentais e não governamentais, do registro da memória coletiva e das festividades locais. Mais do que fotografar pessoas, Lori Figueiró está consciente que o seu registro diz respeito ao “fim de uma era”, como ele costuma dizer. Assim como Sebastião Salgado em sua exposição intitulada “Trabalhadores” buscou registrar, ao longo de décadas e em diferentes países, as formas de manualidade do trabalho não mecanizado, Lori Figueiró, no Vale do Jequitinhonha, também efetua registros semelhantes, embora apresente, como principal diferencial, narrativas escritas e “contadas” sobre esses saberes. A dimensão de escritura comparece frequentemente em seus livros fotográficos, que contam com a presença de muitos textos e falas dos sujeitos fotografados. Já nas aberturas de suas exposições fotográficas, Lori suplementa suas imagens com narrativas e “contação” de histórias sobre os sujeitos fotografados por ele. E aí fotógrafo e narrador, um ombreando ao outro, tecem um mosaico com elementos específicos e complementares, em que a narrativa imagética se encontra com a da oralidade. Nossa proposta, por meio de três curstas- metragens sobre vida-e-obra de Figueiró, é de acrescentarmos fios a essa teia, elementos estes que possam também alcançarem os espaços on line. Nessa perspectiva, a videonarrativa aqui proposta almeja colocar em circulação dimensões estéticas, existenciais e políticas no complexo jogo do “poder dizer” para além dos estereótipos relacionados ao Vale do Jequitinhonha e dos reducionismos das manifestações parafolclóricas que se valem do exotismo com fins estritamente comercial e/ou de entretenimento. Além de ampliar a visibilidade do trabalho fotográfico de Lori Figueiró, propomos apresentar um fotógrafo que escreve, umescritor que narra e um narrador que está inteiramente ciente, como poucos, da dimensão política de seu trabalho.
Geral: Propiciar, mediante a produção de três curtas-metragens sobre a vida e a obra fotográfica de Lori Figueiró, manifestações de expressões artísticas de narrativas imagéticas (fotografias) e orais (relatos de Figueiró sobre as pessoas fotografadas por ele) relacionadas ao Vale do Jequitinhonha, bem como disponibilizar nas plataformas on line, mostras de cinema e de eventos acadêmicos e culturais os referidos curtas. Específico: Curta-metragem 01: Todo o processo de filmagem e de entrevistas com Lori Figueiró já foi efetuado. Realizar o processo de edição, musicalização e sonorização do material; Curta-metragem 02: O processo de filmagem e de entrevistas com depoentes que conhecem o trabalho de Figueiró também já foi realizado. Trabalhar o material na ilha de edição: processo de decupagem, edição, musicalização do curta (ainda a ser feito); Curta-metragem 03: Executar o processo de filmagem com relatos de Lori Figueiró sobre seus trabalhos após o ano de 2021. Efetuar todo o processo de edição, sonorização e musicalização do material, bem como a divulgação e disponibilização do mesmo em diferentes mídias. - Inscrever os curtas- metragens nas Mostras de Cinema Nacionais afins com as temáticas abordadas no projeto, tais como Mostra Curta Circuito de Cinema (Minas Gerais); Mostra de Cinema de Tiradentes (MG); Festival Kinoarte de Cinema (Londrina) Festicine Pantanal; Festival de Cinema de Campo Grande; Mostra de Filme Livre (RJ), entre outras que valorizam o cinema independente; - Ampliar e enriquecer, com material inédito, o acervo do patrimônio i-material do Baixo, Médio e Alto Jequitinhonha.
Previsão de impacto direto: Considerando como referência outro projeto também executado mediante Edital Procarte (12 curtas-metragens sobre os Narradores do Vale do Jequitinhonha) e que contou com mais de 4000 visualizações cada curta (somente na Plataforma Youtube), estima-se uma média de 10.000 visualizações por curta-metragem, totalizando 30.000 visualizações nas Plataformas Youtube e Facebook ao longo do primeiro ano de projeto; - Estima-se uma participação significativa nas mostras locais de filmes de depoentes e de indivíduos que foram fotografados por Figueiró que conhecem e participaram de trabalhos com o fotógrafo (300 pessoas); - Considerando o grande fluxo de alunos, professores e técnicos administrativos nos pavilhões de aula e nos eventos acadêmicos realizados na UFVJM (Sintegra, p.ex.), estima-se um número significativo de pessoas que poderão ser acessadas, mediante projeções fílmicas que serão disponibilizadas nos eventos específicos (1000 pessoas); - Estima-se, no final do projeto, mediante contato com lideranças locais das comunidades de abrangência do projeto a possibilidade de exposição do material fílmico nos espaços de convivência e de gargalo populacional desses lugarejos, portanto, estipula- se que um número ainda maior de pessoas terá contato com o acervo textual-imagético produzido no projeto, evidentemente em diferentes escalas de sensibilização e inserção (300 pessoas); - Acrescentam-se ainda os acessos aos links de comunidades on line que tematizam as culturas de tradição oral e de caráter regional e local) que serão contatados pela equipe do projeto; - Previsão de impacto indireto: Estima-se que parte expressiva da população da região que reside ou frequenta o Baixo, Médio e Alto Jequitinhonha será impactada direta e indiretamente pelo projeto através de futuras ações e produtos das atividades realizadas ao longo do projeto e, sobretudo, as sessões e mostras dos três curtas-metragens que serão promovidas ao longo de anos subsequentes após o término formal do projeto. Tais metas, portanto, serão alcançadas por meio de ações extensionistas socialmente comprometidas, pois será efetuada uma ampla divulgação da produção fílmica na região circunscrita por este projeto, valendo-se também da infraestrutura que a UFVJM atualmente nos disponibiliza em seus eventos comunitários e científicos (Sintegra), bem como a apresentação dos curtas-metragens nos festivais de cinema temáticos que ocorrem em diversas localidades brasileiras. Indicadores de acompanhamento: Os indicadores de acompanhamento tanto das diferentes etapas de produção dos três curtas-metragens quanto da veiculação de seus produtos (os referidos curtas) serão de caráter quantitativo e qualitativo (valendo-se de estimativas de público nas sessões de vídeos e possíveis disseminadores de informação): - No caso dos três curtas-metragens que serão veiculados naPlataforma do youtube, Facebook, Instagram, Vimeo, entre outras, um indicador de tipo quantitativo é disponibilizado pela própria mídia. Como se sabe, o número de acessos são registrados e disponibilizados na página do provedor; - Nos eventos realizados na UFVJM (Sintegra), em Festivais Culturais e Festivais de Inverno realizados no Alto Jequitinhonha e regiões próximas (Ouro Preto, Milho Verde, Araçuaí, entre outras), o número de telespectadores será contabilizado por processos de estimativas de público presente nas sessões e mostras de curtas-metragens. Enfim, o aperfeiçoamento dos instrumentos de avaliação, aferição quantitativa e qualitativa da recepção do projeto, os indicadores e estimativas de público e mobilização social, será uma constante ao longo da vigência do projeto e nos primeiros anos subsequentes ao término formal do mesmo.
Para a realização deste projeto será necessário o cumprimento de várias e diferenciadas etapas metodológicas, cada uma delas exigindo direcionamentos e instrumentais específicos: 1) seleção de discente bolsista interessado em trabalhar no projeto, considerando que alguns estudantes da UFVJM, com larga experiência na área de fotografia e filmagem, já atuam em projetos de videonarrativas coordenados pelo proponente da presente proposta; 2) levantamento e revisão de bibliografia específica acerca da ampla temática que aborda o complexo sistema das videonarrativas, das narrativas orais e da “contação” de histórias. Estudo de obras relacionadas às tradições orais e à questão da “oralitura” e da “Voz/letra”; 3) Agendar, juntamente com o bolsista e colaboradores do projeto, visitas à residência de Lori Figueiró e aos sujeitos fotografados por ele, sobretudo aqueles que moram nas imediações de São Gonçalo do Rio das Pedras; 4) Levantamento prévio de possíveis depoentes que conhecem o trabalho de Lori Figueiró; 5) Capacitar e instrumentalizar, mediante oficinas de vídeos, os discentes e colaboradores do projeto para que venham a elaborar textos-imagens que possam ser veiculados em diferentes mídias (as referidas oficinas serão conduzidas pelo proponente do presente projeto, objetivando a familiarização dos participantes com o equipamento que será disponibilizado, o manuseio técnico de captação de som, iluminação, edição de vídeo (Adobe Premiere Pro cc), bem como a formação estética e sociocultural necessária para melhor compreensão das especificidades da história e tradições locais, considerando a pluralidade de olhares e visão de mundo como princípio ético e teórico-metodológico que norteia este projeto; 6) Investigar e discutir a possibilidade de mostras de filmes (curtas-metragens) sobre a temática das tradições locais e dos festejos que poderão ser veiculados nas comunidades abordadas, em suas respectivas associações comunitárias situadas nas áreas onde os narradores vivem e atuam; 7) Contatar e sensibilizar as lideranças locais para que as narrativas fílmicas produzidas ao longo do projeto possam ser apresentadas nesses locais de escasso acesso à informação; 8) Encaminhar os curtas-metragens para processos de seleção e apresentação em mostras de cinema regionais e nacionais.
EVARISTO, Conceição. Olhos D’água. Rio de Janeiro: Pallas Fundação, 2016. FIGUEIRÓ, Lori. Acender do barro. Belo Horizonte: Ramalhete, 2018. FIGUEIRÓ, Lori. Louvores, louvores, os tambores do Rosário. Belo Horizonte: Ramalhete, 2019. FIGUEIRÓ, Lori. Sementes da terra maturada. Belo Horizonte: Ramalhete, 2017. MACIEL, Esther. Textos à flor da tela: Relações entre literatura e cinema. Belo Horizonte: Editora da Ufmg, 2004. PAZ, Octavio. O arco e a lira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: uma outra história das músicas. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. ZUNTHOR, Paul: Introdução à poesia oral. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.
O discente da área de Humanidades, e campos afins possui formação acadêmica adequada para contribuir significativamente com o presente projeto tendo em vista sua formação interdisciplinar (no caso da Humanidades) através da qual poderá construir reflexões teóricas e propor atividades práticas de abordagem de sujeitos acerca da temática das tradições orais. A temática do projeto dialoga diretamente com diferentes áreas epistemológicas do conhecimento e diversos saberes presentes propiciados no curso de Humanidades e na Licenciatura em Letras: História, Geografia, Antropologia, Sociologia, entre outras. O projeto possibilita a práxis necessária para contribuir significativamente com a formação do possível bolsista ao permiti-lo associar, através das atividades realizadas, teorias e práticas em um intrincado tecido existencial e de contato direto com os narradores locais. A construção, no cotidiano acadêmico, da integração entre os pilares ensino-pesquisa-extensão permitirá ao estudante, neste projeto, ampliar seu horizonte interpretativo incorporando em seu fazer e reflexão artística e sociopolítica, a diversidade de interesses, olhares e perspectivas presentes em diferentes grupos sociais da região do Jequitinhonha. Conhecer outros “dizeres e fazeres das construções identitárias dos narradores do Jequitinhonha, aspectos de suas subjetividades e visão de mundo, bem como variadas formas de organização artística, discursiva, identitária e de poder, todas essaspossibilidades, poderão ampliar os pressupostos intelectuais, epistemológicos, artísticos e os campos afetivos e de fruição estética dos discentes participantes do projeto (bolsista e colaboradores). O projeto efetuará reuniões frequentes com o discente bolsista e eventuais colaboradores nas quais as atividades serão planejadas e avaliadas; os materiais bibliográficos serão debatidos permanentemente, assim como as vivências de campo nos processos de filmagens que serão compartilhadas e problematizadas em constante relação com a teoria. Em todas as atividades do projeto, distribuídas ao longo do período de um ano, o bolsista e colaboradores serão capacitados pelo coordenador da presente proposta para fins de compreender e refletir teoricamente sobre a temática trabalhada, sobretudo no quesito planejamento, organização e execução de atividades de campo. O discente bolsista participará da realização de todas as atividades do projeto efetuando as seguintes atividades: 1) Reflexão teórica sobre a temática dos saberes regionais e locais dos narradores; 2) Execução das apresentações dos produtos do projeto nos festivais e eventos acadêmicos afins, (resolver questões práticas associadas a preparação de mostras de curtas, contactar lideranças locais e espaços de veiculação das videonarrativas; inscrever os curtas em Mostras e Festivais de Cinema); 3) O discente será acompanhado pelo coordenador do projeto que analisará comprometimento, frequência nas reuniões (virtuais e presenciais), dedicação à realização das atividades e, em especial, desenvolvimento da capacidade de associação entre ensino, pesquisa e extensão; 4) O estudante participará, juntamente com o coordenador da proposta, do relatório final referente às etapas, desenvolvimento e resultados alcançados pelo projeto.
Público-alvo
Nenhuma público-alvo cadastrado.
Municípios Atendidos
Nenhum município cadastrado.
Parcerias
Nenhuma parceria inserida.
Cronograma de Atividades
Carga Horária Total: 0 h
Nenhuma atividade inserida.