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AÇÃO ENVEREDAR-SE — O cinas Teórico-práticas de Cianotipia
Sobre a Ação
202203001793
032022 - Ações
Projeto
RECOMENDADA
:
EM ANDAMENTO - Normal
01/08/2026
30/11/2026
Dados do Coordenador
alessandro peregalli fontana
Caracterização da Ação
Ciências Humanas
Cultura
Meio Ambiente
Artes integradas
Municipal
Não
Não
Sim
Fora do campus
Integral
Sim
Membros
A ação “Oficinas Teórico-práticas de Cianotipia” integra o Festival “Enveredar-se UFVJM: culturas, artes e saberes”, realizado pela Diretoria de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). A proposta consiste em um ciclo de oficinas teórico-práticas sobre processos históricos da fotografia de base química, culminando na Cianotipia Botânica, ancorada nos saberes populares e na diversidade biocultural das comunidades atendidas.
Culturas, Artes, Saberes, História, Fotografia, Processos fotográficos, Cianotipia, Diversidade Biocultural
Processo histórico da Fotografia, a Cianotipia foi criada em 1842 pelo cientista inglês John Herschel, quando descobriu as propriedades fotossensíveis da mistura de dois sais de ferro — Ferricianeto de Potássio e Citrato férrico amoniacal — gerando uma solução fotossensível que possibilita a “revelação” de imagens por contato, isto é, o papel emulsionado com esta solução cria um fotograma com a imagem em negativo de qualquer objeto que seja colocado em contato direto com o papel, desde que seja exposto por um tempo adequado a uma fonte de raios UV (WARE, 2020). Com invenção do processo, que teve início apenas três anos após a invenção da fotogra a, Sir John Herschel descobriu que tal solução de sais de ferro formava uma emulsão fotossensível que produzia uma bela cor azul. Desde então, o processo que hoje conhecemos como cianotipia ou impressão azul tem sido ensinado em todo o mundo, desde salas de aula da educação infantil até laboratórios universitários. Contudo, a cianotipia ainda não alcançou o mesmo prestígio que outros processos (ANDERSON, 2019). A camera obscura já vinha sendo usada há séculos para o desenho e a pintura desde o Renascimento, instrumento que facilitava o esboço de objetos do mundo visível. Com a invenção do fotografia, sobretudo a partir do daguerreótipo, tais imagens do mundo real, como paisagens e retratos puderam ser gravadas diretamente pela ação da luz, desde que tenhamos uma superfície — a mais comum o papel — sensibilizada quimicamente (KOSSOY, 2012). A invenção da fotografia propriamente dita é atribuída a Daguerre e Nièpce, que finalmente, após anos de pesquisas conseguiram fixar a imagem obtida pela camera obscura, em placas de cobre revestidas por uma camada de prata. Com a invenção do daguerreótipo, são criadas as condições para uma aceleração no desenvolvimento da criação da imagem fotográfica, o que ocasionou a desconsideração de questões históricas e filosóficas sobre a ascensão e o declínio da fotografia (BENJAMIN, 2017). Talvez pelo mesmo motivo — esta contínua aceleração e posterior industrialização da fotografia — acabou por relegar ao esquecimento muitos processos que hoje chamamos de “processos históricos”, que de tempos em tempos vão sendo redescobertos para fins artísticos, como é o caso da Cianotipia. Por ser um processo de baixa sensibilidade, pode ser feito em qualquer ambiente quenão receba luz direta, não necessitando da câmara escura para o preparo dos cianótipos. Após uma correta exposição à luz, deve-se dar um banho no fotograma, as partes que não foram expostas saem com a água, e as que receberam os raios UV tornam-se azuis, por isso o termo ciano, pois obtemos assim um azul intenso, chamado de azul da Prussia. Na época do surgimento da Cianotipia, este processo fotográ co despertou a curiosidade da botânica Anna Atkins, considerada a primeira fotógrafa da História e autora do primeiro livro ilustrado fotograficamente, das suas tão famosas impressões de algas, sendo assim a pioneira em eternizar as exsicatas botânicas em Cianotipia (SCHAFF, 1985).
O reconhecimento da natureza como parte de uma tradição cultural das comunidades com forte herança rural, perpassa gerações através da transmissão oral de conhecimentos. Tais saberes ancestrais representam o patrimônio imaterial necessário para a valorização e preservação de modos de vida enraizados na saúde coletiva e no bem viver comunitário. Tendo em vista o avanço da urbanização, que põe em risco a conexão dos indivíduos com sua ancestralidade, o projeto proposto tem uma relevância no sentido de suscitar um diálogo entre a biodiversidade e os procedimentos técnicos e artísticos da Cianotipia. As oficinas propostas se justificam no intuito de despertar nos alunos a necessidade de reconhecimento de si mesmos como protagonistas do espaço em que vivem, agentes transformadores e conhecedores dos elementos que compõem a vida que os cercam. Partimos do conceito de “jardim cultural” para orientarmos os participantes das oficinas ao encontro de sua diversidade biocultural (ZANK, 2021).
Ministrar oficinas teórico-práticas de Cianotipia botânica, iniciando com uma parte teórica sobre o processo histórico, no intuito de envolver os alunos no saber fazer arte-científico. Encorajá-los a darem seus depoimentos: relatos de convivência e interações entre as pessoas da comunidade relacionados a sua biodiversidade. Criação de uma listagem livre: propor aos alunos que listem a diversidade de plantas, animais e outros elementos do ambiente em que estão inseridos. Turnê guiada: caminhada de identificação e coleta de plantas citadas ou que precisam ser (re)conhecidas, percurso feito com base na observação participante dos alunos. Introdução à Herborização: ensinar os princípios básicos de prensagem, secagem e preparação do material botânico (exsicata), sem a preocupação do rigor científico, pois o objetivo é a criação de um fotograma, conciliando a composição fotográfica com a identificação botânica. A preparação da amostra artístico-botânica ca como dever de casa para ser apresentada na segunda oficina, quando iremos produzir os fotogramas a partir das plantas já prensadas e secas. Prática da Cianotipia com as plantas e outros possíveis elementos pertinentes ao tema. A primeira oficina ocorrerá durante as atividades do Eixo 1 do Festival “Enveredar-se UFVJM: culturas, artes e saberes”, em parceria com o Festival de Inverno de Diamantina (FIND). O segundo encontro será focado na parte prática da Cianotipia, compondo as atividades do evento Casa de Saberes, e posteriormente no Eixo 2 do projeto, na 12ª SINTEGRA UFVJM, apresentaremos os fotogramas criados pelos alunos em forma de Exposição.
Promover o envolvimento dos alunos nos processos históricos da Fotografia, sua contextualização na linha do tempo da historiografia e capacitá-los para a prática contemporânea da Cianotipia. Auxiliar os alunos na construção de um inventário de plantas que tenham relevância no seu cotidiano e formar um acervo de fotogramas, que após as o cinas será divulgado em forma de exposição e também de forma virtual. Valorizar o conhecimento ancestral e prover meios para sua divulgação através da arte fotográfica.
O projeto se desenvolve a partir de oficinas formativas teórico-práticas voltadas para a construção de um acervo sociobiocultural das comunidades de Diamantina. Os fotogramas (cianótipos) criados pelos alunos serão organizados e contextualizados a partir da experiência de vida dos alunos, passando por uma edição para a posterior exposição. A metodologia adotada se baseia fundamentalmente nos preceitos didáticos de conexão entre a diversidade biológica e a diversidade cultural, de forma que estas duas esferas sejam tratadas interligadas no Ensino Básico, por meio do conceito de diversidade biocultural (ZANK, 2021). A oficina de cianotipia botânica fundamenta-se em uma metodologia teórico-prática, participativa e interdisciplinar, articulando conhecimentos das artes visuais, da fotografia, da botânica, da química e da educação ambiental. Seu propósito é proporcionar aos participantes uma experiência de criação artística que estimule a observação da natureza, a valorização do patrimônio ambiental e o desenvolvimento da sensibilidade estética. Os materiais para compormos os fotogramas são: Ferricianeto de potássio e Citrato férrico amoniacal, que serão misturados em partes iguais para obtermos a solução fotossensível; papeis para aquarela; pincéis; suporte de fórmica, vidro e prendedores para fazermos o “sanduíche”. Para a herborização — produção das exsicatas — precisamos de folhas de jornais, placas de fórmica ou algum suporte que seja vazado para arejar a amostra botânica, uma espécie de “sanduíche”, mas nesse caso com a nalidade de secagem e prensagem da planta, e elásticos ou cordas para prendermos as placas que envolvem a futura amostra botânica.
Sobre Fotografia: ANDERSON. Christina Z. Cyanotype: the blueprint in contemporary practice. London; New York: Routledge, 2019. AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas: Papirus, 1993 (Coleção Ofício de Arte e Forma). BARTHES, Roland. A Câmara Clara: notas sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. BENJAMIN, Walter. Estética e sociologia da arte. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.ENFIELD, Jill. Guide to Photographic Alternative Processes: popular historical and contemporary techniques. 2nd. ed. London; New York: Routledge, 2020. GIORGI, Fabio. Manual de Cianotipia e Papel Salgado: alternativa fotográfica. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2017. KOSSOY, Boris. Fotogra a & História. 4ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012. WARE, Mike. Cyanomicon. History, Science and Art of Cyanotype: photographic printing in prussian blue. Buxton: 2020. Versão digital disponível em: <https://www.mikeware.co.uk/mikeware/downloads.html> Acesso em 12 de Junho de 2026. Sobre Plantas: COCCIA, Emanuele. A vida das plantas: uma metafísica da mistura. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2018 KINUPP, Valdely Ferreira. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. 2ª ed. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2021. LORENZI, Harri. Plantas medicinais no Brasil. 3ª ed. Nova Odessa: Jardim Botânico Plantarum, 2021. MANCUSO, Stefano. Revolução das plantas: um novo modelo para o futuro. São Paulo: Ubu Editora, 2019. SCHAAF, Larry J. Sun Gardens: Victorian photograms by Anna Atkins. New York: Aperture, 1985. ZANK, So a [et.al.] Diversidade biocultural na escola: reflexões e práticas para professoras e professores. Porto Alegre : SBEE, 2021.
A Diretriz Interação Dialógica presente na Política Nacional de Extensão, trata da produção de conhecimento junto à sociedade, de forma a contribuir para a superação da desigualdade e da exclusão social, em busca de uma sociedade mais justa, ética e democrática. A metodologia prevista para a ação também é, em sua natureza, dialógica e depende da articulação entre parcerias, iniciais e consolidadas, e entre atores internos e externos a UFVJM, atuantes nos campos da cultura e das artes. O ensino da História através da análise do percurso da Fotogra a — desde o seu surgimento e popularização até a atualidade — nos apresenta como elemento mediador fundamental no processo didático de transformação e emancipação social. O diálogo entre a comunidade acadêmica e a sociedade deve se basear no envolvimento entre ambas, interação do conhecimento popular e científico, atendendo as demandas sociais com o objetivo de promover um espaço de troca de saberes fora da universidade, mas tendo em vista a possibilidade de trazer os alunos para dentro do quadro discente futuramente.
No contexto educacional, a o cina dialoga de forma interdisciplinar com diferentes áreas do conhecimento, como artes, história, botânica, sociologia e comunicação. A produçãode arte fotográfica pode ser articulada com projetos de pesquisa e extensão, promovendo a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e ação comunitária. Nesse sentido, a o cina ultrapassa os limites da sala de aula e estabelece uma relação direta com as demandas e potencialidades do território onde está inserida. Os processos históricos da Fotografia envolvem diversas áreas do saber. Por serem processos de base química — usamos sais de ferro para obtermos uma solução fotossensível — aprendemos um pouco sobre os elementos químicos usados e os fundamentos da fotoquímica nos primórdios da Fotografia. Ainda que seja um processo fotográfico que não envolve o uso da câmera, várias noções do ato fotográfico estão envolvidas no processo, como composição, enquadramento, tempo de exposição, revelação e xação do fotograma; elementos que vão além do ato fotográfico em si mas que são ricos para o aprendizado da fotografia. Especificamente no caso do projeto proposto, aprendemos sobre o reconhecimento e a identificação de algumas espécies vegetais, bem como o aprendizado da herborização das plantas, nos fornecendo noções básicas de Botânica. O campo da Cultura e das artes é por natureza interdisciplinar e interprofissional. As etapas de planejamento, preparo, realização e avaliação das atividades propostas envolvem diferentes sujeitos e saberes, fomentando uma formação ampla e plural. Ademais, a ação envolverá discentes, servidores técnicos e docentes, além dos agentes culturais da comunidade externa envolvidos, sobretudo nas artes visuais.
Compreendemos que qualquer formação artístico-cultural implica a mobilização de saberes plurais, impregnados das diferentes experiências e vivências acumuladas e introjetadas por um grupo nos múltiplos espaços. O ensino ultrapassa a simples reprodução de conteúdos e o estudante é incentivado a desenvolver sua autonomia intelectual, seu pensamento crítico e sua capacidade investigativa, participando ativamente da construção do conhecimento. Tal reflexão, que embasa a indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão — que constitui-se como base da ação aqui apresentada — busca mapear, mobilizar, fomentar,elaborar e divulgar saberes, culturas e artes dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas. Sabemos que a extensão universitária representa a interação entre Universidade e Sociedade. Por meio dela, o conhecimento produzido no ambiente acadêmico dialoga com as demandas sociais, culturais, econômicas e ambientais das comunidades. Portanto ela não deve ser entendida apenas como uma mera prestação de serviços ou difusão unilateral do conhecimento, e sim enfatizar a troca de saberes, reconhecendo que a sociedade também produz conhecimentos relevantes que podem enriquecer a formação universitária e orientar novas pesquisas.
A ação fomenta e depende da participação dos estudantes em diferentes metas propostas e em diálogo com variados campos e saberes. Os mesmos estarão envolvidos desde a concepção da proposta, passando pela produção das atividades e eventos previstos, elaboração dos conteúdos para a divulgação, interlocução com a comunidade externa, acompanhamento da execução e finalização, com a elaboração de novos produtos de divulgação e registro.
A oficina proposta, voltada para jovens do ensino público, representa muito mais do que um aprendizado técnico, e sim um espaço de formação humana, cultural e de fortalecimento da cidadania, permitindo que os jovens compreendam a realidade em que vivem e se tornem protagonistas na produção de narrativas sobre os elementos bioculturais presentes no seu cotidiano. Esse processo amplia a sensibilidade estética e estimula a reflexão sobre questões sociais, históricas e ambientais. Do ponto de vista da transformação social, a oficina favorece a inclusão e o fortalecimento da identidade e do olhar. Muitos adolescentes, especialmente aqueles em contextos de vulnerabilidade social, têm poucas oportunidades de expressar suas vivências. Dessa forma, deixam de ser apenas espectadores para se tornarem sujeitos produtores de conhecimento e cultura. O trabalho em grupo, a realização de projetos coletivos e a discussão dasimagens produzidas estimulam o diálogo, a cooperação, o respeito às diferenças e a empatia. Além disso, a necessidade de planejar uma exposição e resolver problemas técnicos contribui para o desenvolvimento da autonomia, da criatividade e do pensamento crítico. As oficinas de Cianotipia também podem atuar como instrumentos de valorização da memória e do patrimônio cultural, pois os adolescentes participam da preservação da memória coletiva e fortalecem o sentimento de pertencimento à comunidade. Esse vínculo entre fotografia e patrimônio contribui para a construção da identidade cultural e para a conscientização sobre a importância da preservação dos bens materiais e imateriais. Assim, a fotogra a deixa de ser apenas um recurso artístico ou tecnológico e passa a constituir um instrumento de transformação social, capaz de dar visibilidade a diferentes vozes e estimular a construção de uma sociedade mais democrática e inclusiva.
Canais oficiais de notícias da PROEXC (Instagram, Facebook e Youtube), do Festival de Inverno de Diamantina, da Casa de Saberes e da 12ª SINTEGRA UFVJM. Instagram do fotógrafo oficineiro Exposição presencial durante a SINTEGRA
Público-alvo
Jovens das escolas públicas de Diamantina
Municípios Atendidos
Diamantina - MG
Parcerias
Nenhuma parceria inserida.
Cronograma de Atividades
Carga Horária Total: 80 h
- Manhã;
- Tarde;
1ª oficina durante o Festival de Inverno de Diamantina
- Manhã;
- Tarde;
2ª oficina durante a Casa de Saberes
- Manhã;
- Tarde;
Exposição durante a 12ª SINTEGRA UFVJM – “Casa, caminho e ponte”