Detalhes da ação

Observatório de Formação e Capacitação da Política de Asssistência Social no Vale do Mucuri

Sobre a Ação

Nº de Inscrição

202203001762

Tipo da Ação

Projeto

Situação

RECOMENDADA :
EM ANDAMENTO - Normal

Data Inicio

03/08/2026

Data Fim

31/07/2027


Dados do Coordenador

Nome do Coordenador

fran de oliveira alavina

Caracterização da Ação

Área de Conhecimento

Ciências Sociais Aplicadas

Área Temática Principal

Educação

Área Temática Secundária

Direitos Humanos e Justiça

Linha de Extensão

Gestão pública

Abrangência

Regional

Gera Propriedade Intelectual

Sim

Vínculada a Programa de Extensão

Não

Envolve Recursos Financeiros

Não

Ação ocorrerá

Dentro e Fora do campus

Período das Atividades

Integral

Atividades nos Fins de Semana

Sim

Membros

Tipo de Membro Externo
Carga Horária 12 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 12 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 20 h
Tipo de Membro Externo
Carga Horária 12 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 12 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 20 h
Tipo de Membro Externo
Carga Horária 20 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 12 h
Resumo

O Observatório de Formação e Capacitação da Política de Assistência Social do Vale do Mucuri visa fortalecer a participação social diante das fragilidades dos conselhos e das desigualdades territoriais. Busca consolidar um espaço permanente de monitoramento e formação, integrando universidade, gestores e sociedade civil. A partir da pesquisa-ação participativa e metodologias ativas, com diagnóstico territorial, capacitação da equipe e formação continuada de conselheiros e lideranças.


Palavras-chave

Assistência Social. Política Social. SUAS. Vale do Mucuri.


Introdução

A participação social constitui um dos pilares centrais da democracia brasileira, expressando-se como processo histórico e político de construção coletiva de direitos, de ampliação da cidadania e de fortalecimento dos espaços públicos de deliberação e controle das políticas sociais. No campo da assistência social, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) institui a participação como diretriz estruturante, reafirmando o protagonismo dos usuários, trabalhadores, gestores e representantes da sociedade civil como condição para a efetivação da política pública (Sposati, 2009; Tatagiba, 2002). Contudo, a efetividade desses espaços participativos ainda se depara com desafios relacionados à fragilidade formativa dos conselheiros, à desigualdade territorial e à limitada articulação entre Estado e sociedade civil, especialmente em regiões marcadas por vulnerabilidades históricas, como o Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Nesse contexto, a universidade pública, por meio da extensão, assume papel estratégico no fortalecimento da democracia participativa, ao articular ensino, pesquisa e extensão em processos formativos comprometidos com a transformação social. A extensão universitária, conforme Deus e Zacariotti (2024), não deve ser compreendida como ação complementar ou assistencialista, mas como dimensão constitutiva da universidade, responsável por produzir mediações entre conhecimento científico e saberes populares, promovendo a democratização do saber e a inserção social do conhecimento. A autora evidencia que, ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, as políticas de extensão se consolidaram como instrumentos de inclusão, cidadania e defesa da educação pública, mas ainda enfrentam dilemas decorrentes da burocratização institucional, da descontinuidade das políticas sociais e da dificuldade de consolidar práticas integradas entre as dimensões acadêmicas. A proposta tem como objetivo fortalecer a participação social e o controle democrático no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Vale do Mucuri/MG, por meio de ações de extensão articuladas à pesquisa e ao ensino. O projeto visa articular universidades, conselhos, movimentos sociais e gestores públicos na construção de processos formativos voltados ao fortalecimento da participação social, à qualificação do controle democrático e à valorização dos saberes locais. Fundamenta-se no princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, tal como orienta o Plano Nacional de Educação e as diretrizes do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (FORPROEX, 2012), que compreendem a extensão como prática dialógica, interdisciplinar e transformadora. A iniciativa dialoga diretamente com a Linha 1 da Chamada CNPq nº 17/2025 – Projetos de extensão em participação social para subsidiar o Programa de Participação Social nos Estados, Distrito Federal e Territórios – que estimula ações extensionistas capazes de fortalecer os mecanismos de controle social e de contribuir para a formulação de políticas de participação cidadã nos territórios propondo a criação e implementação de um observatório regional como instrumento técnicocientífico de acompanhamento, formação e fortalecimento contínuo da participação social no SUAS. Ele garantirá a sistematização de dados, o monitoramento de políticas sociais e a produção de conhecimento sobre os conselhos de participação social, fóruns e redes locais, assegurando a continuidade e a sustentabilidade das ações iniciadas pelo projeto. Dessa forma, reafirma o papel da universidade pública como espaço de produção de conhecimento crítico, de formação cidadã e de compromisso ético-político com a sociedade, em consonância com o que Deus e Zacariotti (2024) denomina “extensão emancipatória” — aquela que transcende a prestação de serviços e se constitui como prática transformadora de sujeitos e territórios. Neste sentindo, a proposta apresentada se justifica por diferentes elementos.


Justificativa

A participação social constitui um dos pilares da consolidação da democracia e da efetivação das políticas sociais no Brasil, sendo elemento indispensável para a garantia de direitos e o fortalecimento da cidadania. Ao estabelecer canais institucionais de deliberação, como os conselhos de políticas públicas e os fóruns de participação, cria-se um espaço de interlocução entre Estado e sociedade civil, possibilitando que as demandas sociais se expressem de forma organizada e que as políticas sociais sejam mais responsivas às necessidades da população (Tatagiba, 2002). No campo da assistência social, a participação assume centralidade, uma vez que o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), desde sua institucionalização, tem a participação e o controle social como diretrizes estruturantes. Esse caráter democrático e participativo busca superar práticas clientelistas historicamente presentes na política social brasileira e garantir a universalização dos direitos socioassistenciais, especialmente para populações em situação de vulnerabilidade (Sposati, 2009). A literatura especializada aponta que os conselhos de assistência social representam, ao mesmo tempo, avanços e desafios: são instâncias reconhecidas de democratização da política, mas frequentemente enfrentam dificuldades relacionadas à representatividade da sociedade civil, à fragilidade de processos formativos e à limitação de recursos para seu funcionamento (Côrtes; Silva, 2010). Nesse sentido, torna-se fundamental investir em processos de formação cidadã e articulação em rede, de modo a fortalecer a capacidade de incidência política dos conselheiros, organizações da sociedade civil e movimentos sociais. Assim, a participação social deve ser compreendida como um mecanismo de transformação que articula política social e democracia, contribuindo para ampliar a visibilidade de grupos historicamente marginalizados e assegurar o acesso equitativo a políticas públicas, como no caso da assistência social. Essa perspectiva encontra ressonância no contexto do Vale do Mucuri/MG, onde os desafios históricos de pobreza, desigualdade e invisibilidade de populações tradicionais reforçam a necessidade de consolidar práticas participativas que fortaleçam a política de assistência social e garantam a efetividade de direitos fundamentais. O Vale do Mucuri, localizado no nordeste de Minas Gerais, constitui um território historicamente marcado por vulnerabilidades sociais, desigualdades econômicas e invisibilidade política. Essa realidade se expressa em indicadores socioeconômicos que evidenciam as limitações estruturais da região. De acordo com dados do Censo Demográfico de 2022 (IBGE), municípios como Teófilo Otoni (137.418 habitantes), Nanuque (35.263), Carlos Chagas (~20 mil), Itambacuri (21.042), Poté (13.666), Ataléia (13.736) e Ladainha (14.383) apresentam baixos índices de desenvolvimento humano, variando entre 0,541 (Ladainha) e 0,701 (Teófilo Otoni e Nanuque), segundo o Atlas do do Desenvolvimento Humano Municipal (PNUD/Ipea/FJP, 2013). Esses números situam a região em patamares inferiores à média estadual e nacional, refletindo desigualdades históricas no acesso à educação, renda e condições de vida. Estudos regionais apontam que nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri vivem aproximadamente 300 mil pessoas em situação de extrema pobreza, ao mesmo tempo em que o índice de analfabetismo adulto chega a 33,42% em determinados municípios (Semear no Vale, 2022). Esses dados confirmam a persistência de condições de exclusão social e fragilidades na garantia de direitos básicos. Soma-se a isso a presença expressiva de comunidades quilombolas, que enfrentam barreiras institucionais para acessar políticas públicas universais, conforme destacado por Souza (2022). De acordo com Souza e Brandão (2021), em municípios como Carlos Chagas, Teófilo Otoni, Ataléia, Ouro Verde de Minas e Pescador, a assistência social tem sido ofertada de maneira limitada ou seletiva, reforçando processos de invisibilidade socioassistencial e dificultando o acesso equitativo dessas comunidades ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O diagnóstico elaborado em projeto de extensão anterior (2023) apontou ainda fragilidades nos espaços de participação e controle social. Os Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS), principais instâncias de deliberação do SUAS, apresentam baixa representatividade da sociedade civil, funcionamento irregular e dificuldades de articulação com organizações da sociedade civil e movimentos sociais. A população usuária, por sua vez, participa de forma reduzida dos processos decisórios, seja por falta de informação, seja pela ausência de estratégias de formação cidadã que assegurem o protagonismo social. Diante desse quadro, justifica-se a presente proposta de extensão que busca contribuir para o diálogo entre a universidade e o Programa de Participação Social nos Estados, Distrito Federal e Territórios. A iniciativa propõe por meio do observatório o fortalecimento dos mecanismos, instâncias e processos de participação social em âmbito territorial, promovendo monitoramento, formação e difusão de práticas democráticas, voltado ao fortalecimento da participação e do controle social no SUAS. O projeto pretende estimular a mobilização social, a criação de banco de dados regional, a criação de redes intermunicipais de diálogo e o intercâmbio entre universidades, movimentos sociais e gestores públicos, o monitoramento de indicadores de participação, representatividade, contribuindo para o aprimoramento democrático, a transparência e o fortalecimento do controle social das políticas públicas nos territórios do Vale do Mucuri. Nesse contexto, a UFVJM propõe o presente projeto que integra duas dimensões complementares: (1) o fortalecimento da participação social e do controle democrático do SUAS e (2) Capacitação Itinerante de conselheiros e gestores municipais na área da política de assistência social e participação social. A proposta também articulará formação teórico-prática, supervisão interdisciplinar e atuação em territórios, contribuindo para a qualificação das políticas públicas e a consolidação da cidadania, com a presença de estudantes da graduação e pós-graduação junto aos conselhos e representações municipais do Vale do Mucuri de modo a fortalecer as ações nestas localidades. Ao privilegiar metodologias participativas e de educação popular, o projeto pretende não apenas qualificar a gestão e o controle social do SUAS no Vale do Mucuri, mas também consolidar o observatório de políticas sociais como um espaço democrático. Ampliando a capacidade de gestão pública e participação social para enfrentar desigualdades históricas e garantir direitos sociais fundamentais. O projeto distingue-se por sua concepção inovadora no campo da extensão universitária e da participação social, ao propor a criação de um Observatório Regional de Participação Social e Controle Democrático e de um Banco de Dados Territorial Integrado sobre o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Vale do Mucuri. A proposta de inovação social está assentada na construção de instrumentos permanentes de monitoramento, formação e sistematização de experiências participativas, capazes de gerar conhecimento público, aberto e aplicável à gestão social dos municípios. O observatório, ao reunir universidades, conselhos, organizações da sociedade civil e gestores municipais, constituir-se-á em um espaço técnico-científico de escuta, análise e devolutiva social, promovendo o diálogo entre a produção acadêmica e as demandas reais dos territórios. O Banco de Dados Regional, por sua vez, será estruturado como uma ferramenta digital colaborativa, reunindo informações sobre conselhos municipais, indicadores de participação social, composição dos CMAS, ações formativas e práticas inovadoras de controle social. Essa base permitirá o monitoramento contínuo dos indicadores de representatividade, frequência e efetividade deliberativa, oferecendo subsídios para diagnósticos locais e regionais. Ao integrar extensão, pesquisa e ensino em um sistema de monitoramento e gestão do conhecimento, o projeto supera o caráter pontual e assistencialista de projetos tradicionais de extensão, consolidando-se como uma tecnologia social de fortalecimento da democracia participativa. Trata-se de um modelo que alia produção científica, envolvimento comunitário e impacto social mensurável, com potencial de replicação em outros territórios de vulnerabilidade social. Dessa forma, a proposta não apenas atua na formação cidadã e na qualificação de conselheiros, mas também inova ao instituir instrumentos de acompanhamento contínuo, produção de evidências e difusão de boas práticas democráticas, contribuindo de forma concreta para a formulação e o aprimoramento das políticas públicas de participação social.


Objetivos

Objetivo geral: Consolidar um espaço permanente de monitoramento, formação e difusão de práticas democráticas, voltado ao fortalecimento da participação social e do controle democrático da política de assistência social no Vale do Mucuri integrando universidades, conselhos, movimentos sociais e gestores públicos. Objetivos específicos: • Mapear organizações da sociedade civil, movimentos sociais e conselhos atuantes no SUAS na região; • Realizar capacitação itinerante interdisciplinar com foco na participação social e controle democrático; • Promover a formação continuada de conselheiros, gestores e lideranças comunitárias em polos regionais; • Acompanhar e assessorar tecnicamente os Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS); • Estimular a produção de conhecimento e a sistematização de experiências extensionistas, produzindo relatórios, boletins e cartilhas digitais com análises e boas práticas regionais; • Fortalecer a articulação em rede entre universidade, poder público e sociedade civil.


Metas

I) Implantar e colocar em funcionamento um Observatório Regional de Participação Social, articulando universidade, gestores, conselhos e sociedade civil, com banco de dados atualizado, plataforma digital ativa e realização de, no mínimo, um seminário regional para socialização dos resultados do projeto; II) Realizar diagnóstico participativo em 12 municípios do Vale do Mucuri, identificando e cadastrando pelo menos 100 organizações da sociedade civil, movimentos sociais e Conselhos Municipais de Assistência Social, consolidando um banco de dados regional; III) Promover 12 oficinas itinerantes de capacitação, distribuídas entre os polos regionais, alcançando, no mínimo, 300 participantes entre conselheiros, gestores, trabalhadores do SUAS e representantes da sociedade civil; IV) Ofertar um ciclo de formação continuada com carga horária mínima de 40 horas, certificando pelo menos 300 conselheiros, lideranças comunitárias e 30 gestores municipais; V) Realizar um seminário regional e formalizar parcerias com instituições públicas, universidades, conselhos e organizações da sociedade civil, consolidando uma rede permanente de cooperação para fortalecimento da participação social no Vale do Mucuri.


Metodologia

• Etapa 1 – Diagnóstico participativo: Levantamento e mapeamento das OSCs, movimentos sociais e conselhos da região; com realização de oficinas participativas em municípios estratégicos do Vale do Mucuri. • Etapa 2- Formação equipe de apoio técnico. Capacitação específica dos estudantes de graduação e pós-graduação (presencias e virtuais) para atuação junto aos Conselhos Comunitários, Movimentos Sociais e Gestores Públicos utilizando metodologias ativas. • Etapa 3 – Formação e mobilização: Realização de cursos de formação para conselheiros e lideranças comunitárias (presenciais e virtuais), com uso de metodologias da educação popular, pedagogia da alternância e comunicação comunitária. Duração: 12 meses. Carga horária semanal: 12 horas. Módulos Temáticos a) Integração e acolhimento: introdução ao programa, ética profissional, direitos humanos. b) Prática supervisionada: atuação em CRAS, CREAS, escolas e unidades de saúde. c) Projetos interdisciplinares: desenvolvimento de ações integradas para grupos vulneráveis. d) Supervisão e orientação: encontros semanais com supervisores de cada área. e) Avaliação e reflexão: relatórios periódicos, reuniões de feedback e seminários finais. Módulo Imersivo 1. Atendimento direto a famílias e grupos vulneráveis. Reuniões interdisciplinares para análise de casos e planejamento de ações. Seminários, oficinas e eventos de integração entre teoria e prática. Produção acadêmica: relatórios, artigos, projetos aplicados. 2. Supervisão interdisciplinar Supervisão semanal e avaliação trimestral. Encontros interdisciplinares mensais para troca de experiências e resolução de problemas. • Etapa 4 – Assessoria técnica: Apoio direto às gestões municipais e aos CMAS no acompanhamento de programas socioassistenciais como o Bolsa Família e Cadastro Único. • Etapa 5 – Articulação em rede: Promoção de encontros intermunicipais, fóruns de diálogo e oficinas de integração entre OSCs, movimentos sociais e gestores. • Etapa 6 – Sistematização e divulgação: Produção de relatórios, artigos científicos, cartilhas de orientação para OSCs e Conselhos e organização de um seminário regional sobre participação social no SUAS. Estrutura e Organização Territorial Cada supervisor acadêmico será responsável por quatro municípios, organizados em polos regionais: Polo 1 – Teófilo Otoni, Nanuque, Carlos Chagas e Pavão Polo 2 – Ladainha, Ouro Verde de Minas, Ataléia e Pescador Polo 3 – Itambacuri, Poté, Frei Gaspar Crisólita As atividades presenciais serão realizadas de forma itinerante, com duas oficinas por mês em cada polo, complementadas por acompanhamento virtual. Avaliação e Indicadores A avaliação será processual, participativa e interdisciplinar, integrando dimensões formativas, operacionais e de impacto social. Ela será conduzida em duas frentes: formativa e somativa. Avaliação Formativa: acompanhamento contínuo por meio de relatórios, reuniões de supervisão e rodas de conversa avaliativas. Avaliação Somativa: medição de resultados e impactos ao final de cada ciclo. Indicadores de avaliação Cursos, Oficinas e Materiais Didáticos - Quantitativos: nº de residentes formados, nº de horas de supervisão realizadas. - Qualitativos: integração interdisciplinar e inovação das práticas. Eixo Participação Social e Controle Democrático: - Quantitativos: nº de conselheiros e lideranças formadas, nº de CMAS assessorados. - Qualitativos: mudanças na dinâmica dos conselhos e ampliação do protagonismo social. - Construção de indicadores e painel digital sobre participação social; Eixo Articulação Institucional: - Quantitativos: nº de parcerias e encontros intermunicipais realizados. - Qualitativos: cooperação entre universidade e secretarias municipais. - Ampliação do controle social. Eixo Produção de Conhecimento: - Quantitativos: nº de artigos, relatórios e cartilhas. - Qualitativos: pertinência e replicabilidade dos resultados. Eixo Comunicação Cidadã: - Quantitativos de boletins, podcasts e mídias comunitárias para divulgação de experiências. Relatórios parciais e finais sistematizarão os resultados e serão apresentados em seminário regional. Eixo Avaliação de Impacto Social e Fortalecimento da Participação nos CMAS: A avaliação de impacto social do projeto será conduzida de forma participativa, articulando instrumentos quantitativos e qualitativos que permitam medir, ao longo da execução e ao final do projeto, os efeitos concretos das ações sobre a qualificação da participação social e o fortalecimento dos Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS). A metodologia adotada se baseará em três dimensões avaliativas: 1. Dimensão institucional – voltada à análise da estrutura e do funcionamento dos CMAS antes e depois da execução do projeto. Serão aplicados diagnósticos comparativos contendo indicadores como: a regularidade das reuniões e número médio de participantes; o percentual de representação da sociedade civil e de usuários do SUAS; a existência de regimento interno atualizado e de plano de ação anual; a frequência de deliberações e de monitoramento das políticas públicas. Esses dados serão sistematizados no Banco de Dados Regional de Participação Social, permitindo a comparação longitudinal entre os municípios acompanhados. 2. Dimensão formativa – centrada na mensuração do impacto das ações de capacitação sobre os conselheiros e lideranças locais. Serão utilizados instrumentos de autoavaliação e avaliação de aprendizagem, aplicados antes e após os cursos e oficinas, para mensurar mudanças em três aspectos: a compreensão teórica sobre participação e controle social; a capacidade de atuação crítica e propositiva nos conselhos; o envolvimento nas decisões e articulações interinstitucionais. Os resultados serão analisados estatisticamente e qualitativamente por meio de questionários, grupos focais e entrevistas com participantes. 3. Dimensão social e política – voltada à análise das mudanças na cultura participativa e no protagonismo social nos municípios envolvidos. Serão observados e avaliados: o aumento da presença e do engajamento dos usuários do SUAS nas reuniões e fóruns; a ampliação da cooperação entre CMAS, OSCs e movimentos sociais; as evidências de incidência política em planos, conferências e deliberações municipais. Essa dimensão incluirá estudos de caso municipais e relatórios de campo dos supervisores acadêmicos, produzidos semestralmente, que comporão um Painel de Impacto Social a ser divulgado pelo Observatório Regional. Além disso, os resultados parciais e finais serão validados em seminários avaliativos intermunicipais, reunindo conselheiros, gestores, pesquisadores e representantes da sociedade civil, para a construção de uma avaliação compartilhada dos efeitos do projeto. Com essa metodologia, o observatório pretende consolidar uma linha base de indicadores de participação social para o Vale do Mucuri, criando referências que poderão subsidiar políticas públicas, diagnósticos regionais e novas iniciativas de extensão universitária voltadas ao fortalecimento da democracia participativa.


Referências Bibliográficas

CÔRTES, S. V.; SILVA, P. L. B. Conselhos e Democracia: a participação social na política de assistência. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 25, n. 73, 2010. DEUS, Sandra; ZACARIOTTI, Marluce. Desafios contemporâneos da extensão universitária nas IEs brasileiras. Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo, [S. l.], v. 13, n. 31, p. 75–86, 2024. DOI: 10.46952/rebej.v13i31.1229. Disponível em: https://www.rebej.abejor.org.br/index.php/rebej/article/view/1229. Acesso em: 15 out. 2025. FORPROEX. Política Nacional de Extensão Universitária. Brasília: Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, 2012. Disponível em: chromeextension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://proex.ufsc.br/files/2016/04/Pol%C3%ADticaNacional-de-Extens%C3%A3o-Universit%C3%A1ria-e-book.pdf. Acesso em: 12 de out. de 2025. IBGE. Censo Demográfico 2022: resultados preliminares. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/22827-censo-demografico-2022.html. Acesso em 15 de out. de 2025. PNUD; IPEA; FJP. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Brasília: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Fundação João Pinheiro, 2013. Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br/. Acesso em 15 de out. de 2025. SEMEAR NO VALE. Diagnóstico social dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Belo Horizonte, 2022. Disponível em: chromeextension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.ufmg.br/polojequitinhonha/wpcontent/uploads/2019/10/Diagn%C3%B3stico.pdf. Acesso em 10 de out. de 2025. SPOSATI, A. Política de Assistência Social: uma trajetória de avanços e desafios. São Paulo: Cortez, 2009. SOUZA, S. C. de. Quilombos e Política de Assistência Social: desigualdade e resistência no Vale do Mucuri. UFVJM, 2022. SOUZA, Sidimara C. de; BRANDÃO, André Augusto P.. A política de assistência social e as comunidades quilombolas do Vale do Mucuri-MG. Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, [S. l.], v. 18, n. 1, 2021. Disponível em: https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/argumentos/article/view/3832. Acesso em: 15 out. 2025. TATAGIBA, L. Os conselhos gestores e a democratização das políticas públicas no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002.


Interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade

O projeto fundamenta-se na interação dialógica entre a comunidade acadêmica e a sociedade, compreendendo a extensão universitária como um processo de construção coletiva do conhecimento. As ações serão desenvolvidas em parceria com Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS), organizações da sociedade civil, movimentos sociais, gestores públicos e usuários do SUAS, valorizando os saberes populares e as especificidades territoriais do Vale do Mucuri, bem como de cada munícipio. A interação ocorrerá por meio de diagnósticos participativos, oficinas, capacitações itinerantes, assessorias técnicas, fóruns intermunicipais e reuniões de planejamento e avaliação, garantindo que a comunidade participe ativamente da identificação de demandas, da definição de prioridades e da construção das estratégias de intervenção. Dessa forma, o projeto promove uma relação horizontal entre universidade e sociedade, fortalecendo a participação social, o controle democrático e a produção compartilhada de conhecimentos capazes de subsidiar o aprimoramento da política de assistência social no território.


Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade

O Observatório adota a interdisciplinaridade e a interprofissionalidade como princípios estruturantes de sua concepção e execução, promovendo a integração entre diferentes áreas do conhecimento e saberes profissionais na construção de estratégias de fortalecimento da participação social no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A equipe é composta por docentes, pesquisadores, técnicos e estudantes dos cursos de Serviço Social, Administração, Educação, Matemática, Ciências Contábeis, possibilitando a articulação de diferentes perspectivas teórico-metodológicas na análise das demandas territoriais e na formulação de respostas às realidades locais. As atividades de diagnóstico participativo, capacitação itinerante e produção de conhecimento serão desenvolvidas por equipes interprofissionais, favorecendo a integração de competências específicas e a construção de soluções compartilhadas para os desafios da gestão democrática e do controle social. As ações incluirão planejamento coletivo, supervisão interdisciplinar, estudos de caso, oficinas temáticas e reuniões sistemáticas de avaliação, fortalecendo o diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento. Essa abordagem amplia a capacidade de compreensão dos fenômenos sociais presentes no Vale do Mucuri, contribui para a qualificação das práticas extensionistas e fortalece a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, promovendo uma formação acadêmica comprometida com a realidade social e com a defesa dos direitos socioassistenciais.


Indissociabilidade Ensino – Pesquisa – Extensão

O Observatório articula de forma indissociável o ensino, a pesquisa e a extensão, promovendo a formação acadêmica em estreita relação com as demandas sociais do território. As atividades extensionistas constituirão espaços de aprendizagem para estudantes de graduação e pós-graduação, que participarão de diagnósticos, capacitações, assessorias técnicas e processos de sistematização das experiências. Simultaneamente, as ações produzirão dados e evidências que subsidiarão pesquisas, trabalhos de conclusão de curso, dissertações, artigos científicos, cartilhas e demais produtos técnico-científicos. Dessa forma, o projeto fortalece a produção de conhecimento socialmente referenciado, contribui para a qualificação da formação profissional e amplia o compromisso da universidade pública com o desenvolvimento regional e o fortalecimento da democracia participativa.


Impacto na Formação do Estudante: Caracterização da participação dos graduandos na ação para sua formação acadêmica

A ação proporcionará aos estudantes de graduação uma formação acadêmica fundamentada na integração entre teoria e prática, possibilitando a vivência direta dos processos de participação social, controle democrático e gestão da política de assistência social no território do Vale do Mucuri. Os discentes atuarão em todas as etapas da proposta, desde o diagnóstico participativo e o mapeamento das organizações da sociedade civil até a realização de oficinas, assessorias técnicas aos Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS), sistematização de informações e produção de materiais técnicos e científicos. A participação ocorrerá sob supervisão permanente dos docentes e pesquisadores do projeto, favorecendo o desenvolvimento de competências técnicas, éticas e político-profissionais essenciais à formação universitária. Os estudantes terão a oportunidade de aplicar metodologias participativas, desenvolver habilidades de pesquisa de campo, planejamento, trabalho em equipe interdisciplinar, mediação de processos coletivos, análise de políticas públicas, elaboração de diagnósticos territoriais e avaliação de programas sociais. Além da formação prática, o projeto estimulará a produção de conhecimento por meio da elaboração de relatórios técnicos, artigos científicos, trabalhos de conclusão de curso, apresentações em eventos acadêmicos, cartilhas, boletins e demais produtos extensionistas. Essa experiência contribuirá para o fortalecimento da capacidade crítica, da responsabilidade social e do compromisso ético com a defesa dos direitos sociais, preparando os estudantes para uma atuação profissional qualificada e comprometida com a democracia participativa, o controle social e o fortalecimento das políticas públicas. Espera-se, ainda, que a inserção dos graduandos em equipes interdisciplinares e em espaços permanentes de diálogo com gestores, trabalhadores, conselheiros e usuários do SUAS amplie sua compreensão sobre a realidade social do território, qualificando sua formação cidadã e profissional e consolidando a extensão universitária como um espaço privilegiado de aprendizagem, produção de conhecimento e transformação social.


Impacto e Transformação Social

A atividade tem como propósito promover impactos sociais permanentes por meio do fortalecimento da participação social e do controle democrático no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Vale do Mucuri. Ao articular universidade, poder público, conselhos de políticas públicas, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e usuários do SUAS, a proposta busca ampliar a capacidade de atuação dos atores sociais na formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas, contribuindo para a consolidação de uma gestão mais participativa, transparente e comprometida com a garantia de direitos. Entre os principais impactos esperados destacam-se a qualificação técnica e política de conselheiros, gestores, trabalhadores e lideranças comunitárias; o fortalecimento institucional dos Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS); a ampliação da participação dos usuários nos espaços de deliberação; e a criação de mecanismos permanentes de monitoramento e produção de informações sobre a participação social na região, por meio do Observatório Regional e do Banco de Dados Territorial. A proposta também pretende fortalecer as redes de cooperação entre universidade, municípios e organizações da sociedade civil, favorecendo a circulação de conhecimentos, a disseminação de boas práticas e a construção de soluções coletivas para os desafios enfrentados pelos territórios. Ao produzir diagnósticos, indicadores, cartilhas, relatórios técnicos e publicações científicas, o projeto contribuirá para qualificar a gestão da política de assistência social e subsidiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Como resultado, espera-se consolidar uma cultura de participação democrática no Vale do Mucuri, ampliando o protagonismo da sociedade civil, fortalecendo o controle social e contribuindo para o enfrentamento das desigualdades históricas que marcam a região. Dessa forma, o projeto reafirma o papel da universidade pública como agente de transformação social, comprometida com a produção de conhecimento socialmente referenciado e com a promoção da cidadania, da democracia participativa e da efetivação dos direitos socioassistenciais.


Divulgação

A divulgação do projeto será realizada de forma contínua, utilizando estratégias de comunicação científica, institucional e comunitária para garantir ampla visibilidade às ações e aos resultados alcançados. Serão utilizados os canais oficiais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEXC), das prefeituras e instituições parceiras, além de redes sociais, sites institucionais e veículos de comunicação locais e regionais. Ademais, os resultados poderão ser divulgados em formato de artigos, relatos de experiência, capítulos de livros e/ou livros.


Propriedade(s) Intelectual

Banco de dados sobre a política de assistência social, cartilhas, observatório.

Público-alvo

Descrição

associações comunitárias, movimentos quilombolas, pastorais sociais, sindicatos, coletivos de mulheres, juventudes e populações tradicionais

Descrição

Secretários (as) de assitência social, prefeitos, implementadores e coordenadores da PNAS.

Municípios Atendidos

Município

Teófilo Otoni - MG

Município

Nanuque - MG

Município

Carlos Chagas - MG

Município

Pavão - MG

Município

Ladainha - MG

Município

Ataléia - MG

Município

Ouro Verde de Minas - MG

Município

Pescador - MG

Município

Poté - MG

Município

Itambacuri - MG

Município

Frei Gaspar - MG

Município

Crisólita - MG

Parcerias

Nenhuma parceria inserida.

Cronograma de Atividades

Carga Horária Total: 700 h

Carga Horária 60 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Levantamento e sistematização de informações sobre os Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS), organizações da sociedade civil, movimentos sociais e demais atores do SUAS nos municípios participantes. Aplicação de questionários, entrevistas e oficinas diagnósticas.

Carga Horária 120 h
Periodicidade Quinzenalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Organização das informações coletadas e desenvolvimento da plataforma do Observatório.

Carga Horária 120 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Realização de cursos, oficinas e seminários presenciais e virtuais voltados ao fortalecimento da participação social, controle democrático, gestão do SUAS e educação permanente.

Carga Horária 100 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Acompanhamento técnico aos conselhos municipais para fortalecimento do controle social, elaboração de planos de ação, revisão de normativas e apoio às deliberações.

Carga Horária 80 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Promoção de encontros entre universidade, gestores, conselhos, organizações da sociedade civil e movimentos sociais para troca de experiências e fortalecimento da rede regional de participação social.

Carga Horária 80 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Elaboração de cartilhas, boletins, relatórios técnicos, artigos científicos, capítulos de livro, podcast e demais produtos de divulgação científica e extensionista.

Carga Horária 20 h
Periodicidade Anualmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Organização e realização do seminário regional para apresentação dos resultados, compartilhamento de experiências e avaliação das ações desenvolvidas junto aos municípios participantes.

Carga Horária 120 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Reuniões de acompanhamento, avaliação das metas, análise dos indicadores, elaboração de relatórios parciais e relatório final, assegurando o monitoramento contínuo da execução do projeto.