Detalhes da ação

Sementes de Cuidado: Nutrição no Ciclo Materno-Infantil

Sobre a Ação

Nº de Inscrição

202203001718

Tipo da Ação

Projeto

Situação

RECOMENDADA :
EM ANDAMENTO - Normal

Data Inicio

04/05/2026

Data Fim

30/12/2026


Dados do Coordenador

Nome do Coordenador

angelina do carmo lessa

Caracterização da Ação

Área de Conhecimento

Ciências da Saúde

Área Temática Principal

Saúde

Área Temática Secundária

Educação

Linha de Extensão

Saúde Humana

Abrangência

Estadual

Gera Propriedade Intelectual

Não

Vínculada a Programa de Extensão

Não

Envolve Recursos Financeiros

Não

Ação ocorrerá

Fora do campus

Período das Atividades

Tarde

Atividades nos Fins de Semana

Sim


Redes Sociais

@lamin.ufvjm

Membros

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Resumo

O projeto de extensão propõe ações de educação alimentar e nutricional na Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP) de Diamantina/MG, com foco no aleitamento materno, na promoção da alimentação saudável e no acompanhamento nutricional de gestantes e puérperas em situação de risco. As atividades incluem oficinas, rodas de conversa, diagnósticos nutricionais e atendimentos individualizados, em abordagem participativa e interdisciplinar. Além de beneficiar mães e crianças com melhores desfechos.


Palavras-chave

Educação alimentar e nutricional; Promoção da saúde; Saúde materno-infantil; e Aleitamento materno.


Introdução

A saúde materna é um grande desafio de saúde pública mundial e nacional, sendo considerada como prioridade nas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (NAÇÕES UNIDAS, 2015). Apesar dos avanços nesse campo, o Brasil ainda apresenta taxas de mortalidade materna elevadas, relacionadas não só com possíveis complicações obstétricas, mas também a determinantes sociais, econômicos e estruturais que impactam o acesso e a qualidade da assistência prestada à essa população (SOUZA et al., 2024). Nesse contexto é fundamental o fortalecimento de ações educativas, de promoção de saúde e de apoio às gestantes e puérperas, a fim de garantir melhores desfechos para a mãe e para a criança. A Casa da Gestante Bebê e Puérpera (CGBP) de Diamantina, vinculada ao Hospital Nossa Senhora da Saúde (HNSS), constitui um espaço estratégico de cuidado peri-hospitalar. Criada com base nas diretrizes da Rede Cegonha, a unidade oferece acolhimento a mulheres em gestação de alto risco e puerpério, permitindo que as mesmas se mantenham próximas ao hospital sem necessidade e sem indicação de internação. A estrutura conta com dez leitos e desempenha um papel fundamental na redução da morbimortalidade materno-infantil, propiciando um cuidado humanizado e continuidade de assistência (MONTEIRO et al., 2022). Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), a formação do profissional nutricionista deve articular ensino, pesquisa e extensão em uma perspectiva crítica, humanista e interdisciplinar, utilizando metodologias ativas que promovam uma aproximação entre o estudante e a realidade social que o cerca. As DCNs enfatizam a importância de vivências em cenários de prática diversificados, nos quais o futuro profissional possa atuar na promoção da alimentação saudável e adequada, na prevenção de agravos e na garantia do direto humano à alimentação (BRASIL, 2025). Entre os temas prioritários está a promoção do aleitamento materno, reconhecido como direito humano e estratégia essencial para a saúde infantil e materna. Estudos mostram avanços nos indicadores de amamentação no Brasil entre 1996 e 2019, porém ainda em ritmo insuficiente para atingir as metas da OMS/UNICEF até 2030: 70% para amamentação exclusiva até os seis meses, 80% de continuidade até um ano e 60% até os dois anos (BOCCOLINI et al., 2023). Além disso, práticas alimentares adequadas durante a gestação e o puerpério são determinantes para a prevenção de complicações e para o desenvolvimento saudável da criança (Na et al., 2024). Diante do exposto, este projeto de extensão propõe o desenvolvimento de ações de educação alimentar e nutricional junto às mães acolhidas na CGBP de Diamantina, com foco na promoção do aleitamento materno, no acompanhamento do estado nutricional da gestante e no apoio às demandas nutricionais no ciclo gravídico-puerperal. Busca-se, com essa ação, contribuir para a formação crítica dos estudantes, alinhada às DCNs, e para a melhoria da qualidade de vida das mulheres e crianças assistidas.


Justificativa

A gestação e o puerpério representam fases críticas do ciclo vital, marcadas por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Nesse período, a adoção de práticas alimentares adequadas, associada ao incentivo e ao apoio ao aleitamento materno, é fundamental para a promoção da saúde materno-infantil e para a prevenção de agravos nutricionais (WHO, 2023). Contudo, fatores socioeconômicos, culturais e relacionados ao acesso aos serviços de saúde ainda constituem barreiras para a efetiva implementação dessas práticas, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade (VICTORIA et al., 2016; SANTOS; LIBERALINO, 2021). O Vale do Jequitinhonha, região onde se localizam a cidade de Diamantina/MG e a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), apresenta importantes desafios sociais e de saúde. Nesse cenário, destaca-se o papel estratégico da CGBP, que acolhe não penas mulheres do município de Diamantina, mas também gestantes e puérperas encaminhadas de diversas cidades que compõem a Superintendência Regional de Saúde de Diamantina. Atuando como referência para casos de risco, a CGBP amplia sua relevância regional, na medida em que suas ações educativas e de acompanhamento nutricional têm potencial de beneficiar mulheres de vários municípios, fortalecendo o cuidado em saúde materno-infantil no território. Dessa forma, a CGBP configura-se como um espaço propício para a realização de ações educativas e de acompanhamento nutricional, reunindo gestantes e puérperas em condições de risco que demandam maior suporte multiprofissional (MONTEIRO et al., 2022). Nesse contexto, torna-se essencial o desenvolvimento de atividades extensionistas que fortaleçam o protagonismo feminino, promovam autonomia no cuidado alimentar e possibilitem um acompanhamento individualizado e humanizado (LOBATO et al., 2025). Ademais, a proposta se alinha tanto às políticas e estratégias públicas de saúde, como a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e a Rede Cegonha, quanto às DCNs do curso de Nutrição. Nesse contexto, o projeto busca atender o princípio que enfatiza a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, de modo a favorecer a integração entre ensino-serviço-comunidade, bem como a formação de profissionais críticos, éticos e socialmente comprometidos, proporcionando aos estudantes vivências práticas em cenário real de atenção à saúde materno-infantil, em consonância com as DCNs. Assim, a justificativa do presente projeto está pautada na necessidade de consolidar práticas educativas em saúde como ferramentas de transformação social, capazes de impactar positivamente a qualidade de vida de mães e crianças e de contribuir para a redução da morbimortalidade materno-infantil no Vale do Jequitinhonha (SOUZA et al., 2024).


Objetivos

Objetivo Geral: Atuar na promoção da saúde de gestantes, puérperas e recém-nascidos acolhidos na Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP) de Diamantina, mediante implementação de ações de voltadas à alimentação e nutrição, de modo a contribuir para a melhoria nos indicadores de saúde e qualidade de vida do grupo materno-infantil. Também é objetivo do presente projeto colaborar para a formação crítica e humanista dos estudantes de graduação em Nutrição da UFVJM. Objetivos específicos: - Desenvolver atividades de educação alimentar e nutricional voltadas às gestantes e puérperas, com foco na promoção do aleitamento materno e na adoção de práticas alimentares saudáveis; - Acompanhar e avaliar o estado nutricional das gestantes e puérperas acolhidas na CGBP, identificando riscos e propondo intervenções compatíveis, junto aos profissionais responsáveis; - Oferecer apoio e orientações individualizadas para gestantes e puérperas, considerando aspectos sociais, culturais e econômicos; - Estimular a participação das mulheres residentes na CGBP nas atividades educativas, valorizando o protagonismo materno e promovendo autonomia; - Favorecer a integração entre ensino-serviço-comunidade, proporcionando aos estudantes vivências práticas em cenário real de atenção à saúde materno-infantil, em consonância às Diretrizes Curriculares Nacionais; - Contribuir para a redução de agravos nutricionais e para melhoria dos indicadores de saúde materno-infantil por meio de ações extensionistas humanizadas e interdisciplinares.


Metas

- Elaborar 4 oficinas, com um intervalo de 3 meses entre elas, sendo elas: Alimentação Saudável na Gestação e Puerpério; Aleitamento Materno; Cuidando do Corpo e da Mente no Pré e Pós-parto; e Cuidados com o Recém-Nascido e Introdução Alimentar. - Alcançar a participação de, no mínimo 80%, das mulheres residentes nas oficinas e rodas de conversa promovidas. - Realizar diagnóstico do estado nutricional de 100% das gestantes e puérperas acolhidas na CGBP. - Promover atendimento individualizado a pelo menos 70% das mulheres acolhidas na CGBP que apresentarem risco nutricional. - Elaborar materiais educativos impressos e/ou digitais (cartilhas, folders e etc). - Capacitar os estudantes envolvidos no projeto em metodologias ativas e em ações de educação alimentar e nutricional e de apoio, promoção e proteção ao aleitamento materno, garantindo que cada um participe de pelo menos 2 formações internas. - Aplicar Formulário de observação e avaliação da mamada em 70% das nutrizes. - Promover reuniões de avaliação com a equipe de saúde responsável pela CGBP pelo menos a cada 3 meses, para discutir resultados, dificuldades e encaminhamentos. - Produzir um relatório semestral e um relatório final com análise dos indicadores coletados, permitindo acompanhar o impacto do projeto. - Disseminar os resultados obtidos pelo projeto em pelo menos 1 evento científico da UFVJM ou em congressos da área de Nutrição/Saúde, fortalecendo a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão.


Metodologia

As ações do projeto serão desenvolvidas pelos discentes na CGBP, vinculada ao HNSS, localizada em Diamantina/MG, em colaboração com a equipe multiprofissional da unidade e sob supervisão de docentes do curso de graduação em Nutrição da UFVJM. O HNSS configura-se como um importante polo regional de assistência à saúde materno-infantil, com atuação voltada para o cuidado integral de gestantes, puérperas, recém-nascidos e crianças. Nesse contexto, integra uma rede de atenção humanizada à saúde, que contempla serviços como assistência hospitalar em maternidade, unidade de terapia intensiva neonatal, equipe multiprofissional especializada, posto de coleta de leite humano e parcerias com banco de leite da região. As amostras coletadas são processadas em centros especializados, como Banco de Leite Humano do Hospital Aroldo Tourinho, em Montes Claros, referência no Norte de MG. O HNSS também está alinhado às diretrizes da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), promovida pelo Ministério da Saúde e UNICEF, cuja proposta é qualificar as práticas de atenção ao parto, nascimento e aleitamento materno, reforçando a humanização e a qualidade do cuidado materno-infantil. A CGBP atua como uma extensão do HNSS, sendo conveniada à Rede Cegonha, que subsidia a estadia de gestantes, recém-nascidos e puérperas durante o período de acompanhamento hospitalar. A abordagem metodológica adotada será participativa, dialógica e humanizada, favorecendo a troca de saberes e o protagonismo das mulheres assistidas, além de proporcionar aos estudantes experiências práticas em cenários reais de atenção à saúde materno-infantil, em consonância com as DCNs (BRASIL, 2025; FREIRE, 2019). Etapas de Execução: 1. Planejamento: organização inicial pelos discentes, elaboração dos materiais educativos (folders, cartazes, apresentações e conteúdos digitais) e construção dos instrumentos de avaliação. 2. Educação Alimentar e Nutricional: realização de oficinas, rodas de conversa e dinâmicas interativas sobre temas como: Alimentação Saudável na Gestação e no Puerpério; Aleitamento Materno; Cuidando do Corpo e da Mente no Pré e Pós-parto; e Cuidados com o Bebê e Introdução Alimentar. 3. Acompanhamento Nutricional: o acompanhamento nutricional das gestantes e puérperas acolhidas será realizado por meio da avaliação do estado nutricional, com aplicação de indicadores antropométricos e instrumentos de triagem nutricional específicos para esse público. Equipamentos Utilizados: Serão utilizados os seguintes instrumentos, devidamente calibrados e com registro na ANVISA: Balança digital (marca: Filizola ou similar, precisão: 100g); Estadiômetro portátil (marca: Alturaexata ou similar, precisão: 0,1 cm); Fita métrica inelástica (precisão: 0,1 cm), para aferição da circunferência abdominal e altura uterina. Todos os instrumentos serão higienizados regularmente, e a calibração da balança será verificada semanalmente. Medidas Antropométricas Coletadas: As seguintes medidas serão coletadas durante o acolhimento e ao longo da permanência das gestantes e puérperas: Peso corporal atual (em kg); Estatura (em cm); Peso pré-gestacional (autorreferido ou registrado em prontuário); Ganho de peso gestacional acumulado; IMC atual para puérperas. Indicadores Construídos: A partir das medidas, serão calculados os seguintes indicadores nutricionais: IMC pré-gestacional = Peso pré-gestacional (kg) / Estatura (m²); IMC para puérperas, para avaliação pós-parto; Classificação da adequação do ganho de peso gestacional, de acordo com a faixa de IMC pré-gestacional. Padrões de Referência Utilizados: Para classificação do estado nutricional e interpretação dos indicadores, serão adotados os seguintes padrões de referência: Ministério da Saúde (2021) - Novas Curvas de Ganho de Peso Gestacional Segundo o IMC Pré-gestacional; Organização Mundial da Saúde (OMS) - Referência de IMC e Curvas de Crescimento; SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) - Classificação Nutricional de Gestantes, Puérperas e Crianças; Cadernos de Atenção Básica - Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco (MS). Registro e Acompanhamento: Os dados coletados serão registrados em planilhas específicas de acompanhamento nutricional, organizadas por paciente e por período gestacional. Esses dados permitirão o monitoramento longitudinal da evolução nutricional, identificação precoce de riscos e suporte à equipe multiprofissional no planejamento de cuidados. 4. Atendimento Individualizado: nos casos identificados de risco nutricional, serão oferecidas orientações específicas, em articulação com a equipe multiprofissional da CGBP, de modo a assegurar a integralidade no cuidado. Nos casos identificados com risco nutricional, será realizado um atendimento individualizado pelas nutricionistas e demais profissionais da equipe multiprofissional da CGBP, com o objetivo de promover a integralidade do cuidado e melhorar os desfechos materno-infantis. Definição de Risco Nutricional: Será considerado em risco nutricional o indivíduo que apresentar um ou mais dos seguintes critérios: IMC Pré-gestacional abaixo de 18,5 kg/m² (baixo peso) ou acima de 30,0 kg/m² (obesidade); Perda de peso involuntária ou estagnação do peso durante o pré-natal; Condições clínicas associadas: diabetes gestacional, hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, anemia grave, hiperêmese gravídica, entre outras; Restrição alimentar voluntária ou involuntária, incluindo insegurança alimentar; Condições socioeconômicas que possam comprometer a alimentação adequada e saudável; Aleitamento materno ausente ou dificultando no puerpério imediato. A identificação do risco será feita com base nas avaliações antropométricas, relatos clínicos, triagem alimentar e discussão em equipe. Conduta no Atendimento Individualizado: Após identificação do risco nutricional, será oferecido acompanhamento individualizado com ações como: Elaboração de plano alimentar individual, considerando a fase gestacional/puerperal, condição clínica e realidade socioeconômica; Aconselhamento nutricional humanizado, com foco na escuta ativa, valorização da autonomia e construção de estratégias viáveis; Encaminhamento para outros serviços da rede, quando necessário (CRAS, CAPS, UBS, Banco de Alimentos e etc); Monitoramento contínuo do estado nutricional, com reavaliações programadas. A atuação será integrada à equipe multiprofissional, com trocas regulares de informações e definição conjunta das condutas. Papel dos Estudantes no Atendimento: Os estudantes de Nutrição atuarão de forma supervisionada por nutricionistas responsáveis, desenvolvendo atividades educativas e de apoio ao cuidado nutricional individualizado, conforme seu nível de formação. Suas atribuições incluirão: Realização de aconselhamento nutricional, com base nas diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) e Protocolo de Uso de Guia Alimentar para a População na Orientação Alimentar de Gestantes (MS, 2021); Participação na escuta qualificada e no levantamento de dados da triagem nutricional; Apoio na construção de estratégias de alimentação saudável, considerando os determinantes sociais da saúde; Elaboração de materiais educativos e orientações específicas para o momento gestacional/puerperal; Registro das orientações prestadas e observações relevantes em planilhas de acompanhamento e prontuários, sempre com validação do profissional responsável. 5. Acompanhamento e Supervisão: serão realizadas reuniões periódicas com a equipe coordenadora do projeto, composto pelas docentes proponentes da proposta ora apresentada e pelo nutricionista responsável pela gestão da CGBP. Tais reuniões constituirão espaços para planejamento, estruturação e acompanhamento do desenvolvimento das atividades do projeto. Nessas ocasiões, serão oferecidas orientações quanto à execução das ações propostas, assegurando um acompanhamento contínuo e longitudinal da participação discente. A docente coordenadora ficará responsável por fornecer devolutivas relacionadas à pontualidade, assiduidade, engajamento e comprometimento dos estudantes envolvidos. 6. Avaliação e Monitoramento: as ações serão avaliadas continuamente por meio da participação das mulheres nas atividades, da análise da evolução nos registros dos indicadores de saúde e nutricionais, e de questionários de percepção aplicados às participantes. Abordagem Metodológica: Participativa e dialógica, respeitando saberes locais e a realidade socioeconômica da região (FREIRE, 2019); Interdisciplinar, integrando estudantes e profissionais de diferentes áreas da saúde (ASSUNÇÃO et al., 2024); Humanizada e crítica, alinhada às DCNs do curso de Nutrição e às diretrizes da Rede Cegonha (BRASIL, 2019; BRASIL, 2025).


Referências Bibliográficas

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Interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade

A extensão universitária, como um dos pilares da formação acadêmica, pressupõe a construção de uma relação horizontal entre universidade e sociedade, em que o conhecimento científico dialoga com os saberes da comunidade de forma participativa e transformadora. Diante disso, o presente projeto propõe ações que não limitam à transmissão de informações, mas se fundamentam no intercâmbio de experiências entre docentes, estudantes, profissionais de saúde e as mulheres acolhidas na CGBP. As atividades educativas serão desenvolvidas de maneira dialógica, respeitando a realidade social, cultural e econômica das gestantes e puérperas, de modo que as mesmas possam se entender como pertencentes ao seu processo de cuidado. Esse processo de entendimento e pertencimento, possibilitará que o conteúdo técnico-científico seja constantemente adaptado às demandas locais, fortalecendo a autonomia das mulheres e o protagonismo materno no cuidado de si e dos seus filhos. Para os estudantes, a interação com a comunidade configura-se como oportunidade de aprendizado prático em cenário real, permitindo vivenciar a complexidade do processo saúde-doença e compreender a importância da interdisciplinaridade e do cuidado humanizado. Com isso, a extensão cumpre seu papel de articular ensino, pesquisa e serviço, promovendo impacto positivo tanto na formação acadêmica quanto na melhoria das condições de saúde materno-infantil no município de Diamantina.


Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade

A atenção integral à saúde materno-infantil demanda ações que ultrapassem os limites de uma única área do conhecimento, exigindo uma prática interdisciplinar e intersetorial. No âmbito da Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP), a integração entre diferentes profissionais da saúde como médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas, tornase essencial para assegurar cuidado contínuo, resolutivo e humanizado. A participação articulada de distintas áreas possibilita compreender a gestante e a puérpera em sua totalidade, reconhecendo as dimensões biológicas, sociais, culturais e emocionais envolvidas no ciclo gravídico-puerperal. Do ponto de vista intersetorial, o fortalecimento do projeto depende da articulação com políticas públicas como a Estratégia de Saúde da Família (ESF), os serviços de assistência social e programas de apoio à primeira infância. Essa integração favorece o acesso das mulheres a diferentes recursos de cuidado, contribuindo para a redução das iniquidades em saúde e para a garantia do direito humano à alimentação adequada e à saúde. As ações extensionistas propostas permitem a construção de um espaço de cooperação, em que os estudantes vivenciam o trabalho coletivo em saúde e exercitam habilidades de comunicação, empatia e corresponsabilização pelo cuidado. Dessa forma, a interdisciplinaridade e a intersetorialidade se configuram não apenas como estratégias organizacionais, mas como princípios fundamentais para a efetividade do projeto, ampliando seu impacto tanto na formação acadêmica quanto na transformação social.


Indissociabilidade Ensino – Pesquisa – Extensão

O projeto que será desenvolvido na Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP), tem como objetivo se pautar no princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, favorecendo a aproximação entre a universidade e a comunidade, a fim de contribuir para o desenvolvimento do estudante em um futuro profissional capaz de realizar auto-reflexão crítica pautada na ética e no desenvolvimento social. Nos âmbitos do ensino, o projeto oportuniza colocar em prática os conhecimentos teóricos adquiridos pelo discente em sala de aula, nas mais diversas unidades curriculares, sendo elas Avaliação Nutricional (NUT098), Inquéritos Dietéticos (NUT096), Educação Alimentar e Nutricional (NUT101), Nutrição Materno-Infantil (NUT104), Nutrição em Saúde Pública (NUT113) e Ética e Orientação Profissional (NUT107), permitindo a consolidação desses conteúdos. Para isso, antes do início das atividades, os discentes participantes passaram por uma capacitação através de aulas com profissionais especializados na área sobre temas relevantes, bem como receberam de forma quinzenal, antes e durante as ações, artigos de revisão bibliográfica, de acordo com um cronograma pré-estabelecido, para auxiliar no desenvolvimento das ações, tendo como resultado esperado um impacto positivo na saúde das gestantes, bebês e puérperas assistidas pelo projeto. Ademais, é importante destacar que durante todo o projeto os discentes participantes terão o apoio dos coordenadores, a fim de fazer intervenções quando necessário. Quanto à pesquisa, devido a análise crítica das informações observadas ao longo da execução do projeto, esse processo pode originar trabalhos acadêmicos, relatórios técnicos e artigos científicos, que fortaleçam a produção de evidências científicas no que tange a área da saúde materno-infantil e traga melhorias para a capacidade de decisão. No campo da extensão, o projeto estabelece um diálogo efetivo e direto entre universidade e comunidade, no qual os saberes acadêmicos e populares se encontram e se complementam. Essa troca será realizada através do desenvolvimento de ações de educação alimentar e nutricional junto às mães acolhidas na CGBP de Diamantina, com foco na promoção do aleitamento materno, no acompanhamento do estado nutricional da gestante e no apoio às demandas nutricionais no ciclo gravídico-puerperal, tendo como princípio o CÓDIGO DE ÉTICA E DE CONDUTA DO NUTRICIONISTA, ao qual regulamenta a conduta do nutricionista sem descriminação de qualquer natureza. Neste cenário, a partir da vivência e imersão do estudante no cotidiano profissional, de forma crítica e reflexiva (ensino), podem ser levantadas as necessidades de intervenções nos problemas e iniquidades em saúde da população materno-infantil gerando possibilidades de trabalhos de extensão, os quais poderão suscitar questionamentos e a produção de conhecimentos (pesquisa), que, por sua vez, retroalimentam o ensino, em um movimento dinâmico. Por fim, espera-se assim, contribuir para a formação acadêmica dos discentes participantes do projeto e para a melhoria das condições de saúde e qualidade de vida das gestantes, puérperas e recém-nascidos de Diamantina e região.


Impacto na Formação do Estudante: Caracterização da participação dos graduandos na ação para sua formação acadêmica

A participação do discente neste projeto de extensão possibilita que os conteúdos abordados ao longo da graduação sejam aplicados na prática, em um cenário real de atenção à saúde. Ao interagir diretamente com a CGBP, o estudante estabelece contato com a comunidade externa, em especial com gestantes em acompanhamento, o que lhe permite compreender de perto suas condições sociais, culturais e econômicas. Essa vivência contribui para a formação de uma postura ética, crítica e sensível, atributos fundamentais para profissionais comprometidos com o desenvolvimento social, a promoção da saúde e o cuidado humanizado. As ações previstas no projeto, como atividades educativas em alimentação e nutrição, incentivo ao aleitamento materno e estímulo a práticas de vida saudáveis, favorecem a aquisição de competências essenciais à formação em saúde. Entre elas, destacam-se: a habilidade de atuar em equipe multiprofissional; a ampliação do conhecimento teórico e prático; a capacidade de planejar, implementar e avaliar iniciativas voltadas à atenção básica; o aprimoramento da comunicação assertiva; e a tomada de decisão diante de situações desafiadoras. Além disso, a experiência extensionista fortalece a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, conforme orienta a Resolução CNE/CES nº 2, de 15 de agosto de 2025, estimulando o protagonismo acadêmico e preparando o futuro profissional para uma atuação crítica, reflexiva e transformadora.


Impacto e Transformação Social

A implementação de um projeto extensionista em Educação Alimentar e Nutricional, representa uma importante ferramenta de promoção da saúde, autonomia alimentar e transformação social, especialmente em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. A acolhida e o diálogo durante essa etapa da vida representa maior disposição à buscar ajuda profissional, promoção de soberania alimentar, desenvolvimento de empoderamento e protagonismo durante a gestação (LOBATO et al, 2025). Em estudos realizados com grupos de gestantes através de ações em educação alimentar e nutricional, utilizando-se de materiais e linguagens adequadas para o grupo, observou-se a necessidade de atentar-se com cada indivíduo em suas singularidades diante de uma etapa vulnerável da vida. As gestantes relataram que as ações foram essenciais para a construção e desenvolvimento do conhecimento em Educação Alimentar e Nutricional, permitindo maior engajamento e trocas de experiências e inseguranças, em que foi observado desenvolvimento no cuidado à alimentação e nutrição (ASSUNÇÃO et al, 2024; SANTOS e LIBERALINO, 2021; SILVA e COSTA, 2021). Mesmo em gestantes que já apresentavam conhecimentos sobre alimentação e saúde materno-infantil, percebe-se que as ações educativas podem incentivar na melhoria de hábitos e sensibilizar gestores públicos e profissionais de saúde (SANTOS e LIBERALINO, 2021). O apoio ao aleitamento materno exclusivo e complementar garante melhorias no processo de vínculo mãe e filho e vantagem para ambos. Os benefícios para a criança incluem melhoria do desenvolvimento cognitivo, redução de comorbidades como obesidade, hipercolesterolemia, hipertensão e diabetes, além de diarréias, infecções respiratórias e alergias. Para a mãe, o aleitamento promove redução de hemorragias no pós parto e reduz riscos de desenvolvimento de câncer de mama, ovários e colo do útero (BRASIL, 2025). A melhoria na saúde desse grupo populacional gera, por consequência, uma redução nas taxas de adoecimento e internação, o que garante menores custos para o sistema de saúde e melhoria da qualidade de vida desses indivíduos. A alimentação adequada durante a gestação impacta diretamente na maturação fetal pois está relacionada com o bom desenvolvimento dos órgãos. Ademais, a assistência nutricional está associada à diminuição dos riscos de complicações de parto prematuro e malformações congênitas que estão diretamente ligadas à mortalidade materna e infantil (SILVA et al, 2024). As mulheres grávidas se beneficiam da assistência nutricional pois está relacionado ao controle do ganho de peso excessivo durante a gestação e diminuição do risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e outras complicações.(SILVA et al, 2024). A Constituição Federal de 1988 prevê a alimentação enquanto direito social de todos os brasileiros. Ademais, conforme o artigo 9° do Estatuto da Criança e do Adolescente:” Os profissionais das unidades primárias de saúde desenvolverão ações sistemáticas, individuais ou coletivas, visando ao planejamento, à implementação e à avaliação de ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar saudável, de forma contínua. Dessa forma, o apoio ao aleitamento materno impõe-se como proteção aos direitos humanos garantindo a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos durante as etapas de gestação e período neonatal. A primeira infância necessita de cuidados em relação à alimentação devido à presença de desnutrição, sobrepeso, doenças crônicas não transmissíveis e deficiências de micronutrientes como vitamina A, ferro e zinco em crianças que passaram por maus hábitos alimentares, demonstrando a necessidade das intervenções nutricionais que orientem as famílias sobre nutrição adequada (BRASIL, 2015).


Divulgação

Será utilizado o perfil do Instagram da Liga Acadêmica de Nutrição Materno-Infantil (LAMIN) para divulgação das ações do projeto, bem como dos materiais produzidos.


Público-alvo

Descrição

As mulheres atendidas na CGBP de Diamantina (MG) são principalmente gestantes de alto risco, puérperas e mães de recém-nascidos internados, usuárias do SUS. Em geral, apresentam vulnerabilidade socioeconômica e dificuldade de acesso aos serviços de saúde, necessitando permanecer próximas ao hospital de referência. A instituição oferece acolhimento temporário e acompanhamento multiprofissional, promovendo cuidado contínuo e humanizado.

Municípios Atendidos

Município

Diamantina - MG

Município

Alvorada de Minas - MG

Município

Araçuaí - MG

Município

Aricanduva - MG

Município

Berilo - MG

Município

Capelinha - MG

Município

Carbonita - MG

Município

Chapada do Norte - MG

Município

Coluna - MG

Município

Conceição do Mato Dentro - MG

Município

Congonhas do Norte - MG

Município

Coronel Murta - MG

Município

Couto de Magalhães de Minas - MG

Município

Datas - MG

Município

Felício dos Santos - MG

Município

Francisco Badaró - MG

Município

Gouveia - MG

Município

Itamarandiba - MG

Município

Jenipapo de Minas - MG

Município

José Gonçalves de Minas - MG

Município

Leme do Prado - MG

Município

Minas Novas - MG

Município

Presidente Kubitschek - MG

Município

Santo Antônio do Itambé - MG

Município

São Gonçalo do Rio Preto - MG

Município

Senador Modestino Gonçalves - MG

Município

Serra Azul de Minas - MG

Município

Serro - MG

Município

Turmalina - MG

Município

Veredinha - MG

Município

Virgem da Lapa - MG

Parcerias

Participação da Instituição Parceira

O projeto será desenvolvido em sua maior parte, na CGBP em parceria com a Enfermeira responsável e com a Nutricionista responsável. O HNSS forneceu uma carta de anuência, permitindo que exista vínculo entre o projeto e a instituição.

Cronograma de Atividades

Carga Horária Total: 151 h

Carga Horária 16 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Noite;
Descrição da Atividade

Reuniões periódicas para planejamento e discussão do andamento das atividades.

Carga Horária 80 h
Periodicidade Quinzenalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Realização de avaliação nutricional das gestantes, puérperas e crianças, privilegiando indicadores antropométricos.

Carga Horária 5 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Educação alimentar e nutricional: realização de oficinas, rodas de conversa e dinâmicas interativas.

Carga Horária 5 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Educação alimentar e nutricional: realização de oficinas, rodas de conversa e dinâmicas. Tema: Cuidando do Corpo e da Mente no Pré e Pós-parto.

Carga Horária 5 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Educação alimentar e nutricional: realização de oficinas, rodas de conversa e dinâmicas. Tema: Aleitamento Materno e Cuidados em Relação ao Manejo Correto da Amamentação.

Carga Horária 5 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Educação alimentar e nutricional: realização de oficinas, rodas de conversa e dinâmicas. Tema: Cuidados com o Bebê e Introdução Alimentar.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Todas as oficinas serão precedidas de treinamento dos discentes pelos docentes e nutricionista da Casa da Gestante, Bebê e Puérpera. Essas atividades ocorrerão preferencialmente no Campus JK, mas também poderá ocorrer na Casa da Gestante.

Carga Horária 15 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Essa atividade será em cumprimento da divulgação das atividades realizadas no projeto de forma a compartilhar com a comunidade a experiência bem como inserir os discentes em atividades de divulgação.