Visitante
Projeto GAIA: Geociências, Arte, Interdisciplinaridade e Aprendizagem
Sobre a Ação
202203001700
032022 - Ações
Projeto
RECOMENDADA
:
EM ANDAMENTO - Normal
23/04/2026
22/04/2031
Dados do Coordenador
danielle piuzana mucida
Caracterização da Ação
Ciências Exatas e da Terra
Educação
Meio Ambiente
Espaços de ciência
Municipal
Não
Não
Não
Dentro e Fora do campus
Integral
Sim
Redes Sociais
Membros
O Projeto GAIA, alinhado à Resolução CNE/CES nº 7/2018 e à CONSEPE/UFVJM nº 02/2021, orienta a UC Extensão I (bacharelado) e Extensão 1 - Vivência Escolar (licenciatura), integrando Cartografia, Geotecnologias e Fundamentos de Geologia no 1º período dos cursos de Geografia da UFVJM. Estruturado em ciclos temáticos (Diamantes, Paisagem, Geodiversidade, Bacias e Unidades de Conservação), produz materiais de divulgação científica voltados à comunidade, promovendo interação social transformadora.
Extensão universitária; Divulgação científica; Geociências; Cartografia; Geodiversidade; Educação ambiental
O Projeto GAIA foi concebido em 2011 como um espaço de práticas lúdicas voltadas ao ensino não formal de Geociências, Geografia e áreas afins, vinculado à Licenciatura em Geografia da UFVJM. Ao longo de mais de uma década, o projeto consolidou núcleos de exposição que abrangem desde o Sistema Solar e o Tempo Geológico, Tectônica de Placas, Paleontologia, Rochas e Minerais, Biomas Brasileiros, entre outros temas, confeccionados com materiais recicláveis e de fácil aquisição. Cerca de 15.500 pessoas participaram de suas atividades (2011 A 2026) e mais de 400 bolsistas voluntários colaboraram com o projeto. No contexto da curricularização da extensão, estabelecida pela Resolução CNE/CES nº 7/2018 e regulamentada institucionalmente, o GAIA é reformulado para atuar como projeto norteador da Unidade Curricular Extensão 1, articulando-se diretamente com as disciplinas de Cartografia e Geotecnologias e Fundamentos de Geologia. Essa reformulação amplia o papel do projeto ao integrá-lo simultaneamente: - à formação do bacharel em Geografia, com ênfase em análise espacial, geotecnologias e leitura territorial; - à formação do licenciado em Geografia, com ênfase na vivência escolar, mediação pedagógica e transposição didática. Assim, o GAIA passa a operar como um ambiente formativo híbrido, no qual ensino, pesquisa e extensão se articulam na produção de materiais de divulgação científica com devolutiva social, estruturados em ciclos temáticos anuais vinculados à realidade do Vale do Jequitinhonha e da Serra do Espinhaço. A reformulação estrutura o projeto em cinco ciclos temáticos anuais – Unidades de Conservação, Paisagem, Geodiversidade, Bacias Hidrográficas e Diamantes –, todos com devolutiva social na forma de material de divulgação científica, fortalecendo a dimensão extensionista e a formação integral do licenciando e do bacharel em Geografia.
A formação em Geografia, tanto no bacharelado quanto na licenciatura, enfrenta desafios relacionados à fragmentação dos conteúdos e à dificuldade de articulação entre teoria, prática e realidade territorial. No ensino básico, essa problemática se intensifica diante da redução e reorganização dos conteúdos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), especialmente no que se refere às Geociências. Nesse contexto, conceitos fundamentais como tempo geológico, geodiversidade, dinâmica da Terra e leitura da paisagem permanecem frequentemente abstratos e distantes da experiência dos estudantes. Paralelamente, a formação inicial de professores ainda carece de espaços estruturados que promovam a vivência escolar articulada à prática extensionista, enquanto a formação do bacharel demanda maior integração entre análise territorial, comunicação científica e atuação social. O Projeto GAIA responde a essas lacunas ao constituir-se como um dispositivo pedagógico-extensionista, que: - aproxima o conhecimento científico da realidade vivida; - valoriza o território como espaço educativo; - integra saberes acadêmicos e saberes locais; - promove a produção de materiais didáticos contextualizados. Inserido na realidade da Serra do Espinhaço e do Vale do Jequitinhonha, o projeto potencializa a formação do geógrafo ao mobilizar um território marcado por elevada geodiversidade, diversidade paisagística e relevância histórico-cultural. Esse contexto territorial oferece condições ímpares para a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, conforme preconizado pela Resolução CNE/CES nº 7/2018 (Art. 5º), que estrutura as diretrizes da extensão em torno da interação dialógica, interdisciplinaridade, indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, impacto na formação do estudante e transformação social. A integração interdisciplinar com Cartografia e Geotecnologias e Fundamentos de Geologia potencializa a formação do geógrafo ao unir letramento geoespacial (escalas, projeções, SIG, sensoriamento remoto) à compreensão da dinâmica terrestre (mineralogia, tipos de rochas, tectônica de placas), traduzidos em produtos de divulgação científica com devolutiva social. A perspectiva CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) e o conceito de Capital Geográfico, presentes nas ementas dessas disciplinas, orientam a mobilização de dados e experiências locais para análises com retorno social, formando geógrafos críticos e capazes de comunicar evidências com rigor.
O Objetivo Geral é Integrar extensão, ensino e pesquisa por meio da produção de material de divulgação científica em Geociências, articulando as disciplinas de Cartografia e Geotecnologias e Fundamentos de Geologia no âmbito da UC Extensão 1, em conformidade com a Resolução CNE/CES nº 7/2018 e a Resolução CONSEPE/UFVJM nº 02/2021, promovendo a interação transformadora entre a universidade e a comunidade regional. Para alncar o objetivo geral, tem-se como objetivos específicos: 1. Produzir, de forma interdisciplinar, materiais de divulgação científica em Geociências, articulando cartografia, análise espacial e fundamentos geológicos; 2. Desenvolver competências de leitura e representação do espaço geográfico, integrando geotecnologias, trabalho de campo e análise territorial; 3. Promover a vivência extensionista com inserção em contextos escolares, especialmente para os estudantes da licenciatura, favorecendo a articulação com a BNCC; 4. Estimular a comunicação científica acessível por meio de linguagens diversas (visual, artística, cartográfica e digital); 5. Integrar ensino, pesquisa e extensão na produção de conhecimento aplicado ao território; 6. Fortalecer a formação cidadã e crítica dos estudantes, com foco em questões socioambientais contemporâneas.
As metas do Projeto GAIA estão estruturadas de modo a garantir a efetividade da curricularização da extensão, a integração entre ensino, pesquisa e extensão, e o impacto formativo e social das ações desenvolvidas. 1) Metas Formativas (Estudantes): Garantir a participação dos discentes matriculados nas UCs Extensão I e Extensão 1 - Vivência escolar nas atividades do Projeto GAIA; Desenvolver, ao longo do semestre, competências relacionadas a: leitura e análise do território; comunicação científica; mediação de saberes; trabalho em equipe e interdisciplinaridade; Promover a inserção dos estudantes da licenciatura em contextos escolares reais, por meio da Vivência Escolar; Assegurar que os estudantes do bacharelado participem de atividades de análise territorial e produção de materiais técnicos. 2) Metas de Produção Extensionista: produzir, a cada ciclo anual, no mínimo 3 produtos de divulgação científica, podendo incluir: cartilhas, mapas temáticos, maquetes, infográficos, vídeos ou exposições; Desenvolver pelo menos 1 material didático diretamente alinhado à BNCC, voltado à educação básica; Elaborar materiais com linguagem acessível e potencial de replicação em contextos escolares e comunitários; Disponibilizar os materiais produzidos em formato digital aberto (repositório institucional e/ou redes do projeto). 3) Metas de Ação Extensionista: Realizar no mínimo 2 ações extensionistas por ciclo, incluindo: exposições itinerantes, oficinas em escolas, eventos científicos ou comunitários; Atender, anualmente, mínimo de 200 participantes externos, entre estudantes, professores e comunidade em geral; Estabelecer interação direta com pelo menos 2 escolas da educação básica por ciclo; Promover ações no Espaço GAIA e em ambientes externos (território). 4) Metas Acadêmico-Científicas Produzir, por ciclo, no mínimo 2 trabalhos acadêmicos, tais como: resumos em eventos, relatos de experiência, artigos científicos; Estimular a vinculação das ações do GAIA a Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC); projetos de iniciação científica; projetos de extensão registrados no sistema institucional (PROEXC/SIEXC). 5) Metas de Impacto Social (ODS): contribuir diretamente para os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: ODS 4 (Educação de Qualidade); ODS 10 (Redução das Desigualdades); ODS 11 (Cidades Sustentáveis); ODS 13 (Ação Climática); ODS 15 (Vida Terrestre); Ampliar o acesso ao conhecimento geocientífico em comunidades escolares da região do Vale do Jequitinhonha; Promover a valorização do território da Serra do Espinhaço como patrimônio natural, cultural e educativo; Estimular mudanças de percepção e comportamento em relação às questões socioambientais. 6) Metas de Avaliação e Monitoramento: aplicar instrumentos de avaliação ao final de cada ciclo, incluindo: feedback da comunidade atendida; autoavaliação discente; avaliação dos produtos gerados; Monitorar indicadores como: número de participantes; alcance das ações; uso dos materiais produzidos; impacto percebido pela comunidade; Produzir relatório ( sistematizado do Projeto GAIA.
A metodologia do Projeto GAIA estrutura-se a partir de uma abordagem ativa, interdisciplinar, territorializada e extensionista, fundamentada nos princípios da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e nas diretrizes da Resolução CNE/CES nº 7/2018. O processo metodológico organiza-se em cinco etapas articuladas, desenvolvidas ao longo do ciclo anual, integrando as especificidades formativas do bacharelado e da licenciatura em Geografia, especialmente no âmbito da UC Extensão 1 e da Extensão 1 – Vivência Escolar. Etapa 1 – Diagnóstico e Planejamento Participativo No início de cada ciclo, os discentes da UC Extensão 1 (Bacharelado) e Extensão I - Vicência Escolar (Licenciatura) orientados pelo docente, realizam diagnóstico territorial do eixo temático do ano. Nesta etapa inicial, os discentes realizam o reconhecimento do território e das demandas sociais associadas ao eixo temático do ciclo. São mobilizadas ferramentas de Cartografia e Geotecnologias, como: (i) análise de imagens de satélite, (ii) uso de SIG, (iii) levantamentos com GPS e a (iv) leitura cartográfica multiescalar. Simultaneamente, são incorporados conhecimentos de Fundamentos de Geologia, incluindo: (i) identificação de rochas e minerais, (ii) reconhecimento de feições geomorfológicas, e (iii) interpretação de processos geodinâmicos. A diferenciação formativa será que para a Licenciatura haverá a realização de diagnóstico escolar, com aproximação às escolas parceiras, identificação de demandas pedagógicas e análise da BNCC. Já no Bacharelado, será dada ênfase na leitura técnica do território, análise espacial e levantamento de dados georreferenciados. Etapa 2 – Produção Interdisciplinar de Material Com base no diagnóstico, os discentes elaboram o material de divulgação científica do ano: cartilhas, mapas temáticos, maquetes, infográficos, vídeos, jogos didáticos e exposições. A ludicidade e a arte são recursos centrais para tornar conceitos geocientíficos acessíveis, conforme a tradição pedagógica do GAIA (Compiani, 2006; Santos et al., 2021). Os produtos integram dados cartográficos (escalas, projeções, representações geoespaciais) e informações geológicas (litologia, tempo geológico, processos endógenos e exógenos), assegurando a interdisciplinaridade. A diferenciação formativa será, para a licenciatura, a articulação dos conteúdos com a BNCC, planejamento pedagógico e reflexão sobre transposição didática. Para o bacharelado haverá aprofundamento técnico-científico, com ênfase em análise territorial, interpretação de dados e construção de diagnósticos. Etapa 3 – Ação Extensionista e Devolutiva Social A devolutiva social configura a interação transformadora exigida pelo Art. 7º da Resolução CNE/CES nº 7/2018. Com base na etapa anterior, os discentes elaboram produtos de divulgação científica e materiais didáticos, tais como: cartilhas, mapas temáticos, maquetes, infográficos, vídeos, jogos didáticos, exposições. A produção valoriza a linguagem acessível, a ludicidade e a comunicação científica, características centrais do Projeto GAIA. Quanto à diferenciação formativa, no caso dos Licenciandos, a elaboração de materiais pedagógicos alinhados à educação básica, com foco em mediação e ensino, ou seja, os licenciandos atuam como mediadores e monitores, exercitando a transposição didática e a comunicação científica. Já para os bacharelandos, a produção de materiais técnico-científicos e cartográficos, com rigor analítico e representação espacial. Etapa 4 – Ação Extensionista e Vivência com a Comunidade Os materiais produzidos são aplicados em ações extensionistas junto à comunidade externa, incluindo: 1) escolas públicas e privadas, 2) eventos culturais e institucionais, 3) exposições no Espaço GAIA, 3) atividades itinerantes. Essa etapa configura a interação dialógica e a devolutiva social, conforme previsto nas diretrizes da extensão universitária. No caso da Licenciatura (Vivência Escolar), há uma atuação direta em contextos escolares; desenvolvimento de práticas pedagógicas e a mediação do conhecimento com estudantes da educação básica. Para o Bacharelado, haverá a atuação em processos de comunicação científica; apresentação de dados e produtos técnicos; interação com diferentes públicos e contextos territoriais. Etapa 5 – Avaliação, Sistematização e Produção Acadêmica Ao final do ciclo, realiza-se a avaliação integrada do processo, considerando: i) participação e engajamento dos discentes; ii) qualidade técnica e pedagógica dos materiais produzidos; iii) impacto das ações junto à comunidade; iv) reflexão crítica sobre o processo formativo.No caso da Licenciatura, a formação vincula ao processo de reflexão sobre a prática docente e processos de ensino-aprendizagem. E no bacharelado, à sistematização técnica e análise crítica dos resultados territoriais e metodológicos, ambos com registros institucionais junto à PROEXC.
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A interação dialógica constitui um dos princípios estruturantes do Projeto GAIA, orientando a concepção, o desenvolvimento e a avaliação de todas as ações extensionistas vinculadas à Unidade Curricular Extensão 1 e Extensão I - Vivência Escolar. Em consonância com a Resolução CNE/CES nº 7/2018, essa diretriz compreende a extensão universitária como um processo de troca horizontal de saberes, no qual universidade e sociedade constroem, de forma conjunta, conhecimentos, práticas e soluções socialmente relevantes. No âmbito do Projeto GAIA, a interação dialógica supera a lógica tradicional de transferência unilateral de conhecimento, baseada na ideia de que a universidade detém o saber e o transmite à comunidade. Ao contrário, assume-se que os diferentes sujeitos envolvidos — estudantes, professores, comunidades escolares, moradores locais, visitantes e demais atores sociais — são portadores de saberes legítimos, produzidos em suas experiências com o território, com a natureza e com a cultura. Essa perspectiva é especialmente relevante no contexto do Vale do Jequitinhonha e da Serra do Espinhaço, onde o conhecimento local sobre a paisagem, os recursos naturais, os usos do território e a memória histórica constitui um elemento fundamental para a compreensão dos fenômenos geográficos e geocientíficos. Assim, o Projeto GAIA reconhece e valoriza esses saberes como parte integrante do processo formativo. A interação dialógica materializa-se, metodologicamente, em diferentes momentos do projeto: 1) no diagnóstico, por meio da escuta ativa de demandas e percepções da comunidade escolar e local; 2) na produção dos materiais, incorporando referências culturais, linguagens acessíveis e problemáticas reais do território; 3) nas ações extensionistas, através da mediação participativa, em que os sujeitos externos não apenas recebem informações, mas dialogam, questionam, interpretam e contribuem com os conteúdos; 4) na avaliação, considerando o retorno da comunidade como elemento central para reorientação das práticas. No caso específico da licenciatura, a interação dialógica assume ainda um papel formativo fundamental, ao inserir os discentes em contextos escolares reais, promovendo a articulação entre teoria, prática e realidade educacional. Já no bacharelado, essa diretriz contribui para o desenvolvimento da capacidade de comunicação científica e de atuação em contextos sociais diversos, ampliando a compreensão do território como espaço vivido e compartilhado. Dessa forma, a interação dialógica no Projeto GAIA configura-se como uma aliança colaborativa entre universidade e sociedade, na qual diferentes formas de conhecimento se encontram e se transformam mutuamente. Esse processo não apenas qualifica a formação dos estudantes, mas também fortalece o papel social da universidade pública, contribuindo para a democratização do conhecimento e para a construção coletiva de uma leitura crítica e situada do espaço geográfico.
A interdisciplinaridade e a interprofissionalidade constituem princípios estruturantes do Projeto GAIA, orientando a integração entre saberes, práticas e sujeitos no desenvolvimento das ações extensionistas. Em consonância com as diretrizes da extensão universitária (Resolução CNE/CES nº 7/2018), essas abordagens buscam superar a fragmentação do conhecimento, promovendo uma compreensão mais ampla, integrada e contextualizada do espaço geográfico. No âmbito do projeto, a interdisciplinaridade se materializa, primeiramente, na articulação entre as disciplinas de Cartografia e Geotecnologias e Fundamentos de Geologia, que compõem o eixo estruturante da Unidade Curricular Extensão 1 e e Extensão I - Vivência Escolar. Essa integração possibilita ao estudante compreender o território de forma relacional, conectando: a leitura e representação do espaço (cartografia, SIG, sensoriamento remoto); a dinâmica da Terra (litologia, processos geológicos, tempo geológico) e as interações entre sociedade e natureza. Essa abordagem permite que conceitos tradicionalmente trabalhados de forma isolada sejam mobilizados de maneira integrada na análise de fenômenos territoriais concretos, especialmente no contexto do Vale do Jequitinhonha e da Serra do Espinhaço, onde a geodiversidade, a paisagem e os processos socioambientais se articulam de forma complexa. Para além da integração entre componentes curriculares, o Projeto GAIA amplia essa perspectiva ao incorporar diferentes áreas do conhecimento, como Biologia, Turismo, Antropologia, Arqueologia e Educação, especialmente na construção dos materiais de divulgação científica e nas ações extensionistas. Essa ampliação interdisciplinar favorece a construção de leituras múltiplas do território, reconhecendo sua dimensão natural, cultural, histórica e social. A interprofissionalidade, por sua vez, manifesta-se na colaboração entre diferentes sujeitos e campos de atuação, envolvendo docentes de distintas áreas de formação; estudantes de diferentes níveis (graduação e pós-graduação); profissionais da educação básica; agentes culturais e ambientais; comunidades locais. Essa diversidade de atores promove a construção coletiva do conhecimento e o desenvolvimento de práticas mais integradas e socialmente relevantes, reconhecendo que os desafios contemporâneos — especialmente aqueles relacionados às questões socioambientais — demandam abordagens que ultrapassem os limites de uma única área ou profissão. No processo formativo, a interdisciplinaridade e a interprofissionalidade assumem papéis específicos conforme a modalidade do curso. No caso da licenciatura, favorecem a construção de práticas pedagógicas integradas, alinhadas à BNCC, estimulando o futuro professor a trabalhar conteúdos de forma contextualizada e articulada com outras áreas do conhecimento. No bacharelado contribui para o desenvolvimento de competências analíticas e técnicas, permitindo a atuação em contextos complexos de planejamento territorial, análise ambiental e gestão de informações geoespaciais. Assim, no Projeto GAIA, a interdisciplinaridade e a interprofissionalidade não se configuram apenas como estratégias metodológicas, mas como fundamentos epistemológicos e formativos, que orientam a produção de conhecimento, a prática extensionista e a formação de geógrafos capazes de compreender e intervir criticamente na realidade.
A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão constitui um princípio estruturante da educação superior brasileira, estabelecido no Art. 207 da Constituição Federal de 1988, e orienta de forma central a concepção e a operacionalização do Projeto GAIA. Esse princípio determina que as atividades universitárias não devem ocorrer de forma isolada, mas sim integradas, de modo a garantir a qualidade da formação acadêmica e sua relevância social. No âmbito do Projeto GAIA, essa indissociabilidade materializa-se como um processo dinâmico e contínuo, no qual os três eixos se alimentam mutuamente, estruturando a formação dos estudantes e a produção de conhecimento aplicada ao território. O ensino constitui o ponto de partida, por meio dos conteúdos trabalhados nas disciplinas de Cartografia e Geotecnologias e Fundamentos de Geologia, que fornecem os referenciais teóricos e metodológicos necessários para a compreensão do espaço geográfico. Esses conteúdos são continuamente ressignificados ao serem mobilizados em situações concretas, especialmente nas atividades de campo, nos diagnósticos territoriais e na produção de materiais didáticos. Portanto, conteúdos teóricos das disciplinas do 1º período alimentam a pesquisa de campo e a produção de materiais (ensino); os dados levantados geram conhecimento originário (pesquisa); e os produtos resultantes são compartilhados com a comunidade externa (extensão). Esse ciclo virtuoso é registrado nos planos de ensino, conforme Art. 6º, §1º e §2º da Resolução CONSEPE/UFVJM nº 02/2021. A pesquisa emerge como desdobramento das problematizações construídas ao longo do processo formativo, especialmente a partir da leitura do território e das demandas identificadas junto à comunidade. Os dados coletados, as análises realizadas e as interpretações produzidas pelos discentes configuram processos investigativos que contribuem para a produção de conhecimento, frequentemente sistematizados em relatórios, trabalhos de conclusão de curso, resumos e artigos científicos. A extensão, por sua vez, constitui o eixo de articulação com a sociedade, no qual o conhecimento produzido é compartilhado, tensionado e reconstruído em interação com diferentes públicos. No Projeto GAIA, essa dimensão se concretiza por meio de exposições, oficinas, materiais de divulgação científica e ações em escolas e comunidades, configurando a devolutiva social e a interação transformadora preconizadas pelas diretrizes nacionais. Essa integração entre ensino, pesquisa e extensão ocorre de forma estruturada nas etapas metodológicas do projeto: o ensino fundamenta o diagnóstico e a construção conceitual; a pesquisa orienta a análise territorial e a produção de conhecimento; a extensão promove a aplicação social e a circulação dos saberes produzidos. Ou seja, no processo formativo, essa indissociabilidade assume características específicas conforme a modalidade do curso: Na licenciatura, fortalece a articulação entre teoria e prática pedagógica, permitindo que o estudante vivencie o processo de ensino-aprendizagem em contextos reais, ao mesmo tempo em que investiga e reflete sobre sua própria prática docente; No bacharelado, possibilita a integração entre análise técnica, investigação científica e atuação social, preparando o estudante para compreender o território de forma crítica e intervir de maneira qualificada em diferentes contextos profissionais. Dessa forma, o Projeto GAIA configura-se como um ambiente formativo no qual ensino, pesquisa e extensão não apenas coexistem, mas se constituem de maneira indissociável, promovendo uma formação integral, crítica e socialmente comprometida. Ao articular esses três eixos, o projeto reafirma o papel da universidade pública como espaço de produção de conhecimento, formação cidadã e transformação social.
O impacto na formação do estudante constitui uma das diretrizes fundamentais da extensão universitária no Brasil, conforme estabelecido pelo Política Nacional de Extensão Universitária (PNEU), consolidado pelo FORPROEX e incorporado às diretrizes do Ministério da Educação. No contexto da curricularização da extensão, esse princípio assume centralidade ao reconhecer que a formação acadêmica deve ultrapassar a dimensão exclusivamente teórica, integrando experiências práticas, sociais e profissionais ao percurso formativo. No Projeto GAIA, essa diretriz se concretiza por meio de uma abordagem formativa baseada na práxis, entendida como a articulação indissociável entre teoria e prática. Os conhecimentos construídos nas disciplinas de Cartografia e Geotecnologias e Fundamentos de Geologia são mobilizados em situações reais, especialmente na leitura do território, na produção de materiais de divulgação científica e na atuação junto à comunidade. Dessa forma, o estudante não apenas compreende conceitos, mas os aplica, ressignifica e reconstrói em contextos concretos. A inserção direta dos discentes em ações extensionistas promove o desenvolvimento de uma formação cidadã, pautada na reflexão crítica sobre as relações entre sociedade e natureza, nas desigualdades territoriais e nos desafios socioambientais contemporâneos. Ao interagir com escolas, comunidades e diferentes públicos, os estudantes ampliam sua compreensão da realidade social, cultural e econômica, fortalecendo valores éticos, responsabilidade social e compromisso com a transformação da realidade. O Projeto GAIA também contribui significativamente para o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais como 1) comunicação científica em linguagem acessível; 2) trabalho em equipe e colaboração interdisciplinar; 3) planejamento e execução de atividades educativas e técnicas; 4) capacidade de análise territorial e resolução de problemas; 5) autonomia intelectual e protagonismo estudantil. No contexto da curricularização da extensão, conforme previsto na Resolução CNE/CES nº 7/2018, esse impacto formativo deixa de ser complementar e passa a constituir parte integrante e obrigatória da formação. A Unidade Curricular Extensão 1, articulada ao Projeto GAIA, assegura que os estudantes vivenciem experiências extensionistas desde o início do curso, promovendo uma formação mais integrada, contínua e significativa. Outro aspecto central dessa diretriz é o reconhecimento da extensão como um processo de aprendizado mútuo. No Projeto GAIA, a relação entre universidade e sociedade configura-se como uma via de mão dupla, na qual os estudantes não apenas compartilham conhecimentos, mas também aprendem com os saberes locais, com as experiências dos sujeitos e com as múltiplas formas de compreender o território. Esse processo amplia a sensibilidade dos discentes e contribui para a construção de uma formação mais humana, situada e plural. No que se refere às especificidades formativas, na licenciatura, o impacto manifesta-se na consolidação da identidade docente, por meio da vivência escolar, da mediação pedagógica e da articulação com a BNCC, favorecendo a construção de práticas de ensino contextualizadas e críticas; No bacharelado, o impacto se expressa no fortalecimento das competências técnicas e analíticas, associadas à leitura do território, ao uso de geotecnologias e à comunicação científica aplicada a diferentes contextos sociais. Dessa forma, o Projeto GAIA promove uma formação integral, que articula conhecimento técnico-científico, prática profissional e sensibilidade social, contribuindo para a formação de geógrafos capazes de compreender e intervir de maneira crítica, ética e qualificada na realidade. Ao integrar a extensão ao currículo, o projeto reafirma seu papel como espaço formativo privilegiado, no qual o estudante aprende fazendo, refletindo e dialogando com o mundo.
O impacto e a transformação social constituem uma das diretrizes centrais da extensão universitária, conforme estabelecido pelo FORPROEX (Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições de Educação Superior Públicas Brasileiras), orientando as ações extensionistas para além de uma perspectiva assistencialista, em direção a processos efetivos de mudança social. Essa diretriz compreende a extensão como uma prática intencional voltada à produção de efeitos concretos e duradouros na sociedade, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, a redução de desigualdades e o desenvolvimento social e regional. No âmbito do Projeto GAIA, o impacto social refere-se ao conjunto de efeitos gerados pelas ações extensionistas na vida dos sujeitos e comunidades envolvidas, enquanto a transformação social é compreendida como um processo contínuo de mudança nas formas de compreender, viver e interagir com o espaço geográfico, influenciando práticas, valores e relações sociais. Essas ações alinham-se diretamente aos princípios e metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente no que se refere à promoção de uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável. No contexto do Projeto GAIA, destacam-se as seguintes contribuições: ODS 4 – Educação de Qualidade: ao promover a democratização do conhecimento em Geociências e Geografia por meio de materiais didáticos acessíveis, práticas pedagógicas inovadoras e formação de professores; ODS 10 – Redução das Desigualdades: ao ampliar o acesso ao conhecimento científico em regiões historicamente vulnerabilizadas, como o Vale do Jequitinhonha, fortalecendo a inclusão educacional e social; ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis: ao valorizar o território, a paisagem e o patrimônio geológico e cultural, incentivando a construção de identidades territoriais e práticas sustentáveis; ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima: ao sensibilizar a comunidade para questões ambientais e climáticas, promovendo a compreensão dos processos naturais e das ações antrópicas; ODS 15 – Vida Terrestre: ao estimular a conservação da geodiversidade, dos ecossistemas e das unidades de conservação da região. Essas contribuições se materializam por meio de ações desenvolvidas no território do Vale do Jequitinhonha e da Serra do Espinhaço, onde o Projeto GAIA atua como mediador entre conhecimento científico e realidade local, promovendo a valorização do patrimônio natural e cultural e o fortalecimento da educação ambiental. Diferentemente de iniciativas pontuais, o Projeto GAIA estrutura-se como um processo contínuo e formativo, no qual a interação com a comunidade gera aprendizados mútuos e promove mudanças progressivas e sustentáveis. As ações extensionistas — como exposições, oficinas, produção de materiais didáticos e atividades em escolas — não apenas difundem conhecimento, mas também estimulam o pensamento crítico, o protagonismo social e a construção coletiva de soluções. O impacto e a transformação social são também compreendidos como dimensões avaliáveis do projeto, podendo ser observados por meio de indicadores como o alcance e diversidade do público atendido; a apropriação dos materiais didáticos pela comunidade escolar; a continuidade e replicabilidade das ações; as mudanças na percepção ambiental e territorial dos participantes e o fortalecimento de práticas educativas e socioambientais locais. No processo formativo, essa diretriz contribui para que os estudantes se reconheçam como agentes de transformação social, alinhando sua atuação profissional aos desafios contemporâneos expressos na Agenda 2030. Ao vivenciar práticas extensionistas em consonância com os ODS, os discentes desenvolvem competências técnicas, sensibilidade social e compromisso ético com a construção de futuros mais sustentáveis. Dessa forma, o Projeto GAIA reafirma o papel da universidade pública como instituição socialmente referenciada, comprometida não apenas com a produção de conhecimento, mas com a promoção de transformações concretas e duradouras, em alinhamento com os ODS e com as demandas da sociedade.
As ações de divulgação científica do Projeto GAIA contêm as redes sociais (Instagram @gaiaufvjm, @geografia.ufvjm), o repositório institucional da UFVJM, e a participação em eventos acadêmicos locais, regionais e nacionais. Os materiais de divulgação científica produzidos a cada ciclo serão disponibilizados em formato aberto para acesso público.
Público-alvo
Descrição: O principal público alvo é vinculado às visitações de professores e estudantes do ensino básico de Diamantina e municípios adjacentes. Mas recebe-se também moradores de Diamantina e turistas, uma vez que o espaço destinado ao GAIA localiza-se na região central de Diamantina.
Municípios Atendidos
Diamantina - MG
Datas - MG
Felício dos Santos - MG
Gouveia - MG
São Gonçalo do Rio Preto - MG
Parcerias
Nenhuma parceria inserida.
Cronograma de Atividades
Carga Horária Total: 60 h
- Noite;
No início de cada ciclo, os discentes da UC Extensão 1 e UC Extensão em Vivência Escolar I e II, orientados pelo docente, realizam diagnóstico territorial do eixo temático do ano. Utilizam ferramentas de Cartografia e Geotecnologias (levantamentos com GPS, análise de imagens de satélite, SIG) e conhecimentos de Fundamentos de Geologia (identificação de rochas, minerais, feições geomorfológicas). Promove-se escuta ativa junto a escolas, gestão ambiental e comunidades locais para identificar demandas e saberes prévios (interação dialógica). Meta acumulada (2026–2031): garantir a participação de todas as turmas ingressantes durante os cinco anos de vigência do projeto.
- Noite;
Com base no diagnóstico, os discentes elaboram o material de divulgação científica do ano: cartilhas, mapas temáticos, maquetes, infográficos, vídeos, jogos didáticos e exposições. A ludicidade e a arte são recursos centrais para tornar conceitos geocientíficos acessíveis, conforme a tradição pedagógica do GAIA (Compiani, 2006; Santos et al., 2021). Os produtosintegram dados cartográficos (escalas, projeções, representações geoespaciais) e informaçõesgeológicas (litologia, tempo geológico, processos endógenos e exógenos), assegurando a interdisciplinaridade. Meta acumulada (2026–2031): Produzir, no mínimo, 15 produtos de divulgação científica; Elaborar 5 materiais didáticos alinhados à BNCC; Constituir um acervo digital permanente do Projeto GAIA.
- Manhã;
- Tarde;
Os materiais produzidos são apresentados em ações extensionistas dirigidas à comunidade externa: exposições itinerantes em escolas públicas de Diamantina e municípios adjacentes, oficinas pedagógicas para professores do ensino básico e médio, e eventos abertos ao público. Os licenciandos atuam como mediadores e monitores, exercitando a transposição didática e a comunicação científica. A devolutiva social configura a interação transformadora exigida pelo Art. 7º da Resolução CNE/CES nº 7/2018. Meta acumulada (2026–2031): Realizar pelo menos 10 ações extensionistas; Atender cerca de 1.000 participantes externos; Desenvolver ações em pelo menos 5 parcerias com escolas, podendo haver repetição ou ampliação das instituições participantes.
- Manhã;
Ao final de cada ciclo, realiza-se avaliação processual e de impacto: feedback dos participantes externos, autoavaliação dos discentes e análise dos produtos gerados. Os resultados são sistematizados em relatórios, relatos de experiência e, quando possível, artigos científicos. As ações são registradas junto à PROEXC, conforme Art. 8º da Resolução CONSEPE/UFVJM nº 02/2021. A divulgação ocorre também por meio das redes sociais do projeto (Instagram, Facebook) e do repositório institucional da UFVJM. Meta acumulada (2026–2031): Produzir pelo menos 10 trabalhos acadêmicos; Incentivar continuamente a integração entre ensino, pesquisa e extensão por meio de TCCs, iniciações científicas e novas ações extensionistas.