Detalhes da ação

ENVELHESER COM ESPERANÇA: SAÚDE MENTAL COMO PILAR DA LONGEVIDADE

Sobre a Ação

Nº de Inscrição

202203001780

Tipo da Ação

Projeto

Situação

RECOMENDADA :
EM ANDAMENTO - Normal

Data Inicio

24/06/2026

Data Fim

30/01/2027


Dados do Coordenador

Nome do Coordenador

flávia gonçalves da silva

Caracterização da Ação

Área de Conhecimento

Ciências Humanas

Área Temática Principal

Saúde

Área Temática Secundária

Saúde

Linha de Extensão

Saúde Humana

Abrangência

Municipal

Gera Propriedade Intelectual

Não

Vínculada a Programa de Extensão

Não

Envolve Recursos Financeiros

Não

Ação ocorrerá

Fora do campus

Período das Atividades

Tarde

Atividades nos Fins de Semana

Não

Membros

Tipo de Membro Interno
Carga Horária 100 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 100 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 100 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 100 h
Resumo

O objetivo geral deste projeto é desenvolver intervenções em saúde mental voltadas a um grupo de idosos, com ênfase na promoção do bem-estar psicológico, na prevenção de transtornos mentais e fortalecimento dos vínculos sociais, por meio de atividades terapêuticas e de socioterapia. O projeto será desenvolvido pela equipe multprofissional em saúde do idoso, no município do Serro.


Palavras-chave

saúde mental; idosos; envelhecimento; promoção da saúde


Introdução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o termo saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não penas como a ausência de doença ou enfermidade (WHO, 2019). Quando falamos de bem-estar mental, nos referimos à saúde mental, que é caracterizada por ser um dos campos mais complexos e amplos dentro da área da saúde, envolvendo uma abordagem multiprofissional (Ministério da Saúde, 2020). A saúde mental pode ser compreendida como uma condição de equilíbrio, em que a pessoa reconhece e aplica suas capacidades, enfrenta adequadamente as pressões do cotidiano, atua de maneira eficiente em suas atividades e se envolve de forma significativa com a comunidade (OMS, 2023). Além disso, de acordo com a literatura, a saúde mental está vinculada às formas de compreender a saúde e os transtornos psíquicos, sendo influenciada tanto pelos paradigmas tradicionais da psiquiatria quanto pelas transformações propostas pela reforma psiquiátrica (Alcântara; Vieira; Alves, 2022). Segundo o plano de ação em saúde mental da Organização Mundial da Saúde (OMS), são classificadas como portadoras de transtornos mentais aquelas pessoas que apresentam condições como depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar, demência, uso problemático de substâncias, deficiências intelectuais, além de distúrbios do desenvolvimento e do comportamento (OMS, 2023). Dentre estes, a depressão e a ansiedade se destacam por afetarem uma parcela significativa da população global, com taxas de prevalência estimadas em cerca de 4,4% para a depressão e 3,6% para a ansiedade. De acordo com um estudo, as maiores queixas dos pacientes que procuram os serviços de saúde, principalmente na Atenção Básica, estão relacionados a problemas de saúde mental (Brasil, 2019). A literatura aponta diversos fatores para o desenvolvimento de transtornos mentais, sendo estes sociais, culturais, econômicos, ambientais e individuais (WHO, 2013). No Brasil há uma grande prevalência de transtornos mentais, e este número se tornou ainda mais significativo com a pandemia do COVID-19 (OPAS, 2025). Um estudo aponta que durante esse período os níveis de ansiedade e depressão aumentaram significativamente (Furtado, 2021). A literatura ainda aponta que a população idosa é a mais afetada pelos transtornos mentais, visto que o aumento da expectativa de vida é uma realidade mundial, caracterizada por um crescente aumento do subgrupo populacional composto por pessoas com sessenta anos ou mais (Oliveira; Gonçalves, 2020; Sousa et al., 2020). Esse fenômeno está associado a menores taxas de natalidade e maior longevidade (Macia et al., 2019), e como consequência, têm-se um aumento na prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e doenças mentais (Cunha, 2022). O processo do envelhecimento é marcado por diversas alterações sejam elas físicas, sociais e psicológicas e em paralelo a isso é observado uma grande prevalência de doenças crônico-degenerativas, que afetam diretamente o funcionamento do cérebro, como as doenças neuropsiquiátricas (Tayaa et al., 2020), destacando-se principalmente a depressão, que é um dos principais transtornos predominante entre a população idosa (Oliveira e Gonçalves, 2020), sendo este de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a quarta maior causa de incapacidade social (Borges et al., 2020; Khademloo et al., 2020). O transtorno depressivo é marcado por diversas alterações, dentre as quais destacamos: alterações do sono, alterações do apetite, humor deprimido agitação ou retardo psicomotor, tentativa de suicídio, entre outros (Anbari-Nogyni et al., 2020). Apesar das diversas fragilidades que marcam o processo de envelhecimento do indivíduo, ainda sim constitui um grande marco e conquista para a sociedade, considerando que o aumento da expectativa de vida se tornou uma realidade, que até então era vivenciada apenas nos países desenvolvidos, o que representa o resultado de melhorias das condições de vida da população e a ampliação de serviços de saúde (Veras; Oliveira, 2018). Dessa forma, considerando os impactos do envelhecimento na saúde mental, faz-se necessário intervenções voltadas para a população idosa com o intuito de prevenir agravos e promover qualidade de vida no que tange à saúde mental, destacando iniciativas na Atenção Primária à Saúde (APS), que de acordo com a literatura promovem o bem-estar emocional e previnem o agravamento de transtornos nessa população (Nascimento et al., 2021). É fundamental que as ações em saúde mental desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde (APS) sejam conduzidas por equipes multiprofissionais, com foco na qualificação do cuidado e no acompanhamento contínuo desses pacientes.Tais ações devem ser estruturadas por meio de articulações intersetoriais, incorporando contribuições da sociedade, das famílias, das comunidades e de todos os profissionais de saúde (Ferreira et al., 2019).


Justificativa

O envelhecimento populacional impõe novos desafios aos sistemas de saúde, especialmente no que se refere à preservação da independência e da autonomia da pessoa idosa. Mais do que a ausência de doenças, envelhecer com qualidade de vida está diretamente relacionado à capacidade de realizar atividades do cotidiano, tomar decisões sobre a própria vida e manter participação ativa no meio social. Nesse contexto, a autonomia não deve ser compreendida apenas como independência física, mas também como a habilidade de gerir aspectos emocionais, sociais e cognitivos (BRASIL, 2006). A saúde mental exerce papel central nesse processo, uma vez que alterações como ansiedade, depressão, isolamento social e declínio cognitivo podem comprometer significativamente a funcionalidade do idoso. Quando não abordadas, essas condições tendem a reduzir a motivação, a autoconfiança e a capacidade de enfrentamento das limitações impostas pelo envelhecimento, favorecendo a dependência progressiva e a perda de protagonismo sobre a própria vida ((WHO, 2013). Dessa forma, estratégias que promovam a manutenção da saúde mental tornam-se essenciais para sustentar a autonomia e a independência na velhice. Entre essas estratégias, destacam-se as intervenções em grupo, que se configuram como espaços potentes de cuidado, escuta e troca de experiências. A vivência grupal possibilita o fortalecimento de vínculos sociais, a redução do isolamento e o estímulo à participação ativa, fatores diretamente relacionados à melhoria do bem-estar emocional. Além disso, o grupo favorece o resgate da autoestima e do sentimento de pertencimento, aspectos fundamentais para que o idoso se reconheça como sujeito ativo e capaz. Atividades coletivas, como dinâmicas, rodas de conversa, práticas corporais e momentos de lazer, estimulam não apenas a cognição e a memória, mas também a autonomia nas decisões e no autocuidado. Ao compartilhar vivências e estratégias de enfrentamento, os participantes ampliam suas possibilidades de adaptação às mudanças do envelhecimento. Outro ponto relevante é que intervenções grupais apresentam baixo custo e grande alcance, permitindo a atuação multiprofissional de forma integrada e eficaz. Esse modelo de cuidado contribui para a promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento da funcionalidade, impactando positivamente na redução da dependência e na melhoria da qualidade de vida (BRASIL,2014). Diante disso, o presente projeto justifica-se pela necessidade de desenvolver ações que promovam a saúde mental como eixo fundamental para a manutenção da independência e autonomia da população idosa. Por meio de atividades grupais, busca-se estimular o protagonismo, fortalecer vínculos sociais, incentivar o autocuidado e favorecer um envelhecimento mais ativo, participativo e saudável, respeitando as singularidades e potencialidades de cada indivíduo.


Objetivos

Objetivo Geral Desenvolver intervenções em saúde mental voltadas a um grupo de idosos, com ênfase na promoção do bem-estar psicológico, na prevenção de transtornos mentais e fortalecimento dos vínculos sociais, por meio de atividades terapêuticas e de socioterapia. Objetivos específicos ● Promover práticas de atividades físicas e terapêuticas de socialização para melhorar o bem-estar psicológico e a qualidade de vida dos idosos; ● Desenvolver estratégias de prevenção de transtornos mentais, com foco na redução de sinais e sintomas depressivos e ansiosos, por meio de abordagens terapêuticas e educacionais; ● Oferecer educação interativa em saúde mental, promovendo a conscientização sobre a importância do cuidado psicológico com a abordagem de temáticas multiprofissionais relevantes; ● Proporcionar momentos de descontração e integração social, promovendo o lazer, relaxamento e a redução do estresse; ● Estimular a autoestima e o autocuidado dos idosos, por meio da educação em saúde, promovendo práticas saudáveis para o bem-estar físico e emocional; ● Fomentar a inclusão social e reduzir o isolamento, promovendo o convívio social e a construção de vínculos afetivos entre o grupo.


Metas

O presente projeto tem como metas: ● Realizar encontros semanais com abordagens práticas e dinâmicas voltadas à promoção da saúde mental, considerando a atuação integrada da equipe multiprofissional; ● Promover atividades temáticas em cada encontro, abordando conteúdos relacionados à saúde mental, autocuidado, autoestima, vínculos sociais e lazer; ● Estimular a participação ativa dos idosos nas atividades propostas, promovendo o engajamento, o fortalecimento das capacidades cognitivas e comportamentais para a melhoria da qualidade de vida; ● Registrar e avaliar ao final do projeto os resultados das atividades desenvolvidas, por meio de anotações de campo, registros fotográficos (com autorização) e relatos dos participantes.


Metodologia

O projeto proposto tem como objetivo trabalhar questões relacionadas à saúde mental por meio de encontros semanais, com a aplicação de intervenções baseadas em uma abordagem multiprofissional. Essa proposta está alinhada de acordo com as diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e da Atenção Primária à Saúde (APS), que valorizam o cuidado integral e contínuo, além da atuação colaborativa entre diferentes profissionais no território. Local de realização O projeto será desenvolvido no município do Serro, Minas Gerais, município na qual a Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso (RMSI) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) está inserida, na Associação do Morro do Vigário. Público-alvo: O projeto tem como foco os idosos residentes no Morro do Vigário, de ambos os sexos. Estima-se uma participação de aproximadamente 20 idosos. Período de realização e frequência O projeto terá uma duração estimada de oito meses (junho de 2026 a janeiro de 2027), com encontros semanais realizados toda quarta-feira, das 16:00 às 18:00 horas ao longo de todo o período. Cada encontro terá a duração aproximada de duas horas. Equipe As atividades do projeto serão conduzidas por uma equipe multiprofissional composta por residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso da UFVJM, abrangendo as áreas de Odontologia, Enfermagem, Nutrição e Farmácia. Para enriquecer as intervenções e proporcionar uma abordagem mais abrangente, o projeto contará com a colaboração de outros profissionais de saúde do município, como psicólogos, educadores físicos e fisioterapeutas que serão convidados ao longo do desenvolvimento das atividades para ministrar palestras e conduzir ações específicas. Essa integração visa promover a saúde mental dos participantes por meio de intervenções planejadas e contínuas. A frequência semanal das atividades permitirá uma abordagem consistente e longitudinal do acompanhamento efetivo do progresso dos envolvidos, fortalecendo os vínculos entre os participantes e a equipe de saúde. Desenvolvimento das atividades Considerando que a captação dos idosos do grupo EnvelheSER foi estruturada pela equipe de residentes anterior, o presente projeto dará continuidade ao trabalho com os idosos da Associação do Morro do Vigário, adotando uma abordagem multiprofissional voltada para a promoção da saúde mental. As atividades desenvolvidas terão como foco: - Dinâmicas: Serão estratégias eficazes para fortalecer os vínculos entre profissionais e participantes. Essas práticas interativas terão como objetivo estimular a comunicação, e a empatia bem como o engajamento dos envolvidos, tornando o processo de aprendizagem mais significativo, leve e participativo. - Rodas de conversa: Terão como foco principal a escuta ativa dos idosos participantes. A cada encontro será feito uma roda de conversa para discussão de um determinado tema, com dois momentos: um dedicado à exposição do tema pelos profissionais e outro para ouvir os relatos, experiências, dúvidas e conhecimentos dos participantes - Oficinas por profissão: Considerando a multidisciplinaridade da equipe, o objetivo é que a cada encontro um profissional aborde um tema específico relacionado à sua área. Essa abordagem permite uma educação em saúde mais abrangente, favorecendo o engajamento dos idosos, fortalecendo vínculos e promovendo a autonomia e o bem-estar dos participantes. - Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS): Práticas como meditação, yoga, fitoterapia, dança circular, aromaterapia e biodança têm se mostrado eficazes na promoção da saúde mental. Essas abordagens incentivam a autoconsciência e o equilíbrio emocional, auxiliando na redução do estresse, ansiedade e sintomas depressivos. Dessa forma, durante os encontros também será promovido tais atividades. - Lazer: Com o objetivo de promover o lazer e o bem-estar dos participantes do grupo, a equipe, em parceria com os gestores municipais, planeja organizar viagens e passeios a diferentes locais. Essas atividades proporcionam novas experiências, fortalecem os laços sociais e culturais que contribuem significativamente para a saúde mental.


Referências Bibliográficas

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Interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade

Este projeto tem como propósito aproximar a comunidade acadêmica da sociedade, fortalecendo uma relação baseada no diálogo, na troca de saberes e na construção coletiva do conhecimento. Essa integração busca promover ações voltadas ao bem-estar e à saúde, ampliando o acesso à informação e contribuindo para a redução das desigualdades sociais. Além disso, reforça o compromisso social da academia e os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), valorizando práticas que integrem ensino, cuidado e realidade social.


Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade

Este projeto contribui de forma relevante para a formação dos Residentes em Saúde do Idoso, ao proporcionar experiências práticas no território, estimular o trabalho multiprofissional e fortalecer o desenvolvimento de competências técnicas e habilidades relacionais, como comunicação, empatia e cuidado centrado na pessoa.


Indissociabilidade Ensino – Pesquisa – Extensão

O projeto será desenvolvido a partir da disciplina Saúde mental e Atenção Psicossocial e Aspectos Psicológicos do desenvolvimento, exigindo dos residentes articular os conhecimentos trabalhados na disciplina nas intervenções extensionistas. A partir do contato com uma dada realidade, é possível identificar necessidades de investigação científica para ampliar o conhecimento.


Impacto na Formação do Estudante: Caracterização da participação dos graduandos na ação para sua formação acadêmica

Este projeto contribuirá de forma significativa através da experiência prática para os discentes estarem incluídos em uma realidade que cada vez mais encontrará diante da vida profissional. A oportunidade de desenvolver o trabalho junto equipe multiprofissional têm grande valia para a comunidade e até mesmo para os profissionais, pois as trocas de experiências e busca por novos conhecimentos colaboram para o desenvolvimento das habilidades e competências.


Impacto e Transformação Social

Tendo em vista que o projeto busca promover o envelhecimento ativo e saudável, espera-se que ele contribua de forma significativa para a qualificação do cuidado ofertado à população idosa do município de Serro, ampliando o acesso a ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento da autonomia dos participantes.


Divulgação

A divulgação do projeto será realizada pela rede social do município (Instagram), pela rede social criada exclusivamente para o projeto (@envelheser.serro), e também pela rede social dos residentes. Será feita também por meio dos grupos de WhatsApp com os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS). A comunicação com os participantes do grupo e gestores da Associação do Morro do Vigário serão pontos chaves para divulgar e captar novos integrantes.


Público-alvo

Descrição

Idosos que já participam do projeto desde seu início em 2024 e novos que queiram participar

Municípios Atendidos

Município

Serro - MG

Parcerias

Nenhuma parceria inserida.

Cronograma de Atividades

Carga Horária Total: 100 h

Carga Horária 40 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Planejamento de cada encontro

Carga Horária 60 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Realização das atividades com os idosos