Visitante
Conscientização de acidentes na infância: prevenção e como agir diante da fatalidade
Sobre a Ação
202203001875
032022 - Ações
Projeto
RECOMENDADA
:
EM ANDAMENTO - Normal
23/09/2026
03/07/2030
Dados do Coordenador
louise lanna nunes
Caracterização da Ação
Ciências da Saúde
Saúde
Educação
Saúde da família
Municipal
Não
Não
Não
Dentro e Fora do campus
Noite
Não
Redes Sociais
Membros
No seu crescimento e desenvolvimento, a criança manifesta comportamento exploratório que a expõe a riscos de lesões não intencionais. Com isso, torna-se fundamental compreender suas necessidades de estímulo e proteção, bem como as etapas do desenvolvimento, para subsidiar estratégias preventivas capazes de reduzir acidentes e minimizar a ocorrência de traumas. Pretende-se capacitar escolas da rede pública de Diamantina para realizar prevenção de acidentes e os passos a seguir se necessário.
Acidentes na infância, segurança infantil, educação em saúde, prevenção de acidentes, instituição de ensino.
A criança, durante seu processo de crescimento e desenvolvimento, apresenta um comportamento exploratório que a torna vulnerável a situações de risco para lesões não intencionais (Brasil, 2010). Por isso, é essencial compreender tanto suas necessidades de estímulo quanto de proteção, além das fases de seu desenvolvimento, a fim de adotar medidas preventivas que antecipem possíveis acidentes e minimizem a ocorrência de traumas (Gomes, 2023). Nessa perspectiva, os acidentes na infância, caracterizados como eventos não intencionais e evitáveis, constituem importante problema de saúde pública. Todavia, é importante destacar que 90% desses acidentes podem ser evitados com medidas simples de prevenção (SBP, 2024). Logo, a adoção dessas medidas assumem papel essencial e devem ser responsabilidade compartilhada entre órgãos competentes, família e sociedade, buscando reduzir riscos e proteger a vida infantil por meio de cuidados físicos, materiais, emocionais e sociais (Martins, 2006). Os acidentes na infância estão fortemente associados a condições de vulnerabilidade, sendo influenciados por fatores relacionados ao ambiente físico e psicossocial, à imaturidade do desenvolvimento infantil, busca de emoções, prazer em experimentar situações de risco, bem como à ausência de supervisão adequada. Além disso, condições socioeconômicas desfavoráveis, como renda familiar, a escolaridade e idade maternas, número de filhos ampliam a exposição ao risco e dificultam a prevenção (Martins, 2013). Dados epidemiológicos apontam que os acidentes domésticos, como quedas, sufocamentos, queimaduras, afogamentos e intoxicações, estão entre as principais causas de morte de crianças no Brasil, com 1.616 óbitos registrados entre 2020 e 2021 (Brasil, 2022). Entre eles, destacam-se os afogamentos, cuja taxa global de mortalidade é de 7,2 por 100 mil habitantes, chegando a ser até seis vezes maior em países de baixa e média renda. O risco varia conforme a idade: em bebês menores de 1 ano, ocorre principalmente em banheiras e recipientes domésticos, enquanto entre 1 e 4 anos é mais frequente em piscinas e tanques (SBP, 2024). A aspiração de corpos estranhos também preocupa, concentrando 98% dos casos em crianças com menos de 5 anos, sobretudo em torno dos 2 anos, quando ainda não possuem dentição adequada para mastigar bem alimentos e ainda possuem o hábito de levar diversos objetos à boca. Já as quedas são os acidentes mais comuns, responsáveis em 2023 por 183 mortes e mais de 73 mil internações (Brasil, 2023). As queimaduras, por sua vez, causaram 161 óbitos em 2023, sendo a maioria em crianças de 1 a 4 anos, além de 12.980 hospitalizações apenas até julho de 2024. Em adição, a escola é um ambiente para múltiplos aprendizados e deve oferecer segurança para o desenvolvimento integral e aquisição contínua de experiências e conhecimentos. A estrutura física deve seguir rigorosamente as normas de prevenção de acidentes, e os profissionais da educação devem estar atentos às situações de risco e tomar as devidas providências antes que os acidentes aconteçam (Brasil, 2024).
Os acidentes não intencionais representam uma das principais causas de morbimortalidade infantil no Brasil e no mundo, sendo responsáveis por elevado número de internações hospitalares e mortes evitáveis. No Brasil, em 2023, mais de 277 mil crianças e adolescentes de 0 a 19 anos foram internados por acidentes, número 29% maior em relação a 2019 (DATASUS, 2023). Entre os mecanismos mais comuns estão as quedas, queimaduras, afogamentos, intoxicações, choques elétricos e sufocação, que variam conforme a faixa etária e o estágio de desenvolvimento (Ministério da Saúde, 2022). Globalmente, estima-se que causas externas, como traumas no trânsito, quedas e afogamentos, sejam responsáveis por cerca de 10% da carga de saúde, com altos índices de anos de vida perdidos por incapacidade (GBD, 2019). A faixa etária atendida em creches é particularmente vulnerável, pois o desenvolvimento motor e cognitivo ainda não permite reconhecer riscos, exigindo supervisão constante e ambientes adaptados. Diante disso, torna-se essencial capacitar a equipe da creche e sensibilizar a comunidade escolar sobre medidas práticas de prevenção e primeiros cuidados, abordando temas como engasgos, sono seguro, uso de brinquedos adequados, armazenamento correto de produtos de limpeza, riscos ambientais e contato com animais. O projeto, ao aproximar estudantes de medicina da realidade educativa, atende a uma demanda das unidades de ensino infantil de Diamantina por capacitação em medidas de segurança, contribuindo para a qualificação da equipe, a redução de riscos e a promoção de um ambiente mais protegido para as crianças.
Objetivo geral: capacitar pais e equipe escolar a respeito dos acidentes mais frequentes na infância e formas de atuar em cada uma delas, além das medidas de prevenção das mesmas. Objetivos específicos: Prevenir acidentes frequentes na primeira infância. Amenizar os impactos dos acidentes, com o uso de equipamentos de segurança individual e coletiva. Capacitar equipe escolar com manobras iniciais em caso de acidentes como afogamentos, engasgo e queimaduras.Criar e aplicar questionário sobre acidentes antes e após a atividade realizada, para avaliar conhecimentos prévios e impacto da ação no conhecimento para a equipe escolar.
Capacitar a equipe escolar participante do projeto para lidar com os diversos acidentes possíveis na infância. Promover a conscientização e a importância da prevenção de acidentes na primeira infância Informar educadores e profissionais da saúde sobre os riscos associados aos acidentes domésticos e do ambiente escolar e seus agravos. Apresentar dados científicos sobre os impactos da prevenção e a importância de medidas de prevenção de acidentes na infância Criar redes de apoio e troca de saberes entre profissionais de saúde, instituições de ensino e familiares acerca dos principais incidentes ocorridos na infância.
O projeto será desenvolvido em conjunto com a Secretaria de Educação do município de Diamantina-MG. A parceria foi iniciada a partir do contato da coordenadora do projeto com a instituição municipal, a qual possuía demandas em relação à conscientização e capacitação dos profissionais de educação no que tange à prevenção e manejo de acidentes na infância. As instituições de educação nas quais será efetuado o projeto de extensão comportam crianças dos 6 meses até os três anos de idade. O projeto será desenvolvido por meio de encontros presenciais nas instituições de ensino nas creches participantes, com duração prevista de quatro horas cada. As datas ainda serão definidas em articulação com as instituições envolvidas. Após o contato inicial, a coordenadora, em conjunto com os acadêmicos de medicina, através de uma reunião presencial no Campus I, reuniram-se para a idealização e confecção do projeto de pesquisa. Previamente à reunião, foi requerido a leitura do capítulo acerca de acidentes na infância do livro “Tratado de Pediatria” da Sociedade Brasileira de Pediatria e literatura pertinente. No primeiro momento, foi realizado um “brainstorm” sobre os temas a serem abordados no projeto, como também a organização de como ocorreria a sua escrita e a sua execução. No mesmo dia, a turma foi dividida em subgrupos para a realização da escrita do projeto e a definição dos temas a serem abordados: Teóricos: Tema 1: Obstrução de vias aéreas (asfixia, anafilaxia, alimentos de risco e brinquedos seguros). Tema 2: Risco ambiental (afogamento, uso de telas pelos cuidadores, produtos de limpeza, fármacos, proteção de telas na janela, grades no berço, móveis perto de janelas e fixação de móveis). Tema 3: Quedas (escada e trocador). Tema 4: Queimaduras (banho seguro, alimentos, bebidas quentes, choque e tomadas). Práticos: Estação de Engasgo. Estação de Parada Cardiorrespiratória. Estação de Crise convulsiva. Antes do início das atividades nas creches, os acadêmicos de Medicina envolvidos serão treinados pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), por meio de oficinas práticas e simulações clínicas. Esse treinamento terá como foco a padronização das condutas em primeiros socorros, garantindo segurança na transmissão dos conteúdos e na condução das atividades. Serão elaboradas as aulas teóricas, estruturadas e validadas em conjunto com a docente responsável de modo a assegurar clareza, relevância e adequação ao público-alvo. A avaliação do projeto será processual e contínua, contemplando duas dimensões: Avaliação Diagnóstica (pré-intervenção): aplicação de questionário breve para identificar o nível de conhecimento prévio dos participantes sobre prevenção e primeiros socorros em acidentes infantis. Avaliação Somativa (pós-intervenção): aplicação de questionário ao final dos encontros, com questões teóricas, para comparar o aprendizado obtido em relação ao diagnóstico inicial. Também será solicitado feedback qualitativo dos participantes sobre a relevância dos temas e a aplicabilidade no cotidiano das creches. Os resultados da avaliação serão sistematizados pela equipe e utilizados para aprimorar futuras edições do projeto, garantindo maior impacto e sustentabilidade das ações extensionistas.
BRASIL. Ministério da Saúde. Avaliação clínica da criança - Prevenção de acidentes. Linhas de Cuidado - Portal da Atenção Primária. 2010. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/puericultura/unidade-de-atencaoprimaria/crianca/#Avaliacao&#pills-prevencao-acidentes BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS – DATASUS. Informações de Saúde (TABNET): Morbidade hospitalar do SUS por causas externas. 2023. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2022: Uma análise da situação de saúde com enfoque nas causas externas. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. GOMES, A. F. Acidentes domésticos envolvendo crianças no Brasil. Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, v. 16, n. 1, p. 11, dez. 2023. Disponível em: blog/revista.cpaqv.org/index.php/CPAQV/article/view/1532. Acesso em: 24 ago. 2025 . GLOBAL BURDEN OF DISEASE (GBD). Global burden of all-cause and cause-specific injuries among children and adolescents from 1990 to 2019. Lancet Child Adolesc Health. 2021;5(8):519–531. MARTINS, Christine Baccarat de Godoy. Acidentes na infância e adolescência: uma revisão bibliográfica. Revista Brasileira de Enfermagem, São Paulo, v. 59, n. 3, p. 344-348, jun. 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-71672006000300017 MARTINS, Christine Baccarat de Godoy. Acidentes e violências na infância e adolescência: fatores de risco e de proteção. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 66, n. 4, p. 578–584, jul./ago. 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-71672013000400017. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (Org.). Tratado de Pediatria. 6. ed. Barueri, SP: Manole, 2024. v. 1.
Por meio de metodologias participativas, a fim de promover conscientização acerca do risco de acidentes na infância, abarcando desde fatores de risco associados ao desenvolvimento e à aquisição de habilidades motoras com maior risco de quedas vinculadas ou comportamentos de risco que possam ser evitados até fatores ambientais como posição de móveis na escola / creche, brinquedos seguros e etc. Buscamos assim, com pragmatismo, mudanças ou redução de contextos que possam desencadear agravos na saúde das crianças e da família. Em consonância, a troca de saberes entre a comunidade acadêmica e a população do município propicia um momento singular tanto no enriquecimento do saber quanto no fortalecimento da relação entre diversos atores sociais.
O evento contará com sujeitos sociais de diversos campos do saber, incluindo estudantes do quinto período de medicina da UFVJM, além da comunidade externa representada pelos professores e funcionários das instituições educacionais da rede pública do município de Diamantina. A ação contribuirá no alinhamento do aprendizado teórico dos estudantes com a vivência das creches e escolas municipais propiciando a perspectiva real das dificuldades da manutenção da segurança das crianças, principalmente das crianças pequenas para os estudantes e também a perspectiva real dos perigos em potencial enfrentados pelos cuidadores e crianças em ambientes escolares, que muitas vezes podem passar desapercebidos do senso comum
O evento acontecerá nas escolas da rede municipal, colaborando para o eixo de extensão do ensino. A atividade será curricular para os alunos de medicina do quinto período, oportunizando a curricularização da extensão e formação de amálgama entre o ensino da sala de aula sobre o assunto, a extensão vivenciada pelos alunos nos encontros na escola e a pesquisa à medida que coletaremos informações sobre conhecimento prévio e posterior da comunidade, personificados nos professores e cuidadores A ação visa expandir o ensino ao oportunizar a troca de conhecimentos entre os diversos atores envolvidos. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão fortalece a formação acadêmica dos estudantes, pois oferece uma abordagem prática e multidisciplinar ao aprendizado. Ao integrar essas três áreas, o evento possibilita que os alunos não apenas adquiram conhecimento teórico, mas também o apliquem a situações reais
Os estudantes desenvolvem habilidades de exposição de conteúdos durante a apresentação inicial e também nas oficinas sobre cuidados no momento dos acidentes possíveis enquanto adquirem perspectiva da vivência e dificuldades dos cuidadores e professores da rede municipal de ensino, facilitando assim a humanização do cuidado médico em oportunidades futuras de abordagem do assunto.
Espera-se que, após o evento, os cuidadores e professores da rede municipal de ensino se tornem mais conscientes sobre os riscos de acidentes contidos desde o cuidado no ambiente fechado com a criança quanto às vivências em ambientes externos como parquinhos, quadras e ambientes de recreação. Ao adquirir a real perspectiva desses riscos, que esses cuidadores e professores optem por corrigir antigos hábitos como distrações em celulares e assumam cuidados mais conscientes com alimentação, banho, disposição de móveis e segurança de brinquedos, medicamentos entre outros. Estarão também mais capacitados para lidar com os acidentes mais prevalentes, como engasgos, convulsões e afogamentos caso estes ocorram, se tornando também veículos de transmissão dessas informações na comunidade. Além disso, futuros profissionais da saúde estarão mais preparados para orientar pais e comunidades sobre os impactos dos acidentes na infância e sobre a melhor estratégia de enfrentamento à eles: a prevenção.
A divulgação será feita pelo perfil da FAMED nas redes sociais
Esse projeto foi submetido no início de 2026, mas foram sugeridas edições no cronograma. Devido à impossibilidade de edição na página do Siexc, está sendo realizada nova submissão para viabilizar ações de extensão curricularizada.
Público-alvo
O público-alvo são os cuidadores e funcionários de creches responsáveis pelo cuidado de crianças em idade pré escolar, fase em que os acidentes na infância acontecem frequentemente pela ausência de noção dos infantes sobre os perigos e consequências de seus atos e essa ser fase de extenso desenvolvimento através de descobertas no meio externo onde se situam. Alguns desses acidentes podem ser fatais
Municípios Atendidos
Diamantina - MG
Parcerias
Curso de Suporte Básico de Vida para capacitação dos estudantes
Cronograma de Atividades
Carga Horária Total: 100 h
- Noite;
capacitação dos alunos em Suporte Básico de Vida pelos profissioinais de Saúde do SAMU
- Noite;
A atividade de capacitação dos funcionários da creche será realizada semestralmente em todas as escolas municipais, inicialmente priorizando as creches municipais pelo maior risco de acidentes não intencionais na faixa etária que frequenta as creches.