Detalhes da ação

Garimpando o cotidiano: cultura, experiência e promoção da saúde mental

Sobre a Ação

Nº de Inscrição

202203001847

Tipo da Ação

Projeto

Situação

RECOMENDADA :
EM ANDAMENTO - Normal

Data Inicio

03/09/2026

Data Fim

31/12/2026


Programa Vínculado

202104000206 - Um Novo Cais


Dados do Coordenador

Nome do Coordenador

roberta vasconcelos leite

Caracterização da Ação

Área de Conhecimento

Ciências da Saúde

Área Temática Principal

Saúde

Área Temática Secundária

Cultura

Linha de Extensão

Saúde Humana

Abrangência

Regional

Gera Propriedade Intelectual

Não

Vínculada a Programa de Extensão

Sim

Envolve Recursos Financeiros

Não

Ação ocorrerá

Dentro e Fora do campus

Período das Atividades

Manhã

Atividades nos Fins de Semana

Não


Redes Sociais

@garimpandoocotidiano

Membros

Tipo de Membro Interno
Carga Horária 200 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 100 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 100 h
Resumo

Em andamento desde 2018, o projeto busca superar o modelo centrado no adoecimento por meio da valorização das experiências cotidianas que fortalecem e promovem a saúde mental. Em 2026, por não ser contemplado no pibex, o projeto está sendo submetido no fluxo contínuo. A previsão é que o público continue sendo composto por usuários e trabalhadores da saúde mental do município de Diamantina e região, além de familiares e quaisquer pessoas interessadas em cuidar da própria saúde mental.


Palavras-chave

humanização, grupos comunitários, promoção da saúde mental


Introdução

A saúde mental, reconhecida como primordial para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ainda é questão negligenciada e cercada de estigmas (ONU, 2018). Enquanto a desagregação das relações interpessoais e outros processos do mundo contemporâneo contribuem para o aparecimento de novas formas de sofrimento psíquico e somatização, tornam-se obsoletos os discursos que circunscrevem o adoecimento mental como problema de uma parcela restrita da população (BERGER; LUCKMANN, 2004; MENDES LEMOS; CELIO FREIRE, 2011). Concomitantemente, busca-se cada vez mais identificar fatores de proteção e difundir estratégias de promoção da saúde mental que contemplem as múltiplas dimensões imbricadas na questão, superando modelos de assistência centrados na doença e promotores de segregação da pessoa em sofrimento psíquico (ROCHA; CARDOSO, 2017; SANTOS et al., 2006). Neste cenário, o aprofundamento da discussão sobre saúde mental em âmbito universitário é pauta inadiável, especialmente tendo em vista o número crescente de casos de adoecimento mental e suicídios (DIAS, 2018; OLIVEIRA, 2018). Mostra-se premente a implementação de intervenções que promovam a qualidade de vida das comunidades universitária e externa num movimento aberto aos vários setores da sociedade e aos equipamentos da rede pública de atenção à saúde mental. Com este projeto, espera-se que reflexões desenvolvidas nos contextos de ensino e pesquisa embasem uma ação que incremente a resiliência tanto da comunidade universitária quanto dos usuários dos serviços de saúde mental e da população em geral de Diamantina e região. Ao articular ensino, pesquisa e intervenção, este projeto – em consonância com o Programa de Extensão Um Novo Cais, ao qual se vincula – pretende colaborar para a formação humana e técnica de todos os participantes, particularmente dos estudantes, ao construir um dispositivo de promoção da saúde mental universitária e comunitária inspirado em metodologias de trabalho com grupos (BARRETO, 2008; ISHARA; CARDOSO; LOUREIRO, 2013). O caráter inovador da iniciativa revela-se na busca por superar o modelo centrado no adoecimento por meio da valorização das experiências cotidianas que fortalecem e promovem a saúde mental, de onde a proposta de que os grupos se intitulem “Garimpando o cotidiano”. Essa metodologia está sintonizada à interação dialógica entre universidade e sociedade preconizada pela Política Nacional de Extensão Universitária (FORPROEXC, 2012). A previsão é que o público seja composto por usuários e trabalhadores da saúde mental dos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS Renascer e CAPS AD (Álcool e Drogas) de Diamantina (que recebem diariamente usuários provenientes de outras 13 cidades da região), além de discentes, docentes, técnicos, demais trabalhadores da universidade, bem como familiares e quaisquer pessoas interessadas em cuidar da própria saúde mental num processo grupal. Com suporte de uma equipe experiente em ações de promoção de saúde mental, continuaremos a realizar grupos presencialmente nos CAPS ou outras instituições da cidade, como escolas ou casas de saúde. Caso necessário, os grupos poderão ocorrer de forma remota via Google Meet. Como metas, espera-se a participação de ao menos 10 pessoas a cada encontro, estimando-se impactos indiretos de integração entre membros da comunidade universitária e externa e constituição e fortalecimento dos vínculos comunitários entre os participantes. Nos grupos, graduandos de medicina e demais cursos da área da saúde poderão implementar, sob supervisão de profissionais da área da saúde mental, conhecimentos de técnicas grupais ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades interpessoais em um processo de formação humanística. Espera-se favorecer o intercâmbio de saberes com membros de outros setores da sociedade, num processo de valorização do potencial de todos sujeitos envolvidos para o enfrentamento de situações de sofrimento psíquico. A iniciativa pretende promover a interdisciplinaridade e a horizontalidade nas relações, abrindo espaço para que pessoas com diferentes formações acadêmicas e provenientes de vários setores da sociedade vivenciem encontros humanos e sejam cuidados e cuidadores uns dos outros.


Justificativa

Em andamento desde 2018, o projeto busca superar o modelo centrado no adoecimento por meio da valorização das experiências cotidianas que fortalecem e promovem a saúde mental. Em 2026, por não ser contemplado no pibex, o projeto está sendo submetido no fluxo contínuo. Observando as diretrizes do Regulamento de Ações de Extensão da UFVJM (2008), este projeto se insere na área temática 6 – Saúde, e na linha de extensão 46 – Saúde Humana, por ser voltado à promoção da saúde mental de pessoas, famílias e comunidades ao buscar contribuir para a humanização de serviços e formação de pessoas que atuam ou atuarão na área. Destaca-se que a melhoria da saúde e da qualidade de vida da população brasileira é tida como uma das áreas de atuação prioritária na Política Nacional de Extensão Universitária (FORPROEXC, 2012). O necessário movimento de democratização do acesso e promoção da saúde mental empreende árdua luta contra a realidade social de estigma do adoecimento mental associado à escassez de recursos para a saúde pública e à cada vez mais generalizada medicalização do sofrimento humano (MENDES LEMOS; CELIO FREIRE, 2011). Dado que a saída pela via da medicalização é incapaz de resolver efetivamente a questão – como sinaliza o aumento vertiginoso das taxas de suicídio no mundo, no Brasil, e particularmente em Minas Gerais (DIAS, 2018; OLIVEIRA, 2018) – atesta-se a urgência de tematizar e propor ações que agreguem diferentes campos do saber e contribuam para a resiliência e promoção da saúde mental do público em geral, numa perspectiva interdisciplinar que favoreça a humanização dos serviços ofertados. No caso de Diamantina, pode-se inferir que as dificuldades enfrentadas refletem os desafios nacionais: ainda são poucos equipamentos de saúde mental na rede pública, é precária a formação dos trabalhadores da atenção básica para o manejo dos casos de adoecimento mental, são grandes as filas de espera para acesso aos serviços existentes (GERBALDO et al., 2018). A importância de que a UFVJM contribua para a superação deste cenário é uma das justificativas do presente projeto. A realização dos grupos “Garimpando o cotidiano” almeja propiciar encontros da comunidade universitária com usuários da saúde mental, profissionais da saúde e membros de outros setores da sociedade, num processo de enfrentamento de estigmas ao mesmo tempo em que todos – particularmente estudantes e profissionais dos cursos da área da saúde – têm ocasião para aprimorar sua formação pessoal e interpessoal, além de serem capacitados para a utilização da metodologia em outros espaços da rede de atenção básica. Descrição das ações realizadas e justificativa para sua continuidade O projeto foi cadastrado na Proexc, em outubro de 2018 e contemplado nos editais Pibex de 2019 a 2025. Desde seu início até setembro de 2025, foram realizados 246 grupos, com 4.080 participantes no total. Foram 156 encontros nos dois CAPS (2.178 participantes entre usuários, trabalhadores, familiares, graduandos em medicina e docentes da UFVJM); 48 na UFVJM (1.191 participantes entre discentes, docentes, técnicos-administrativos e profissionais da saúde de Diamantina); 17 grupos em outras unidades de saúde e de educação de Diamantina e Couto Magalhães de Minas (244 participantes entre profissionais dessas instituições, discentes e docentes da UFVJM); e 24 encontros virtuais (467 participantes entre discentes, docentes, técnicos-administrativos da UFVJM e profissionais da saúde, educação, administração e segurança pública de Diamantina). Em geral os participantes de cada grupo fazem pedidos de continuidade e usam de termos como gratidão, reflexão, felicidade, leveza, alegria, amor, fé. As avaliações dos participantes regulares têm indicado a pertinência da iniciativa em suscitar atenção aos processos pessoais e interpessoais. A avaliação da equipe do CAPS Renascer, onde os grupos têm acontecido com maior regularidade desde 2018 aponta para a amplitude da contribuição do projeto para a estruturação do serviço, sendo este o único grupo terapêutico atualmente em curso na instituição. Além da ampliação de parcerias externas, a articulação com outras unidades acadêmicas tem viabilizado grupos na UFVJM com ampla participação de discentes de ciências exatas, humanas e da saúde. Resultados parciais já foram organizados em 2 artigos publicados em periódicos e outros 2 submetidos, bem como apresentados em eventos científicos e publicados em anais, dentre os quais destacamos eventos de projeção nacional e internacional como as edições 58 e 59 do Congresso Brasileiro de Educação Médica e o II Congresso Internacional de Fenomenologia. No 8º Congresso Mineiro de Educação Médica, no I Congresso de Ciências da Saúde da UFVJM e no II Congresso Acadêmico de Medicina de Teófilo Otoni, os trabalhos apresentados receberam menção honrosa por sua relevância. Para mensuração dos impactos da ação, inicialmente foi elaborada pesquisa sobre percepção dos estudantes participantes sobre contribuições da metodologia para sua saúde mental e formação universitária, a qual segue em andamento. Resultados parciais vêm sendo apresentados em eventos científicos e organizados em artigos, dois deles já submetidos a periódicos especializados. Em síntese, a análise das 264 respostas obtidas até o momento tem revelado que a maior parte dos discentes respondentes (76,9%) afirmam precisar cuidar mais da própria saúde mental neste momento de suas vidas e que a participação no grupo Garimpando o cotidiano contribui para a promoção da saúde mental (81,8%). Além desta pesquisa, em 2025 teve início outra investigação na qual serão realizadas entrevistas com participantes regulares desta e de outras ações de extensão vinculadas ao Programa Um Novo Cais, de modo a melhor documentar elaborações dos envolvidos sobre contribuições do projeto para sua formação e saúde mental. A cada ano, os grupos realizados superaram em muito a proposta inicial, seja em quantidade de encontros, seja em público atendido. A supervisão e a avaliação têm ocorrido em encontros da equipe e também a cada grupo, recolhendo sugestões de melhorias e convidando os participantes a relatarem pontos positivos, negativos e palavras que sintetizam a experiência. Ao final dos encontros, pedimos que os participantes façam uma breve avaliação (oral ou escrita, dependendo do contexto) ou respondam ao questionário da pesquisa em curso sobre o projeto. Como já mencionado, o retorno dos participantes tem sido muito positivo, demostrado por pedidos de continuidade e a equipe e coordenação dos CAPS corroboram essa avaliação. Entendemos que os grupos têm se constituído como possibilidade efetiva de cuidado em saúde mental na cidade de Diamantina e por isso pleiteamos sua continuidade.


Objetivos

Objetivo Geral Realizar grupos de elaboração da experiência que promovam a saúde mental da população de Diamantina, abarcando as comunidades universitária e externa. Objetivos Específicos - Promover o acesso da população de Diamantina e região a uma ação de promoção da saúde mental; - Oferecer vivências de elaboração da experiência numa perspectiva interdisciplinar que contempla conhecimentos psicologia, psiquiatria, educação popular e filosofia; - Capacitar discentes, docentes, técnicos da UFVJM e profissionais da saúde envolvidos para o trabalho com grupos em saúde mental; - Colaborar para a formação humana de todos os participantes e para a constituição de vínculos comunitários; - Contribuir para a redução do estigma e inserção social de pessoas em sofrimento psíquico e usuários da saúde mental; - Fomentar a humanização dos serviços de atenção à saúde e à saúde mental.


Metas

Previsão de impacto direto - Promoção da saúde mental dos participantes; - Formação humana e interpessoal dos participantes, especialmente discentes; - Capacitação de discentes e profissionais da saúde para a coordenação de grupos comunitários de saúde mental em equipamentos da rede de atenção básica. Previsão de impacto indireto - Integração entre membros da comunidade universitária e externa; - Suporte para a criação de outros grupos comunitários de saúde mental nos equipamentos da rede de atenção à saúde mental em Diamantina e municípios da região; - Constituição e fortalecimento dos vínculos comunitários entre os participantes. Indicadores - 2 (dois) encontros prévios para capacitação de discentes e co-coordenadores; - 2 (dois) encontros “Garimpando o cotidiano” a cada mês, conduzidos por membros do projeto; - Participação de ao menos 10 (dez) pessoas a cada encontro; - 1 (um) encontro de supervisão mensal.


Metodologia

Desde seu início até fins de 2024, os grupos “Garimpando o cotidiano” se articularam ao ensino por meio da proposição de que a participação em 2 encontros (1 na UFVJM e 1 no CAPS AD) fossem atividade do módulo “Desenvolvimento Pessoal V” do Curso de Medicina da FAMED. Desde 2023, a participação nos grupos realizados no CAPS Renascer também integra as atividades do “Internato em Saúde Mental”, estágio obrigatório do Curso de Medicina da FAMED. A partir de 2025, com a alteração do Projeto Pedagógico do Curso e inclusão da extensão curricularizada nos módulos de Desenvolvimento Pessoal, atividades do projeto são desenvolvidas por discentes de “Desenvolvimento Pessoal I” e “Desenvolvimento Pessoal VI”. Desde 2019, docentes de outros cursos abrem espaço em suas disciplinas para realização de grupos, reconhecendo a participação como momento de aprendizagem vinculado à graduação. Buscar-se-á fortalecer e ampliar essas parcerias, realizando grupos que integrem discentes de diferentes cursos, e também fortalecer a articulação já existente com o “Grupo Vida-Suicidologia” e “GHUAPO - Geografia Humanista, Arte e Psicologia Fenomenológica”, ambos da UFVJM. Nos encontros que serão realizados nos Campi I e JK da UFVJM, espera-se promover a integração da comunidade externa em geral a discentes, docentes, técnicos-administrativos, demais trabalhadores da UFVJM e de outras instituições de ensino superior sediadas em Diamantina. Externamente, foi estabelecida parceria com os Centros de Atenção Psicossocial - CAPS AD e CAPS Renascer de Diamantina (aprovada pela Comissão de Acompanhamento de Estágios em Saúde do município). Nestes equipamentos continuarão a ser realizados grupos envolvendo usuários, familiares e funcionários, além de docentes e graduandos da UFVJM, dando continuidade a essa modalidade de interação dialógica entre universidade e sociedade que ocorre desde 2018. Técnico-administrativos da UFVJM com formação na área e outros profissionais que atuam na rede de atenção à saúde mental em Diamantina serão convidados a co-coordenar os grupos, de modo a estimular a participação dos demais trabalhadores da universidade, promover a interdisciplinaridade, aumentar o alcance do público externo e fomentar a difusão da metodologia. Destaca-se que o projeto não necessita de nenhum recurso de custeio para sua concretização, além da bolsa pleiteada. Os encontros serão realizados nos ambientes disponibilizados pelos CAPS ou pela Universidade e não haverá gastos nas atividades de capacitação, divulgação, realização dos grupos, supervisão e avaliação. Serão realizados ao menos 2 grupos “Garimpando o cotidiano” por mês (1,5 horas cada), conduzidos pelos membros do projeto. Inspirados em Ishara, Cardoso e Loureiro (2013), os grupos serão abertos, sem limite de participantes e sem compromisso de continuidade. Cada encontro terá quatro momentos: 1) Abertura: acolhimento dos participantes e apresentação da proposta do encontro. 2) Momento cultural “Reconhecendo joias”: participantes apresentam trechos de músicas, textos, filmes, programas de TV ou imagens que reconhecem como belos e lhes fortalecem para vivenciar desafios diários. Visa-se estimular e valorizar a apropriação artística e cultural como mecanismo de desenvolvimento da condição humana e promoção da resiliência. 3) Momento de troca de vivências “Garimpando e lapidando o dia a dia”: participantes compartilham relatos de acontecimentos cotidianos e suas reverberações na própria pessoa. Estimula-se a narração de fatos corriqueiros, que passam desapercebidos por sua simplicidade, mas que podem ter grande potencial de estruturar a pessoa. Trata-se de exercício de desenvolvimento da atenção e da capacidade de apropriação dos recursos contextuais e pessoais de enfrentamento dos desafios cotidianos. Como indicado por Barreto (2008), propõe-se que as falas sejam em primeira pessoa, para evitar julgamentos e aconselhamento, valorizando vivências, elaborações e posicionamentos. 4) Momento de partilha de repercussões “Compartilhando preciosidades”: participantes falam sobre como foram impactados durante o grupo. Estimulando que a reflexão acompanhe a vivência, fomenta-se o aprendizado sobre processos grupais, amadurecimento das relações inter-pessoais e consolidação das elaborações que emergiram no encontro. O participante pode descobrir que auxiliou um companheiro ao relatar suas vivências, contribuindo para a superação de estigmas, constituição da horizontalidade nas relações e descoberta de que todos podem ser cuidados e cuidadores uns dos outros. Entendemos que a horizontalidade que perpassa todos os momentos indicados alinham-se à proposição da Política Nacional da Extensão Universitária que estimula a participação e democratização do conhecimento, por meio da valorização das contribuições de atores não universitários na concretização da ação de extensão (FORPROEXC, 2012). Ao final de cada encontro, os participantes são convidados a avaliá-lo verbalmente ou por escrito, conforme indicado abaixo. Supervisão e avaliação Pelo público: Ao final de cada encontro, os participantes são convidados a avaliá-lo verbalmente ou por escrito. Nos grupos realizados nos CAPS AD e CAPS Renascer há possibilidade que alguns participantes não sejam alfabetizados, por isso será solicitado que cada um sintetize sua avaliação por meio de uma palavra que expresse o que ele leva do encontro. Nos grupos realizados na UFVJM, será solicitado que todos os participantes respondam ao questionário da pesquisa em andamento. Os discentes da equipe farão breve relatório com descrição de vivências e articulação dos acontecimentos com os aprendizados teóricos. Pela equipe: Será realizado 1 encontro de supervisão mensal (1,5 horas cada) com membros da equipe para avaliar os grupos realizados, o processo de formação dos discentes e de promoção da saúde mental dos participantes. Como indicadores para esta avaliação contínua, serão considerados: comprometimento dos discentes; adesão do público-alvo; envolvimento e amadurecimento dos participantes; compreensão, por parte do público-alvo, da divulgação e da metodologia; exequibilidade do cronograma. Questões éticas Em consonância com as diretrizes da Resolução n. 466/12 do CNS, este projeto reconhece o valor intrínseco e inalienável da pessoa, seus saberes e capacidade de enfrentamento de desafios cotidianos. Dada a importância da liberdade de participação, os grupos são abertos, sem exigência de continuidade. Para cuidar do sigilo, seguindo Barreto (2008), é proposto “não dizer segredos”: cada participante é ativo na escolha do que partilhar, de modo a construir um espaço coletivo (e não privado) de promoção da saúde mental. Desafiando a desatenção à experiência e a desagregação social que marcam o mundo contemporâneo, o projeto aposta na radicalidade ética da valorização do cotidiano e da abertura à alteridade como caminhos para o fortalecimento da capacidade de resiliência da pessoa e para o vislumbre de formas de relacionamento interpessoal marcadas pelo respeito, horizontalidade e cuidado mútuo. Inserção do Estudante Nos grupos “Garimpando o cotidiano”, graduandos da área da saúde e demais cursos da UFVJM, poderão implementar conhecimentos de técnicas grupais, de abordagem da população – particularmente dos usuários dos serviços de saúde mental – e de constituição de vínculos terapêuticos. Conhecimentos teóricos sobre processos de adoecimento psíquico e formas de promoção e cuidado da saúde mental também poderão favorecer a participação no projeto, embora não sejam pré-requisitos. A iniciativa pretende promover a interdisciplinaridade e a horizontalidade nas relações, abrindo espaço para que pessoas com diferentes formações acadêmicas e provenientes de vários setores da sociedade vivenciem encontros humanos e sejam cuidados e cuidadores uns dos outros. Particularmente com relação aos estudantes, espera-se favorecer a iniciativa de intercâmbio de saberes com membros de outros setores da sociedade, em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Extensão Universitária (FORPROEXC, 2012), num processo de valorização do potencial de todas as pessoas envolvidas para o enfrentamento de situações de sofrimento psíquico. Ao participar de uma ação desta natureza, os graduandos terão oportunidade de vivenciar uma formação humanística e cidadã aliada à apropriação da técnica. Poderão superar concepções recorrentes que centram a leitura de mundo na carência ou no adoecimento, ao mesmo tempo em que aprofundam a reflexão crítica sobre os processos de desagregação social e sofrimento psíquico que se avolumam no momento histórico atual e no contexto sociocultural brasileiro e mineiro. Terão ocasião de desenvolver um modo pessoal e profissional de relacionamento pautado na ética; na valorização da alteridade; no reconhecimento de que toda pessoa possui habilidades, dificuldades, sofrimentos e capacidade de resiliência; na descoberta da condição humana comum. Além dos alunos extensionistas que participarão de ao menos dois grupos por mês, graduandos inscritos nos módulos Desenvolvimento Pessoal I e VI do Curso de Medicina da FAMED – participarão de dois grupos. Um grupo será “piloto” em sala de aula e um grupo no CAPS AD. Previamente, serão disponibilizados textos de referência sobre as duas iniciativas que inspiram o projeto: os Grupos Comunitários de Saúde Mental (ISHARA; CARDOSO; LOUREIRO, 2013) e a Terapia Comunitária Integrativa (BARRETO, 2008). No “piloto”, a metodologia será discutida e vivenciada. Os discentes serão estimulados a: refletir sobre a realidade social do público da ação; propor ajustes na metodologia; sugerir estratégias de divulgação. Além disso, ao iniciarem o “Internato em Saúde Mental” no 9º período, os graduandos em Medicina voltam a integrar os grupos que acontecem regularmente no CAPS Renascer, coordenados pela equipe do projeto. Em cada grupo “Garimpando o cotidiano”, os discentes envolvidos terão a tarefa de levar trechos de músicas, textos, filmes, programas de TV ou imagens que reconhecem como belos e lhes fortalecem para vivenciar desafios diários, de modo a dinamizar o Momento cultural “Reconhecendo joias”, caso seja necessário. A participação no Momento de troca de vivências “Garimpando e lapidando o dia a dia” será livre. Após os encontros, os discentes farão breve relatório com descrição de vivências e articulação dos acontecimentos com os aprendizados em sala de aula. Sempre que possível, os discentes receberão feedback individual sobre sua participação no grupo, com indicação dos pontos positivos, do que pode ser melhorado e como o aprofundamento em contribuições teóricas e/ou o exercício das habilidades práticas pode favorecer seu aprendizado e o desenvolvimento de suas habilidades. Os discentes envolvidos no projeto serão estimulados a divulgar resultados e suas experiências em eventos científicos e também convidados a participar dos encontros de supervisão, para retomar e avaliar a realização dos grupos como um todo e auto-avaliar a sua participação. Juntamente aos co-coordenadores dos grupos, serão estimulados a julgar a pertinência da continuidade do projeto, a refletir sobre possíveis desdobramentos e contribuir, quando for o caso, na criação de outros grupos comunitários de saúde mental nos equipamentos da rede de atenção à saúde mental do município de Diamantina.


Referências Bibliográficas

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Interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade

Conforme já indicado, o Projeto Garimpando o cotidiano tem como marca distintiva a busca por contribuir para a superação de estigmas em saúde mental, constituição da horizontalidade nas relações e descoberta de que todos podem ser cuidados e cuidadores uns dos outros. Entendemos que a horizontalidade que perpassa todos os momentos indicados na metodologia alinham-se à proposição da Política Nacional da Extensão Universitária que estimula a participação e democratização do conhecimento, por meio da valorização das contribuições de atores não universitários na concretização da ação de extensão (FORPROEXC, 2012). Além dos intercâmbios de saberes que ocorrem a cada encontro, a proposta, nascida em 2018, vem sendo amadurecida a cada ano a partir da avaliação contínua dos encontros realizados nos CAPS. Essa avaliação é feita tanto pelos participantes quanto pelos gestores do serviço e membros da equipe de execução, contemplando tanto ajustes na metodologia e nas formas de divulgação que se mostram necessários ao longo do tempo. Espera-se que a continuidade do projeto em 2026 fortaleça essa interação em curso há 7 anos, possibilitando trocas dialógicas especialmente entre estudantes universitários e usuários dos serviços de saúde mental de Diamantina. Indiretamente, espera-se que essas trocas contribuam para a melhoria dos serviços de atendimento à saúde nos quais os estudantes envolvidos atuam e atuarão em suas práticas acadêmicas e profissionais.


Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade

As ações dos CAPS e de toda a Rede de Atenção Psicossocial têm como diretrizes o cuidado integral e a assistência multiprofissional com ênfase interdisciplinar (BRASIL, 2017). Ao propor um projeto que visa apoiar e ampliar a oferta de ações de promoção de saúde mental em parceria com os serviços existentes, buscamos alinhar as ações propostas a estas diretrizes, que também estão em consonância com a Política Nacional da Extensão Universitária que preconiza a combinação das contribuições específicas das diferentes especialidades às visões holísticas que buscam considerar a complexidade do todo (FORPROEXC, 2012). Esse alinhamento se concretiza na articulação dos saberes do público-alvo, dos estudantes extensionistas (até aqui prioritariamente do curso de medicina), dos profissionais membros da equipe do projeto (com formação em áreas como psicologia, psiquiatria, educação popular e filosofia) e trabalhadores do CAPS (psicólogos, farmacêuticos, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, técnicos de nível médio, etc). A cada encontro, os múltiplos saberes e experiências têm espaço na construção de um momento de cuidado coletivo, onde todos podem se descobrir cuidados e cuidadores uns dos outros. Além disso, como já dito, a necessidade de que ações dessa natureza tenham caráter indisciplinar é ocasião propícia para consolidar e construir parcerias entre docentes e estudantes dos vários cursos da universidade, assim como os técnicos-administrativos, especialmente aqueles já envolvidos em ações de atenção à saúde da comunidade acadêmica. Também para consolidar essa articulação com outras áreas do conhecimento na UFVJM, a proposta é continuar realizando encontros na instituição a partir de parcerias com docentes de outras unidades acadêmicas, de modo que discentes de ciências exatas, humanas e da saúde tenham contato com a metodologia e possam se interessar em compor a equipe de execução do projeto.


Indissociabilidade Ensino – Pesquisa – Extensão

Conforme já afirmamos, desde seu início, os grupos “Garimpando o cotidiano” se articularam ao ensino por meio da proposição de que a participação em alguns encontros sejam parte das atividade de módulos do eixo longitudinal “Desenvolvimento Pessoal” e do “Internato em Saúde Mental” do Curso de Medicina da FAMED. A partir de 2025, com a alteração do Projeto Pedagógico do Curso, algumas dessas participações se configuram como extensão curricularizada. Dessa forma, a participação no projeto contribui para a formação técnica, humanística e cidadã dos discentes, ao mesmo tempo em que os saberes e habilidades adquiridos pelos discentes ao longo de sua formação contribuem para o amadurecimento da metodologia do projeto. Nesse intercâmbio de saberes, várias contribuições de discentes participantes – que desde o princípio do projeto são registradas nas ações de avaliação contínua realizadas logo após os encontros – foram fundamentais para o aprimoramento da proposta. Em 2021, demos o passo de formalizar essas avaliações por meio da construção de um instrumento de pesquisa que, após aprovação pelo Comitê de Ética, passou a ser apresentado aos participantes para que suas respostas nos auxiliassem a compreender percepções dos discentes sobre ações de promoção da saúde mental na universidade. Em 2024 este instrumento foi aprimorado por meio de validação por juízes especialistas. Esse instrumento não é aplicado nos grupos realizados nos CAPS, pois é comum que alguns participantes não sejam alfabetizados. Também como forma de contemplar suas perspectivas, em 2025 teve início outra investigação na qual serão realizadas entrevistas com participantes regulares desta e de outras ações de extensão vinculadas ao Programa Um Novo Cais, de modo a melhor documentar elaborações dos envolvidos sobre contribuições do projeto para sua formação e saúde mental. Buscamos desde o princípio divulgar tanto as ações de extensão realizadas quanto resultados parciais das pesquisas em andamento, seja em eventos científicos, seja em publicações (relatos de experiência e artigos).


Impacto na Formação do Estudante: Caracterização da participação dos graduandos na ação para sua formação acadêmica

Conforme descrito na metodologia, nos grupos “Garimpando o cotidiano”, graduandos da área da saúde e demais cursos da UFVJM, poderão implementar conhecimentos de técnicas grupais, de abordagem da população – particularmente dos usuários dos serviços de saúde mental – e de constituição de vínculos terapêuticos. Conhecimentos teóricos sobre processos de adoecimento psíquico e formas de promoção e cuidado da saúde mental também poderão favorecer a participação no projeto, embora não sejam pré-requisitos. Ao participar de uma ação desta natureza, os graduandos terão oportunidade de vivenciar uma formação humanística e cidadã aliada à apropriação da técnica. Poderão superar concepções recorrentes que centram a leitura de mundo na carência ou no adoecimento, ao mesmo tempo em que aprofundam a reflexão crítica sobre os processos de desagregação social e sofrimento psíquico que se avolumam no momento histórico atual e no contexto sociocultural brasileiro e mineiro. Terão ocasião de desenvolver um modo pessoal e profissional de relacionamento pautado na ética; na valorização da alteridade; no reconhecimento de que toda pessoa possui habilidades, dificuldades, sofrimentos e capacidade de resiliência; na descoberta da condição humana comum. A capacitação dos discentes para participação no projeto incluirá: 1) Estudo prévio de textos de referência sobre as duas iniciativas que inspiram o projeto: os Grupos Comunitários de Saúde Mental (ISHARA; CARDOSO; LOUREIRO, 2013) e a Terapia Comunitária Integrativa (BARRETO, 2008); 2) Debate coletivo sobre a realidade social do público da ação; necessidade de ajustes na metodologia e nas estratégias de divulgação; 3) Participação em um grupo “piloto” junto a outros discentes para apropriação e vivência da metodologia. A avaliação dos discentes participantes incluirá análise dos relatórios com descrição de vivências e articulação dos acontecimentos com os aprendizados em sala de aula. Sempre que possível, os discentes receberão feedback individual sobre sua participação no grupo, com indicação dos pontos positivos, do que pode ser melhorado e como o aprofundamento em contribuições teóricas e/ou o exercício das habilidades práticas pode favorecer seu aprendizado e o desenvolvimento de suas habilidades. Os discentes envolvidos no projeto serão estimulados a divulgar resultados e suas experiências em eventos científicos e também convidados a participar dos encontros de supervisão, para retomar e avaliar a realização dos grupos como um todo e auto-avaliar a sua participação. Juntamente aos co-coordenadores dos grupos, serão estimulados a julgar a pertinência da continuidade do projeto, a refletir sobre possíveis desdobramentos e contribuir, quando for o caso, na criação de outros grupos comunitários de saúde mental nos equipamentos da rede de atenção à saúde mental do município de Diamantina e região. As pesquisas em curso já mencionadas pretendem consolidar o registro e a análise de como os estudantes percebem impactos da participação no projeto em sua formação pessoal, acadêmica e profissional, bem como em sua própria saúde mental.


Impacto e Transformação Social

Conforme indicado na justificativa, O projeto “Garimpando o cotidiano” busca constituir uma proposta que faça sentido para a região em que se insere a UFVJM ao articular saberes do público-alvo e dos membros da equipe e se justifica em razão da escassez de ações gratuitas de promoção de saúde mental no município, que sejam abertas a toda a população. Especialmente após a pandemia de COVID 19 essa justificativa tornou-se ainda mais expressiva, uma vez que as oficinas que aconteciam nos CAPS foram desativadas e desde então ambos os serviços têm dificuldades em manter ações coletivas regulares de promoção de saúde mental de seus usuários. Dado que o projeto existe desde 2018, a expressividade dos totais de encontros realizados (246) e participantes (4.080) é um indício de seu impacto no município de Diamantina. Conforme já indicado, na pesquisa em curso, voltada para as percepções dos discentes participantes, a análise das 264 respostas obtidas até o momento tem revelado que a maior parte dos respondentes (76,9%) afirmam precisar cuidar mais da própria saúde mental neste momento de suas vidas e que a participação no grupo Garimpando o cotidiano contribui para a promoção da saúde mental (81,8%). Mas os números nem sempre conseguem captar a amplitude que as vivências que cada grupo pode propiciar como espaço de expressão de si e acolhimento interpessoal. Ao longo dos anos, os inúmeros relatos que ouvimos nos grupos testemunham seu potencial de fortalecimento psíquico, prevenção de tentativas de autoextermínio e constituição de laços comunitários que auxiliam os participantes a “seguirem em frente”. Também pela dificuldade de traduzir essas vivências em números, iniciamos em 2025 a investigação que pretende documentar por meio de entrevistas as elaborações dos participantes sobre contribuições do projeto para sua formação e saúde mental.


Divulgação

A divulgação será feita no instagram do projeto e também verbalmente nos CAPS.


Público-alvo

Descrição

Usuários, familiares e trabalhadores dos Centros de Atenção Psicossocial do município de Diamantina e região que estiverem presentes nos CAPS no momento dos grupos e tiverem interesse em participar

Descrição

Discentes, docentes, técnicos-administrativos, demais trabalhadores da UFVJM, além de pessoas interessadas em cuidar da própria saúde mental num processo grupal

Municípios Atendidos

Município

Diamantina - MG

Município

Gouveia - MG

Município

Datas - MG

Município

Couto de Magalhães de Minas - MG

Parcerias

Participação da Instituição Parceira

O CAPS Renascer, que expressa sua anuência na carta em anexo a este projeto, irá disponibilizar espaço físico adequado para a realização de ao menos 2 grupos por mês, envolvendo usuários do serviço, familiares e funcionários do CAPS, além de graduandos e docentes da UFVJM. O CAPS Renascer é parceiro do projeto desde 2018, estabelecendo com a equipe do projeto constante diálogo que vem permitindo a realização de ajustes na metodologia e na divulgação a partir das trocas, demandas e sugestões apresentadas pelo serviço.

Cronograma de Atividades

Carga Horária Total: 200 h

Carga Horária 30 h
Periodicidade Mensalmente
Período de realização
  • Manhã;
Descrição da Atividade

Serão realizados encontros (2 horas cada) com cada grupo de discentes envolvidos no projeto e co-coordenadores, para a apresentação da proposta. Nestes encontros, sempre que possível, serão realizados “pilotos” dos grupos, de modo que a metodologia seja primeiro vivenciada e em seguida discutida. Serão apresentadas as duas iniciativas que inspiram a proposta, contando com leitura prévia de textos de referência. Considerando a realidade social do público da ação, serão delimitados ajustes necessários na metodologia, definidas estratégias de divulgação e cronograma de realização dos grupos

Carga Horária 30 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Para que haja adesão, será necessário empenho na sensibilização do público-alvo. Será necessária divulgação permanente, particularmente na semana que anteceda cada encontro. Serão elaborados e-flyers e releases para canais de divulgação institucionais e redes sociais. Como previsto no edital, as ações realizadas serão registradas com vistas a gerar material de divulgação a ser fornecido à Proexc, com as devidas autorizações de uso de imagem, quando for o caso.

Carga Horária 100 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
  • Tarde;
Descrição da Atividade

Serão realizados ao menos 2 grupos “Garimpando o cotidiano” por mês (1,5 horas cada), conduzidos pelos membros do projeto. Inspirados em Ishara, Cardoso e Loureiro (2013), os grupos serão abertos, sem limite de participantes e sem compromisso de continuidade. Cada encontro terá quatro momentos: 1) Abertura: acolhimento dos participantes e apresentação da proposta do encontro. 2) Momento cultural “Reconhecendo joias”: participantes apresentam trechos de músicas, textos, filmes, programas de TV ou imagens que reconhecem como belos e lhes fortalecem para vivenciar desafios diários. Visa-se estimular e valorizar a apropriação artística e cultural como mecanismo de desenvolvimento da condição humana e promoção da resiliência. 3) Momento de troca de vivências “Garimpando e lapidando o dia a dia”: participantes compartilham relatos de acontecimentos cotidianos e suas reverberações na própria pessoa. Estimula-se a narração de fatos corriqueiros, que passam desapercebidos por sua simplicidade, mas que podem ter grande potencial de estruturar a pessoa. Trata-se de exercício de desenvolvimento da atenção e da capacidade de apropriação dos recursos contextuais e pessoais de enfrentamento dos desafios cotidianos. Como indicado por Barreto (2008), propõe-se que as falas sejam em primeira pessoa, para evitar julgamentos e aconselhamento, valorizando vivências, elaborações e posicionamentos. 4) Momento de partilha de repercussões “Compartilhando preciosidades”: participantes falam sobre como foram impactados durante o grupo. Estimulando que a reflexão acompanhe a vivência, fomenta-se o aprendizado sobre processos grupais, amadurecimento das relações inter-pessoais e consolidação das elaborações que emergiram no encontro. O participante pode descobrir que auxiliou um companheiro ao relatar suas vivências, contribuindo para a superação de estigmas, constituição da horizontalidade nas relações e descoberta de que todos podem ser cuidados e cuidadores uns dos outros. Ao final de cada encontro, os participantes são convidados a avalia-lo verbalmente ou por escrito. Os discentes da equipe farão breve relatório com descrição de vivências e articulação dos acontecimentos com os aprendizados teóricos.

Carga Horária 40 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Manhã;
Descrição da Atividade

Será realizados 2 encontros de supervisão mensal com membros da equipe para avaliar os grupos realizados, o processo de formação dos discentes e de promoção da saúde mental dos participantes. Dentre as atividades de supervisão inclui-se acompanhamento da produção dos relatórios parcial e final, a serem redigidos pelo bolsista com auxílio do coordenador e demais colaboradores.