Detalhes da ação

"Chica, por onde andas?"

Sobre a Ação

Nº de Inscrição

202203001913

Tipo da Ação

Projeto

Situação

RECOMENDADA :
EM ANDAMENTO - Normal

Data Inicio

14/08/2026

Data Fim

30/11/2027


Dados do Coordenador

Nome do Coordenador

rosiane da silva ribeiro bechler

Caracterização da Ação

Área de Conhecimento

Ciências Humanas

Área Temática Principal

Educação

Área Temática Secundária

Direitos Humanos e Justiça

Linha de Extensão

Metodologias e estratégias de ensino/aprendizagem

Abrangência

Municipal

Gera Propriedade Intelectual

Não

Vínculada a Programa de Extensão

Não

Envolve Recursos Financeiros

Não

Ação ocorrerá

Dentro e Fora do campus

Período das Atividades

Integral

Atividades nos Fins de Semana

Sim


Redes Sociais

historia.ufvjm

Membros

Tipo de Membro Interno
Carga Horária 360 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Tipo de Membro Interno
Carga Horária 85 h
Resumo

As ações previstas neste projeto procuram fomentar e fazer circular narrativas históricas, a partir da figura histórica de Chica da Silva. Pretendemos incentivar o exercício da fabulação crítica articulado a uma educação antiracista em espaços escolares e não escolares. Ao abordar a história de Chica da Silva, optamos por seguir uma perspectiva decolonial, que revisita histórias colocadas à margem ou até mesmo silenciadas, buscando compreendê-la em seu protagonismo e complexidade.


Palavras-chave

Ensino de História - Chica da Silva - Gênero - Minas Colonial - Patrimônio Cultural


Introdução

Este projeto se vincula às unidades curriculares Ações Extensionistas; Laboratório de Ensino de História - Metodologias e Tecnologias do Ensino de História; e História da América Portuguesa; do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). O Projeto Chica, por onde andas? também está vinculado ao Laboratório de Pesquisas e Fazeres Históricos nos Vales - LABORALES, e articula pesquisa, ensino, extensão e cultura. Em seu processo de elaboração e concepção, os estudantes do quarto período da Licenciatura em História propõem uma desmistificação da imagem de Chica da Silva, trabalhando sua história a partir de seu local de origem, Milho Verde (município de Serro), mapeando seus deslocamentos geográficos, sociais e culturais na sociedade do Arraial do Tijuco no século XVIII. Nesse sentido, a compreensão de sua trajetória permitirá ampliar a perspectiva sobre sua história e outras histórias a ela vinculadas, considerando a complexidade das relações sociais, econômicas e culturais das Minas Gerais de ontem e de hoje. O projeto irá desenvolver ações didáticas em espaços escolares e não escolares, e busca, a partir de um posicionamento contracolonial, problematizar as visões romantizadas, estereotipadas e/ou mitificadas que a população costuma ter sobre Chica da Silva e contexto das Minas Gerais durante o período colonial-escravista. Buscamos, assim, aprofundar o conhecimento sobre a história da Chica da Silva nas escolas públicas de Diamantina, mas também em outros espaços educativos como museus, igrejas, praças, etc. da região, propondo uma leitura conjunta tanto das representações construídas quanto dos indícios concretos de sua trajetória de vida e seu legado. Nesse sentido, propomos a problematização dos aspectos relacionados à sua condição de mulher negra, à sexualização de sua imagem e à redução do seu lugar social exclusivamente na relação que construiu com o contratador João Fernandes de Oliveira. As ações previstas neste projeto irão partir do acervo presente na casa da Chica da Silva, dialogando com as obras de Marcial Ávila, para a ruptura dos anacronismos observáveis em relação à esta figura histórica de impacto regional e nacional. Considerando que a casa da Chica da Silva é um patrimônio histórico há 76 anos e é aberta ao público, constatamos que existe uma grande parcela da população local, visitantes e moradores das localidades vizinhas, que desconhecem as configurações e motivações das representações simbólicas e materiais em torno de Chica e de seu principal lugar oficial de memória na atualidade. Por isso, está inserido no corpus do projeto promover o reconhecimento deste edifício tombado pelo poder público como local de provocação no que diz respeito ao passado-presente de temas que atravessam o escopo do projeto, tais como gênero, raça, identidade, memória, etc. considerando também os outros espaços institucionais e não-institucionais de referência à personagem. O reconhecimento do descompasso entre o que se aprende e se divulga sobre Chica da Silva e a sua pluralidade narrativa é fundamental para a formação de professores historiadores e, portanto, pesquisadores, que irão atuar nas diferentes salas de aula assim como em outros espaços educativos. Da mesma forma, moradores, visitantes e a comunidade como um todo, possuem o direito de terem acesso à história e a memória como dimensões da coletividade e da inclusão de grupos marginalizados em narrativas que se proponham como socialmente responsáveis em relação ao passado.


Justificativa

A proposta deste projeto de extensão parte da necessidade de problematizar as narrativas construídas sobre Chica da Silva e a forma como sua trajetória histórica é apresentada e compreendida na sociedade. A personagem ocupa um lugar significativo na memória histórica de Diamantina e região, porém, sua imagem foi ao longo do tempo marcada por diferentes representações romantizadas e/ou carregadas de mitificações e estereotipias. Dessa forma, discutir Chica da Silva a partir de diferentes perspectivas possibilita ampliar o conhecimento sobre sua trajetória e sobre o contexto histórico no qual esteve inserida. O projeto busca apresentar essas diferentes narrativas, compreendendo que os imaginários construídos sobre ela foram transmitidos e transformados ao longo das gerações. Nesse sentido, não pretendemos simplesmente definir quais perspectivas são certas ou erradas, mas compreender de modo responsável como essas representações foram construídas e quais significados atribuem à personagem. Ao mesmo tempo, buscamos dar maior visibilidade a sua história em seu lugar de origem, aproximando essa trajetória da comunidade e contribuindo para que ela seja conhecida e valorizada também nesse espaço. A discussão também permite refletir sobre a construção da memória histórica e sobre como determinadas personagens são lembradas e ensinadas. Assim, o projeto pretende pensar não apenas sobre como Chica da Silva é representada atualmente, mas também sobre como sua história continuará sendo transmitida às próximas gerações. Dessa maneira, buscamos contribuir para uma relação mais consciente com a memória de Chica da Silva e com a própria história local e regional, aproximando universidade e comunidade por meio do diálogo e da valorização do conhecimento histórico. Assim, o contato com uma temática diretamente relacionada à história local e regional possibilita aos futuros professores de História refletirem sobre as formas de ensinar a partir das experiências, memórias e referências presentes no território em que estão inseridos. Do ponto de vista da abrangência espácio-temporal, busca-se ampliar a compreensão sobre a trajetória de Chica da Silva a partir das diferentes memórias, narrativas e experiências relacionadas aos territórios de Serro (incluindo os atuais distritos de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras) e Diamantina (incluindo o povoado do Vau, pertencente ao distrito de Extração). A partir dos indícios de que existe no próprio território onde a personagem nasceu, possivelmente, um quadro de apagamento e esquecimento de sua trajetória e relevância histórica, necessitamos reposicionar uma nova cartografia sobre Chica da Silva. Diante dessa realidade, o projeto busca atuar na valorização e no fortalecimento da memória comunitária, promovendo ações que permitam reimaginá-la sob uma ótica atual, mantendo o compromisso de evitar equívocos nas leituras entre passado e presente nas múltiplas territorialidades ligadas à vida dela.


Objetivos

Objetivo Geral: Trabalhar a consciência histórica em relação à figura de Chica da Silva dos/nos espaços educativos nos territórios associados a sua trajetória. Objetivos Específicos: 1. Promover o diálogo entre a universidade e a comunidade externa a ela, para mapeamento e reconhecimento dos saberes relacionados à personagem histórica Chica da Silva; 2. Reimaginar novas perspectivas históricas sobre a personagem levando em consideração as visões já existentes no imaginário popular; 3. Problematizar os estereótipos associados à figura de Chica da Silva, incentivando a apropriação crítica da história de Chica da Silva pela comunidade local, de modo que sua memória não seja apenas objeto de representação externa, mas também elemento de reflexão e valorização construído pelos próprios sujeitos do território. 4. Contribuir para a valorização da presença e da agência de mulheres negras na história do Brasil, destacando suas estratégias de sobrevivência, relações sociais e formas de atuação em contextos marcados pela escravidão e pelas desigualdades; 5. Promover o diálogo entre o conhecimento acadêmico e os saberes da comunidade de Milho Verde e o município de Diamantina, reconhecendo a importância das memórias orais, das narrativas locais e das experiências dos moradores na construção do conhecimento histórico; 6. Fortalecer a relação entre universidade, escolas e comunidade local, promovendo a construção coletiva de ações de divulgação, preservação e valorização da memória histórica dos/nos territórios.


Metas

1. Realizar ações educativas nos distritos e localidades relacionados à trajetória de Chica da Silva, contemplando Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras, Vau e Diamantina. 2. Alcançar estudantes da Educação Básica, moradores das comunidades envolvidas e visitantes ou participantes de atividades realizadas em distintos espaços educativos. 3. Realizar ações/paradas educativas ao longo do percurso relacionado à trajetória de Chica da Silva, promovendo atividades de mediação histórica, diálogo com as comunidades e valorização da memória local. 4. Criar uma caixa pedagógica contendo materiais e recursos didáticos relacionados à história de Chica da Silva, à história local, à educação patrimonial e às discussões sobre memória, gênero e relações raciais, destinada ao uso em atividades educativas. 5. Produzir e organizar registros das ações desenvolvidas pelo projeto, contemplando registros fotográficos, escritos e documentais das atividades realizadas nas comunidades e espaços educativos envolvidos. 6. Realizar entrevistas com moradores, professores, estudantes, pesquisadores e agentes culturais das localidades envolvidas, buscando registrar diferentes memórias, percepções e narrativas relacionadas à história de Chica da Silva. 7. Produzir materiais audiovisuais a partir das entrevistas realizadas, contribuindo para a divulgação e preservação das memórias e narrativas locais relacionadas à trajetória de Chica da Silva.


Metodologia

O projeto de extensão “Chica, por onde andas?” será desenvolvido com uma abordagem qualitativa, que tem como foco a história, a participação ativa e a interdisciplinaridade. Ele se concentra na valorização da história e da memória de Chica da Silva, com ênfase no município de Diamantina (MG) e seu entorno na região do alto Vale do Jequitinhonha, territórios onde ela nasceu e viveu no século XVIII. A proposta se baseia no diálogo entre a pesquisa histórica e a extensão universitária, com o objetivo de unir os conhecimentos acadêmicos às experiências e memórias das comunidades locais. A metodologia será organizada em etapas articuladas, envolvendo pesquisa bibliográfica e documental, levantamento de memórias e narrativas locais, produção de materiais pedagógicos, realização de ações educativas e sistematização dos resultados obtidos ao longo do projeto. No início, será feita uma pesquisa com livros, artigos, teses e documentos que mostrem a vida de Chica da Silva, o contexto da escravidão no século XVIII, a origem do Arraial do Tijuco e a história de Milho Verde. Essa etapa vai buscar entender a personagem fora das representações comuns. Nesse momento, será dada atenção especial às discussões sobre raça, gênero, escravidão, memória, patrimônio e perspectivas contracoloniais. Depois, será feita uma análise das diferentes formas como Chica da Silva aparece na historiografia, na literatura, no cinema, na TV e na cultura popular. O objetivo é discutir a existência dos estereótipos, silenciamentos ou simplificações sobre ela, e questionar como sua condição de mulher negra foi representada historicamente. Isso ajuda a construir uma visão mais completa e responsável sobre a sua trajetória. A seguir, será feito um levantamento das memórias e narrativas sobre Chica da Silva em Milho Verde e Diamantina. Isso pode incluir visitas, observação de locais importantes, consulta a arquivos locais e, se for possível e autorizado, entrevistas com moradores, professores e representantes de instituições culturais. Essas entrevistas serão feitas com transparência sobre o projeto, com o consentimento dos participantes e seguindo as regras éticas para relatos orais. Nesse caso, deverá ser operacionalizado pela equipe do projeto o uso de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e de um Termo de Cessão de Direitos de Imagem e Som, nos moldes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), garantindo que as contribuições dos entrevistados possam ser legitimamente arquivadas e disponibilizadas no banco de dados do projeto para pesquisas futuras e uso nas escolas. Também serão criados materiais de uso pedagógico, sob diferentes formatos. O primeiro deles será uma caixa pedagógica com blocos de papelão dobráveis, cobertos com cartolina colorida e um pequeno velcro. Em cada bloco, serão apresentados os indícios concretos e as mitificações sobre Chica da Silva, a partir da manipulação das fontes históricas e dos relatos coletados. Esses materiais, a partir de uma linguagem simples, buscarão demonstrar a história da personagem de forma acessível, desvinculando-a de uma imagens estereotipadas e/ou sexualizadas que se mantiveram presentes no imaginário social. O público-alvo inclui os moradores dos distritos, que participarão diretamente do projeto, além de visitantes da Casa da Chica, que se situa no município de Diamantina. Além de compartilhar suas histórias, os participantes poderão participar dos debates promovidos pela equipe, gerando conhecimento, compreensão e uma visão mais rica sobre a história local. A metodologia proposta quer unir pesquisa, ensino e extensão e cultura, vendo a memória de Chica da Silva não só como um tema histórico, mas também como uma oportunidade para pensar sobre identidade, desigualdade, representação e o reconhecimento das histórias de pessoas que, muitas vezes, foram esquecidas nas narrativas tradicionais do Brasil. Para além das referências da História Oral, a abordagem a ser adotada seguirá os caminhos da “fabulação crítica” através da experiência de criação de contranarrativas, no intuito de “enfrentar o poder e a autoridade dos arquivos e os limites que eles estabelecem com relação àquilo que pode ser conhecido” (HARTMAN, 2022). Sendo assim, o método irá propor em diversos momentos, um exercício imaginativo diante de histórias que são muitas vezes reescritas de conforme contexto e interesses controversos, ou mesmo simplesmente apagadas dos registros formais acessíveis aos historiadores ou à sociedade de maneira geral.


Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Juniele Rabêlo; ROVAI, Marta Gouveia de Oliveira. Introdução à História Pública. São Paulo: Letra e Voz, 2011. ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Mitologia da mineiridade: o imaginário mineiro na vida política e cultural do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1990. ANDRADE, Francisco Eduardo de. A invenção das Minas Gerais: Empresas, descobrimento e entradas nos setores do ouro da América portuguesa. Belo Horizonte: Autêntica/Ed.PUCMG, 2008. ANDRADE, Juliana Alves de; PEREIRA, Nilton Mullet (orgs). Ensino de História e suas práticas de pesquisa. 2021. BECHLER, Rosiane Ribeiro; PEREIRA, Júnia Sales. Ouro Preto de todos os tempos: sentidos e efeitos do patrimônio na condição histórica da cidade. Revista História Hoje, v. 3, n. 6, p. 67-90, 2014. ______. Minas Gerais em jogos de escalas: variações do conhecimento histórico escolar em livros didáticos regionais.. Belo Horizonte: Faculdade de Educação da UFMG, 2014. Dissertação de Mestrado, Orientação Profa. Dra. Júnia Sales Pereira. FONSECA, Cláudia Damasceno. Arraiais e vilas d'El Rei: Espaço e poder nas Minas setecentistas. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2011. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. 49ª. Edição. São Paulo: Paz e Terra, 2014. FURTADO. Júnia Ferreira. Chica da Silva e contratador de diamantes: o outro lado do mito. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. __________ O livro da capa verde: o regimento diamantino de 1771 e a vida no Distrito Diamantino no período da real extração. Belo Horizonte: Annablume, 1996. HARTMAN, Saidiya. Perder a mãe: uma jornada pela rota atlântica da escravidão. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021. _______ Vidas rebeldes, belos experimentos: histórias íntimas de meninas desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais. São Paulo: Fósforo, 2022. HARTOG, François. Temporalidade e Patrimônio. Varia história, v. 22, n. 36, p. 261-273, 2006. MENEZES, José Newton Coelho. O continente rústico: Abastecimento alimentar nas Minas Gerais setecentistas. Diamantina: Maria Fumaça, 2000. MONTEIRO, Ana Maria. Professores de História: entre saberes e práticas. Mauad Editora Ltda, 2007. MARTINS, Marcos Lobato. Memorialistas e ensino de História Local na Diamantina do século XX. CULTURA HISTÓRICA & PATRIMÔNIO, v. 1, n. 1, p. 39-64, 2012. PEREIRA, Júnia Sales; ORIÁ, José Ricardo. Desafios teórico-metodológicos da relação educação e patrimônio. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, v. 20, n. 1, p. 161-171, 2012. Acesso em 20/05/20: ______; RICCI, Claudia Sapag (orgs.). Produção de Materiais Didáticos para a Diversidade: Patrimônio e Práticas de Memória numa perspectiva interdisciplinar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010. RESENDE, Maria Efigênia; VILLALTA, Luiz Carlos (Org.). História de Minas Gerais: As minas setecentistas. Belo Horizonte: Autêntica; Cia do Tempo, 2007, 2v. REVEL, Jacques. Jogos de escalas: a experiência da micro-análise. Rio de Janeiro: FGV, 1998. SANTOS, Joaquim Felício dos. Memórias do Distrito Diamantino da Comarca do Serro do Frio. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1976. SEABRA, Elizabeth Aparecida Duque; DE ALMEIDA, Franciely Cardoso. PIBID História: um registro da festa do Rosário em Couto de Magalhães Minas Gerais (PIBID history: a registry of the festival of the rosary in Couto de Magalhães-Minas Gerais). Crítica Educativa, v. 3, n. 2, p. 844-858, 2017. Acesso em 20/05/21. SOUZA, João Valdir Alves. "Fontes para uma reflexão sobre a história do Vale do Jequitinhonha." Unimontes Científica 5.2 (2008): 106-120. VARINE, Hugues de. As raízes do futuro: o patrimônio a serviço do desenvolvimento local. Porto Alegre, Medianiz, 2012.


Interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade

A Diretriz Interação Dialógica presente na Política Nacional de Extensão, trata da produção de conhecimento junto à sociedade, de forma a contribuir para a superação da desigualdade e da exclusão social, em busca de uma sociedade mais justa, ética e democrática. No contexto deste projeto, essa interação será compreendida como um processo de troca entre a universidade, as escolas e demais espaços educativos e as comunidades relacionadas à trajetória de Chica da Silva, reconhecendo que os diferentes sujeitos envolvidos são também produtores de conhecimentos sobre a história e a memória de seus territórios. Entendemos que a escola, no exercício de conformar as culturas que a atravessam e formar conforme os paradigmas curriculares vigentes, ao mesmo tempo em que reproduz as desigualdades econômicas e sociais, pode ser vista também como lócus de processos de transformação e emancipação social. Nessa direção, o ensino de História e os sujeitos com ele comprometidos, se apresentam como agentes privilegiados para identificação e construção de experiências educativas que potencializam os sentidos entre o passado e o presente.


Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade

Compreendendo a profissionalização do/a docente em História como território de formação específica e complexa, a interdisciplinaridade é o eixo orientador do diálogo entre os saberes oriundos das discussões pedagógicas, dos avanços no campo historiográfico, e das interlocuções com os demais componentes curriculares da área de Ciências Humanas e Sociais, além de considerar debates advindos das ciências da informação e comunicação. Dessa maneira, buscamos impulsionar a transversalidade dos saberes próprios à formação docente em História com outros saberes circulantes que possibilitam complexificar as experiências de compartilhamento para o escopo do projeto. Já a interprofissionalidade é incentivada e garantida pela interlocução entre estudantes, técnicos administrativos e técnicos em assuntos educacionais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), docentes e estudantes da Educação Básica e demais profissionais atuantes em espaços educativos alinhados à proposta deste curso.


Indissociabilidade Ensino – Pesquisa – Extensão

conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível." É consenso que a formação docente em História não tem início no curso de licenciatura, tampouco se encerra com a obtenção do diploma. Os saberes que compõem o repertório docente no cotidiano da sala de aula são impregnados das diferentes experiências e vivências cumulativas e angariadas em múltiplos espaços. A aposta que fazemos aqui recai justamente sobre a potencialidade de uma formação dialógica em espaços de construção de relações horizontais, ancorados no que Paulo Freire denominou de ciclo gnosiológico, ou seja, o deslocamento entre os saberes advindos da curiosidade ingênua para a problematização dos saberes confrontados e apreendidos pela curiosidade epistemológica. Nesse sentido, "ensinar, aprender e pesquisar lidam com esses dois momentos do ciclo gnosiológico: o em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. A “dodiscência” - docência-discência - e a pesquisa, indicotomizáveis, são assim práticas requeridas por esses momentos do ciclo gnosiológico. (FREIRE, 2014, p.30). Mediante essas reflexões, esse projeto configura-se como: (1) pesquisa, por dedicar-se ao aprofundamento nos indícios sobre a vida e o legado de Chica da Silva, no intuito de confrontar criticamente as imagens sobre ela; (2) ensino, por propor a constituição de uma comunidade de aprendizagem nas quais experiências pedagógicas possam ser partilhadas, promovendo a divulgação e experiência histórica sobre Chica na relação entre o passado vivido por ela e a construção deste mesmo passado em outros tempos, incluído o presente; (3) extensão, na proposição de uma territorialidade que promova a escuta, o acompanhamento e a solidariedade dos e entre os professores em formação, professores em atuação, profissionais dos espaços educativos e a comunidade geral, propondo novas cartografias possíveis à respeito de Chica da Silva.


Impacto na Formação do Estudante: Caracterização da participação dos graduandos na ação para sua formação acadêmica

Pretende-se com esse projeto contribuir para o que Antônio Nóvoa (2017) denomina "profissionalização da formação docente". O autor reforça a importância de, no percurso da formação inicial, diminuir distâncias entre a escola e a universidade, entendendo como fundamental estratégias formativas voltadas para o preparo, o ingresso e o desenvolvimento continuado do profissional docente. Esse objetivo também se estende aos demais espaços educativos de atuação do projeto, ampliando o espectro para lugares institucionais e não-institucionais de aprendizagem representados pela praça, museu, bairro, redes sociais, etc. Nessa perspectiva, a qualificação da formação dos estudantes da licenciatura em História a partir de sua participação na organização do projeto e no acompanhamento das atividades propostas é o principal impacto aqui projetado. Ademais, espera-se fomentar o deslocamento dos/as estudantes em formação, do lugar de ouvintes para o de interlocutores nos processos dialógicos de partilhas e construção de saberes com os membros da comunidade externa à universidade. Caso haja bolsistas voluntários ou futuramente contemplados em editais de extensão promovidos pela instituição, além das atividades acima listadas, caberá: gerir o sistema de matrículas; acompanhar a frequência dos estudantes; ser referência da comunicação entre cursistas, voluntários e equipe organizadora; mediar a equipe de voluntários em parceria com os coordenadores da proposta; organizar o Google Classroom e o Drive da(s) unidade(s) curricular(es); elaborar registros sobre os encontros; mapear dificuldades apresentadas pelos cursistas ao longo do percurso; participar da elaboração dos materiais previstos e como resultado dele, assim como das reuniões junto aos membros do projeto.


Impacto e Transformação Social

Como educadores e formadores de futuros educadores, acreditamos que a Educação é por excelência um caminho contínuo na busca por transformações sociais. Os saberes e fazeres docentes são, por este princípio, carregados de certa carga utópica (SACRISTÁN, 2013), não sem conflitos e demandas por negociação. Assim, acreditamos que canalizar essa carga utópica para a formação de docentes em História configura-se como uma estratégia potencializadora de práticas pedagógicas que reverberam de forma significativa em projetos educativos emancipadores, com contribuições para uma sociedade mais justa e inclusiva. Espera-se, ainda, que a relação dialógica entre Espaços Educativos-Universidade, fomentada pela proposta deste projeto potencialize, além dos diálogos, aprendizados compartilhados em espaços institucionais e não-institucionais interpelados e demandados através das comunidades.


Divulgação

A divulgação das ações será feita pelas redes institucionais da UFVJM (portal, e-mail) assim como pelo instagram do curso de História da UFVJM, além da produção de materiais impressos.


Informações Complementares

A proposta representa continuação e verticalização de ações já desenvolvidas no contexto do curso de Licenciatura em História, atentando-se para as particularidades da formação do professor historiador. Ademais, visa atender à proposta de curricularização da extensão no escopo do PPC do curso. Compreendemos ser fundamental o desenvolvimento de projetos que promovam o deslocamento entre os diferentes espaços formativos e educativos, constituindo uma rede de valorização. É nesse movimento de articulação entre universidade e sociedade que se insere o projeto “Chica, por onde andas?”, tomando a trajetória de Chica da Silva como eixo para a construção de ações educativas voltadas à história local/regional, à memória e ao patrimônio cultural dos territórios relacionados à sua trajetória, no intuito de promover a discussão e divulgação de saberes históricos. Além disso, é preciso considerar que as diferentes experiências sociais, políticas e culturais vivenciadas nos anos de 2020-2021 em decorrência da Pandemia Covid-19 e seus desdobramentos, reacenderam o debate sobre a produção, circulação e divulgação do conhecimento científico, colocando tais demandas também às produções acadêmicas no campo historiográfico e em sua relação com a História Pública e com o ensino de História. Com vistas ao atendimento destas e outras demandas que perpassam a formação dos nossos estudantes e atravessam nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão, propomos neste projeto a continuidade e expansão das ações promovidas pelo Laboratório de Pesquisa e Fazeres Históricos nos Vales - LABORALES, em outras oportunidades e projetos, no intuito mais amplo da discussão à respeito de Minas Gerais e do Vale do Jequitinhonha.


Público-alvo

Descrição

Estudantes da Educação Básica das escolas dos municípios nos quais desenvolveremos as ações previstas.

Descrição

Guias turísticos que serão convidados a participar das oficinas propostas no escopo do projeto.

Descrição

Visitantes que terão contato com os materiais elaborados e oficinas propostas.

Municípios Atendidos

Município

Diamantina - MG

Município

Serro - MG

Município

São Gonçalo do Rio Preto - MG

Parcerias

Participação da Instituição Parceira

Interlocuções sobre o tema; planejamento coletivo de ações; disponibilização do espaço para realização de oficinas e pesquisa.

Cronograma de Atividades

Carga Horária Total: 255 h

Carga Horária 30 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Realização de encontros para discussão de tecnologias e metodologias do ensino de história; reuniões de estudos e aprofundamento sobre a historiografia referente ao tema; reunião de trabalho para o desenvolvimento de oficinas e materiais pedagógicos;

Carga Horária 15 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Realização, em parceria com o Museu do Diamante, das atividades propostas.

Carga Horária 30 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Encontros realizados com a turma para debate sobre a atividade extensionista e sensibilização sobre projetos de extensão e ensino de histórica; visitas de campo a Casa de Chica da Silva e a Exposição Chicas são Muitas de Marcial Ávila; reuniões de trabalho para elaboração do projeto.

Carga Horária 10 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Avaliação e relatório parcial elaborado junto aos estudantes do 4. Período 2026/02

Carga Horária 85 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Seguindo a mesma metodologia de ações indicadas na primeira fase, esta etapa será alinhada junto aos estudantes do 4. período de 2027/01

Carga Horária 85 h
Periodicidade Semanalmente
Período de realização
  • Tarde;
  • Noite;
Descrição da Atividade

Seguindo a mesma metodologia e etapas indicadas na 1ª Fase, esta etapa será alinhada junto aos estudantes do 4. período 2027/02.