Visitante
ESCOLA TAMBOR: OFICINA DE CONSTRUÇÃO DE TAMBORES E PATANGOMES
Sobre a Ação
202203001792
032022 - Ações
Curso/Oficina
RECOMENDADA
:
EM ANDAMENTO - Normal
01/09/2026
22/10/2026
Dados do Coordenador
vanessa juliana da silva
Caracterização da Ação
Linguística, Letras e Artes
Cultura
Direitos Humanos e Justiça
Artes integradas
Regional
Não
Não
Sim
Dentro do campus
Integral
Não
Redes Sociais
Membros
A proposta prevê a realização da Escola Tambor, com oficinas voltadas à construção artesanal de tambor mineiro e patangomes. As oficinas abordarão algumas manifestações do tambor em Minas Gerais, materiais e técnicas de construção do tambor e do patangome, sob princípios da educação antirracista e será direcionada, prioritariamente, ao público oriundo de comunidades quilombolas do Vale do Jequitinhonha. Serão construídos 08 tambores e 20 patangomes.
tambor mineiro; patangome; cultura popular; educação antirracista
A Escola Tambor vincula-se ao Festival "Enveredar-se UFVJM: culturas, artes e saberes", integrando o eixo "Debulhar o trigo... e se fartar de pão" – Formações Culturais e Oficinas Artísticas. Nesse contexto, insere-se no eixo formativo do festival ao promover o encontro entre conhecimentos técnicos, memória cultural e práticas coletivas de criação. A oficina de construção de tambores e patangomes terá duração de 20 horas, distribuídas em três dias. A oficina propõe uma imersão nos conhecimentos relacionados à construção artesanal de tambor mineiro (tambor do Rosário, caixa de congado, caixas de folia), instrumento fundamental em diversas manifestações culturais do Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Norte de Minas e patangomes, instrumento característico do congado mineiro. Além da construção dos instrumentos, os participantes terão contato com narrativas, memórias, musicalidades e práticas coletivas vinculadas às tradições populares. Em Minas Gerais, os tambores constituem elementos centrais de diversas manifestações da cultura popular. Sua construção artesanal envolve conhecimentos transmitidos entre gerações, articulando música, trabalho manual, criatividade e pertencimento comunitário, além da atualização dessas práticas. Ao possibilitar que as/os participantes construam um instrumento para suas comunidades de origem, a oficina promove a valorização dos saberes populares, fortalece vínculos culturais e amplia o acesso às práticas musicais tradicionais, contribuindo para a preservação e renovação do patrimônio cultural imaterial.
Os tambores acompanham a história dos povos e constituem importantes instrumentos de comunicação, celebração, resistência e construção de identidades coletivas. Nos territórios dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e norte de Minas, ocupam lugar central em manifestações como Folias de Reis, Congados, Marujadas, Batuques e diversas celebrações comunitárias, constituindo patrimônios da cultura popular. Contudo, os saberes relacionados à construção desses instrumentos encontram-se ameaçados pelos processos de urbanização, homogeneização cultural e pela crescente substituição de instrumentos artesanais por produtos industrializados. Nesse contexto, torna-se fundamental criar espaços de partilha de conhecimentos que permitam não apenas aprender técnicas construtivas, mas fortalecer vínculos comunitários e reconhecer a cultura popular como patrimônio e como forma legítima de produção de conhecimento. A Escola Tambor nasce desse compromisso com a salvaguarda dos saberes populares e com a formação de novas gerações de fazedores de cultura. Ao integrar a programação do Festival Enveredar-se, as oficinas contribuirão para o fortalecimento da relação universidade e comunidade, promovendo experiências educativas que valorizam a diversidade cultural dos territórios de atuação da UFVJM. A proposta dialoga diretamente com o tema do festival — "Conhecer os desejos da terra" — ao reconhecer que os tambores e patangomes, construídos a partir da matéria prima, do trabalho humano e da memória coletiva, expressam modos de vida profundamente conectados aos territórios e às comunidades que os produzem.
Geral Promover um processo formativo de construção artesanal de tambores e patangomes fundamentado na educação popular e na valorização dos saberes tradicionais, voltado para o fortalecimento da musicalidade popular e o reconhecimento das culturas dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri como patrimônio vivo e expressão de existência, resistência, identidade e pertencimento territorial. Específicos - Aproximar universidade e comunidade por meio de práticas extensionistas fundamentadas no diálogo de saberes, na participação coletiva e na construção compartilhada do conhecimento; - Estimular o reconhecimento da cultura popular como campo de produção de conhecimento, memória e identidade, contribuindo para a valorização das expressões culturais tradicionais frequentemente invisibilizadas pelos processos de modernização e homogeneização cultural; - Desenvolver habilidades práticas de construção artesanal de instrumentos musicais, possibilitando aos participantes vivenciar todas as etapas de construção da caixa de folia e do patangome; - Contribuir para a formação de novos praticantes e multiplicadores das tradições percussivas populares, ampliando as condições de continuidade e renovação das manifestações culturais presentes nos territórios de abrangência da UFVJM.
Realização de duas oficinas de construção de tambores e patangomes, com duração de 20 horas; Alcance de 10 participantes em cada oficina; Construção coletiva de 10 patangomes e 04 tambores por oficina, totalizando 20 patangomes e 08 tambores; Produção de registros audiovisuais da atividade; Fortalecimento da rede de articulação entre a Escola Tambor, a UFVJM e os grupos culturais da região.
A metodologia da Escola Tambor fundamenta-se nos princípios da educação popular antirracista, da valorização dos saberes tradicionais e do reconhecimento das manifestações culturais como espaços de produção e partilha de conhecimentos, memórias e identidades coletivas. Compreende-se que os conhecimentos relacionados à construção dos instrumentos musicais não se restringem ao domínio técnico, mas integram um conjunto mais amplo de experiências, memórias, práticas culturais e modos de vida produzidos coletivamente nos territórios. A proposta adota uma abordagem participativa e dialógica, na qual os participantes são reconhecidos como sujeitos ativos do processo formativo. As oficinas terão duração total de 20 horas cada, distribuídas em 01 encontro de 08h e 02 encontros de seis horas. I Encontro - duração 08h Mística, apresentação da proposta, integração dos participantes e contextualização histórica e cultural dos tambores nas manifestações populares mineiras. Serão abordadas as matrizes indígenas, africanas e populares presentes na musicalidade dos territórios. Em seguida, serão apresentados os materiais, ferramentas e técnicas utilizados na construção dos instrumentos, iniciando-se o processo de fabricação dos tambores e dos patangomes. No I Encontro serão colados os aros e o corpo dos tambores. II Encontro - duração 6h Mística. Acabamento do corpo do tambor e dos aros. Preparação dos aros de ferro. Confecção dos patangomes. Durante as atividades práticas, serão promovidas conversas sobre patrimônio cultural, partilha de saberes, cultura popular e desafios contemporâneos para a preservação das tradições culturais dos territórios. III Encontro - duração 6h Mística. Empachamento do tambor, finalização da oficina. Ao longo de todo o percurso formativo, as e os participantes serão estimuladas/os à cooperação, à criatividade, à autonomia e ao trabalho coletivo, compreendendo a construção dos instrumentos como uma experiência cultural capaz de fortalecer vínculos comunitários, valorizar patrimônios vivos e ampliar o reconhecimento da cultura popular como espaço de produção de conhecimento, memória e transformação social.
GONZALEZ, L. Festas populares no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2024. CEDEFES (org). Comunidade quilombolas de Minas Gerais no Século XXI - História e resistência. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. LUCAS, Glaura. Os sons do Rosário. O Congado Mineiro dos Arturos e Jatobá. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. PESSOA, J.M. Cultura Popular: gestos de ensinar e aprender. Petrópolis, RJ: Vozes, 2018.
A ação fundamenta-se na partilha de conhecimentos entre universidade e comunidade. Os saberes compartilhados pela Escola Tambor são resultado de processos históricos construídos em diálogo com grupos culturais, comunidades tradicionais e manifestações populares da região. Dessa forma, a oficina promove a produção coletiva do conhecimento, valorizando igualmente os saberes acadêmicos e os saberes populares.
A Escola tambor caracteriza-se por sua natureza essencialmente interdisciplinar, articulando conhecimentos da música, das artes, da matemática, da educação popular, da história, das ciências sociais, da antropologia, do patrimônio cultural e da produção cultural comunitária. A construção artesanal dos tambores e patangomes mobiliza saberes técnicos, estéticos e culturais que não se encontram dissociados das experiências históricas e dos modos de vida das comunidades que preservam e recriam essas tradições. A proposta fundamenta-se no diálogo entre diferentes formas de conhecimento, reconhecendo a complementaridade entre os saberes acadêmicos e os saberes populares.
A Escola Tambor nasce da experiência acumulada em projetos de formação cultural, pesquisa sobre cultura popular e ações extensionistas desenvolvidas junto às comunidades dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A oficina constitui espaço privilegiado para a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo processos de documentação, reflexão e valorização dos patrimônios culturais locais.
A participação dos estudantes possibilitará o contato com metodologias de educação popular, gestão cultural comunitária, práticas artísticas colaborativas e processos de salvaguarda do patrimônio imaterial. A experiência contribuirá para a formação crítica e cidadã dos participantes, ampliando sua compreensão sobre cultura, território e diversidade.
A oficina contribui para a valorização das culturas populares, para a preservação de saberes tradicionais e para o fortalecimento das identidades culturais locais. Ao possibilitar a construção de instrumentos e a formação de novos praticantes, a ação amplia as condições de continuidade das manifestações culturais populares, fortalecendo redes comunitárias e processos de participação social.
@gctmucuri
Orçamento para 08 tambores R$ 1000,00 - pele R$ 1250,00 - madeira R$ 250,00 - corda R$ 100,00 - cola PVA Extra R$ 100,00 - outros insumos para a construção de tambores e patangomes (rebite pop, tecido, ilhós...) Subtotal: R$2.700,00 Orçamento para patangomes R$ 200,00 - formas de pizza 15cm R$ 100,00 - fita de aço galvanizado Subtotal: R$ 300,00 Total da Oficina: R$3.000,00
Caracterização do Curso ou Oficina
Iniciação
20
I Encontro – 8 horas Mística de abertura; Apresentação da proposta e da metodologia da oficina; Integração dos participantes; Contextualização histórica e cultural dos tambores nas manifestações populares mineiras; Matrizes indígenas, africanas e populares presentes na musicalidade dos territórios; Apresentação dos materiais, ferramentas e técnicas utilizadas na construção dos instrumentos; Início da construção dos tambores; Colagem dos aros; Montagem do corpo dos tambores. II Encontro – 6 horas Mística de abertura; Acabamento do corpo dos tambores; Acabamento dos aros; Preparação dos aros de ferro; Confecção dos patangomes; Conversas sobre patrimônio cultural; Partilha de saberes; Cultura popular; Desafios contemporâneos para a preservação das tradições culturais dos territórios. III Encontro – 6 horas Mística de abertura; Empachamento dos tambores; Finalização dos instrumentos; Compartilhamento das experiências e aprendizados construídos durante a oficina; Encerramento.
A avaliação ocorrerá de forma processual, participativa e formativa, acompanhando o desenvolvimento das/os participantes ao longo de todas as etapas da oficina. Serão considerados aspectos como o envolvimento nas atividades propostas, a participação nas rodas de conversa, a cooperação nas atividades coletivas, a apropriação dos conhecimentos compartilhados e o desenvolvimento das habilidades relacionadas à construção e utilização das caixas de folia. Serão utilizados como instrumentos de avaliação: - Observação participativa durante as atividades; - Registro do processo de construção dos instrumentos; - Participação nas discussões e vivências coletivas.
A avaliação da realização da oficina será conduzida de forma coletiva, buscando identificar os resultados alcançados, os desafios encontrados e as contribuições da ação para as/os participantes e para a comunidade. Ao término das atividades será promovida uma roda de partilha de percepções sobre o processo formativo. Também serão considerados indicadores como número de participantes, frequência, quantidade de instrumentos construídos e registros fotográficos e audiovisuais produzidos ao longo da oficina. Os resultados serão sistematizados em relatório final, contendo a descrição das atividades desenvolvidas, avaliação dos participantes, registros da Escola Tambor.
Público-alvo
Público prioritário: pessoas a partir de 16 anos, indicadas por comunidades quilombolas dos territórios de abrangência da UFVJM. Para cada oficina serão abertas 10 vagas.
Municípios Atendidos
Diamantina - MG
Parcerias
Produção e redes sociais
Cronograma de Atividades
Carga Horária Total: 100 h
- Manhã;
- Tarde;
Compra e preparação prévia dos materiais para a oficina
- Manhã;
- Tarde;
Oficina de construção de tambores e patangomes, conforme procedimentos descritos na metodologia.
- Manhã;
- Tarde;
Oficina de construção de tambores e patangomes, conforme procedimentos descritos na metodologia.